O mundo do futebol está habituado a despedimentos por maus resultados, polémicas de balneário ou divergências com a direção. No entanto, Robert Moreno conseguiu inscrever o seu nome numa categoria inédita: a demissão por “vício em inteligência artificial”.
O antigo selecionador de Espanha foi afastado do comando do FC Sochi após ficar provado que a sua dependência do ChatGPT ultrapassou a fronteira do auxílio tecnológico para se tornar o único decisor do clube, com consequências desastrosas.
O “Plano de Viagem” que proibiu o sono
O episódio que fez transbordar o copo ocorreu durante uma deslocação logística a Khabarovsk. Moreno, confiando cegamente no algoritmo, apresentou um plano de preparação que parecia saído de um manual de tortura militar e não de um estágio desportivo.
- A Ordem da IA: Os jogadores deveriam permanecer acordados por um período contínuo de 28 horas.
- O Horário: Despertar às 05:00 da manhã para realizar treinos às 07:00.
- A Reação: Quando questionado pelo diretor desportivo, Andrei Orlov, sobre quando é que os atletas iriam descansar, Moreno limitou-se a apontar para os parâmetros que tinha inserido na ferramenta.
“Perguntei: ‘Robert, isso é tudo muito bonito, mas quando é que os rapazes vão dormir?’. Os jogadores não entendiam por que tínhamos de treinar àquela hora. O bom senso foi simplesmente ignorado.”
— Andrei Orlov, ex-diretor desportivo do Sochi.
Contratações: Quando o “Prompt” falha o golo
A obsessão de Moreno não se ficou pela logística. No mercado de transferências, o treinador decidiu que o ChatGPT seria o seu principal “olheiro”. Perante três opções para reforçar o ataque, o espanhol inseriu os dados na IA e obteve o veredito: contratar Artur Shushenachev.
O Resultado Prático:
- Contratado por: Recomendação da IA.
- Jogos realizados: 10 partidas.
- Golos marcados: 0.
Esta não é a primeira vez que Moreno sai pela porta pequena. Em 2019, a sua saída da seleção espanhola foi marcada por duras críticas de Luis Enrique, que o acusou de ser “desleal” e “excessivamente ambicioso”. Na Rússia, essa ambição parece ter-se transformado numa tentativa falhada de revolucionar o futebol através de uma ferramenta que, por enquanto, ainda não sabe o que é sentir o cansaço nas pernas ou a pressão de um estádio cheio.






