As recentes inundações na cidade deixam o paddock do GP de Las Vegas de F1 em alerta e reacendem preocupações sobre visibilidade, aderência e condições noturnas do traçado urbano.
O GP de Las Vegas de F1 pode transformar-se no fim de semana mais imprevisível da temporada. Depois de dias marcados por fortes chuvadas que provocaram inundações nas vias circundantes ao circuito, cresce a possibilidade de algumas sessões — e até a corrida — decorrerem com pista molhada. Uma combinação que quase nenhum piloto deseja enfrentar. Desde que regressou ao calendário em 2023, o GP de Las Vegas tornou-se conhecido pelo brilho das luzes da Strip, mas também pela baixa aderência, pelas temperaturas noturnas e por zonas de visibilidade limitada. Juntar chuva a este cenário é, como descreveu Lando Norris, “um desafio bem insano”.

Um traçado com pouca margem para erro — e pior com água
Os pilotos não demoraram a reagir ao novo risco meteorológico. Lando Norris, líder do Mundial e sempre direto ao analisar condições extremas, explicou porque este circuito é especialmente complicado à chuva: “Será uma pista incrivelmente difícil na chuva. Não há muito espaço para erro e a aderência já é reduzida. As linhas brancas e pinturas são horríveis nestas condições.” A um asfalto naturalmente escorregadio junta-se o facto de a pista não secar rapidamente devido às temperaturas mais baixas da noite. Para um circuito urbano rápido e estreito, o cenário é tudo menos animador para quem está atrás do volante.
Alonso, Sainz e Hamilton concordam: divertimento só para quem vê pela televisão
Fernando Alonso foi taxativo: “Não será divertido. A visibilidade já é difícil sob as luzes. Com chuva será ainda pior.” Carlos Sainz reforçou o ponto: várias zonas do circuito são “notavelmente mais escuras” do que outras corridas noturnas, incluindo Singapura. Uma anomalia que os pilotos não conseguem justificar, mas que pode transformar-se num problema sério com pista molhada. “Não entendemos porque algumas partes são tão escuras. Com chuva isso pode ser particularmente complicado.” Lewis Hamilton juntou-se ao coro de preocupação, sublinhando que Las Vegas é, provavelmente, o traçado “mais escorregadio” que a F1 visitou nas últimas duas épocas: “Se estiver molhado vai ser difícil. Este circuito é o mais escorregadio em termos de aderência.”
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— ࿐ ࿔*:・゚ (@1644vms) November 19, 2025
Inundações nas imediações reacendem debate sobre o calendário da F1
Durante a semana, imagens de vias inundadas perto do traçado levantaram questões sobre:
- drenagem insuficiente na zona da Strip
- impacto das chuvas súbitas no asfalto
- segurança dos pilotos e dos comissários
- eventual necessidade de alterar horários ou cancelar sessões
Embora a F1 não tenha feito alterações ao programa até ao momento, a meteorologia continua instável, mantendo todas as possibilidades em aberto.
Pista molhada + corrida noturna = cocktail explosivo
O GP de Las Vegas já é um dos mais desafiantes do calendário devido a fatores que se agravam na chuva:
• Aderência naturalmente baixa
O asfalto da Strip é polido, pensado para circulação urbana intensa, não para monolugares de F1.
• Pinturas e linhas muito extensas
As guias e sinalizações urbanas tornam-se extremamente escorregadias quando molhadas.
• Iluminação irregular
Zonas inesperadamente escuras podem criar pontos cegos a alta velocidade.
• Temperaturas frias
Pneus demoram muito mais a atingir a janela de funcionamento ideal.
• Escassa margem de erro
Muros próximos, setores rápidos e travagens fortes tornam qualquer deslize mais perigoso.

O GP de Las Vegas de F1 promete ser um dos mais desafiantes — e potencialmente caóticos — da época, caso a chuva se confirme. Entre a visibilidade reduzida, a aderência mínima e a natureza noturna do traçado, o cenário preparado pela meteorologia poderá transformar esta ronda num teste de sobrevivência técnica e mental para todo o pelotão.











