O piloto português António Félix da Costa protagonizou uma das transferências mais controversas da história recente da Fórmula E ao trocar a Porsche pela rival Jaguar.
Em entrevista concedida ao jornal Marca, o campeão mundial revelou que a sua decisão foi motivada pelo descontentamento com o papel secundário que lhe foi imposto, prometendo agora uma luta acesa na nova equipa.
Contratado como Campeão do Mundo, Félix da Costa rapidamente confrontou os planos da Porsche. Segundo o piloto, os seus objetivos foram limitados, incluindo a restrição de poder competir em provas de Resistência e em Le Mans. Mais grave, o português sentiu que o seu papel era o de ser o “segundo piloto” dentro da estrutura alemã, em detrimento do seu colega de equipa.
Perante esta situação, Félix da Costa reagiu com determinação, dando um “golpe em cima da mesa” e assinando com a Jaguar, a antiga campeã de Equipas, com a clara intenção de reclamar o estatuto de número 1.
O Ponto de Rutura Revelado em Documentário
A polémica atingiu o seu ponto máximo no E-Prix de São Paulo, na temporada passada. O incidente, que é explorado na nova série da Amazon Prime (Fórmula E: Driver), mostra o momento de rutura: enquanto Wehrlein liderava, Félix da Costa atacou, e o alemão acabaria mais tarde por sofrer um acidente dramático.
No documentário, o português é contundente ao analisar a situação: “De alguma maneira, procurou-o”, dando a entender que o colega de equipa contribuiu para o cenário de tensão. A partir desse momento, houve confrontação e picardias em pista, que culminaram com o acidente entre os dois na qualificação na China, onde Félix da Costa involuntariamente levou Wehrlein consigo.
Filosofia Open-Minded e Desafios Técnicos na Jaguar
O piloto, que agora veste as cores da Jaguar, descreve a mudança como um salto positivo, destacando a filosofia aberta da nova equipa.
“A filosofia é um pouco diferente, a ética de trabalho também. O bom aqui é que quando cheguei me perguntaram: ‘como faziam as coisas na Porsche?’ ‘Ok, isto o queremos, isto não o queremos’… Uma atitude muito boa, muito open-minded, que mostra que querem aprender também de como se fazem as coisas noutras equipas,” afirmou Félix da Costa.
Apesar da curta margem de diferença entre todos os monolugares (uma ou duas décimas), o português admite que o desafio técnico é grande. As diferenças encontram-se sobretudo no software e powertrain, onde o motor e o software de travagem mudam radicalmente. “Preciso de um pouco de tempo para me acostumar a tudo,” reconheceu.
Metas e Apoio de Mitch Evans
AFC, que formará dupla com Mitch Evans — um piloto com grande continuidade na equipa —, espera que a colaboração seja crucial. “O Mitch [Evans], que está aqui há muito tempo, está a ajudar-me um monte também,” sublinhou.
O português, que se prepara para a estreia no E-Prix de São Paulo, no sábado, estabeleceu metas ambiciosas para o ano: “A ver se conseguimos dar um pequeno salto e meter-nos no top 5 ou 6. Isso seria bom.”
Félix da Costa deixou ainda um conselho a Pepe Martí, que transita da Fórmula 3 para a Fórmula 2: “Aqui não [na Fórmula E], aqui tens muita potência, menos grip, a forma de conduzir o carro é muito diferente e vais ter que ter um pouco de paciência com ele. Será questão de tempo até que chegue ao topo.”








