Com o título de pilotos em disputa e apenas sete corridas para o final da temporada, a (boa) relação entre Oscar Piastri e Lando Norris pode estar prestes a sofrer a sua primeira grande fissura. Terá a McLaren que escolher um em prol do outro?
A McLaren vive em 2025 um dos momentos mais fortes da sua história recente na F1. A equipa britânica tem os seus dois competidores, Oscar Piastri e Lando Norris, na luta direta pelo campeonato de pilotos, algo que não acontecia desde os tempos de Ayrton Senna e Alain Prost, no final dos anos 80. Até agora, não há como negar, entre ambos tem existido uma rivalidade notavelmente amigável, marcada por respeito e profissionalismo, mesmo com episódios de tensão em pista e a aplicação das chamadas “regras papaia” — diretrizes internas da McLaren para evitar conflitos mais sérios. Contudo, à medida que o calendário entra na reta final, a harmonia poderá transformar-se em rivalidade aberta.
Com sete etapas por disputar, Oscar Piastri lidera o campeonato com 324 pontos, apenas 25 à frente do britânico Lando Norris. No último GP do Azerbaijão de F1 Baku, o australiano sofreu um revés ao bater na primeira curva, permitindo que Norris recuperasse parte da diferença. Para o ex-piloto da Indy e atual comentador, James Hinchcliffe, o equilíbrio não deverá durar muito mais tempo:
“Estamos a ver os dois pilotos a compreender que entrámos na fase decisiva da temporada. O primeiro título de pilotos para qualquer um deles está em jogo e a pressão vai inevitavelmente abalar a relação”, disse ao podcast F1 Nation.
Historicamente, duelos entre companheiros de equipa em luta pelo título acabaram por gerar rivalidades intensas. Basta recordar a relação Senna-Prost, também na McLaren ou, mais recentemente, Hamilton-Rosberg, na Mercedes. O ambiente interno pode mudar de forma radical quando a diferença se joga em décimas de segundo e cada ponto pode decidir um campeonato. Polémicas à parte, até à data a McLaren parece ter conseguido gerir bem cada uma das individualidades, favorecendo, ora um ora outro, dependendo da situação. Porém, Hinchcliffe acredita que a amizade entre Piastri e Norris pode não resistir:
“Essa rivalidade pelo título, incomumente amigável até ao momento, vai fragmentar-se à medida que a pressão aumentar”, concluiu.
Andrea Stella, diretor da equipa, tem reiterado que não haverá ordens de equipa enquanto ambos mantiverem hipóteses matemáticas de vencer o campeonato. Mas gerir dois talentos ambiciosos, separados por poucos pontos e com ritmos muito semelhantes, poderá tornar-se o maior desafio da McLaren nesta fase final da temporada.
Com pistas exigentes ainda pela frente, como é o caso de Suzuka, Singapura, Interlagos e Abu Dhabi, o campeonato está completamente em aberto. A competição direta será inevitável, ainda que, nos últimos grandes prémios, Verstappen tenha conseguido duas vitórias algo inesperadas. Caso a diferença se mantenha curta, cada decisão estratégica e cada ultrapassagem entre Piastri e Norris poderá reescrever não apenas o título de 2025, mas também a dinâmica interna da McLaren a curto prazo.