Com regras inéditas sobre pneus e múltiplas estratégias em jogo, o GP do Mónaco de F1 acabou por ser “apenas” mais um!
O GP do Mónaco de F1 de 2025 prometia desde o arranque: pela primeira vez, os pilotos seriam obrigados a utilizar três compostos diferentes de pneus ao longo da corrida, implicando, no mínimo, duas paragens nas boxes. Esta nova regra abriu um leque vasto de possibilidades estratégicas, transformando o clássico monegasco num autêntico jogo de xadrez em alta velocidade. No fim, foi Lando Norris quem leu melhor o tabuleiro e conquistou uma vitória impecável pela McLaren, numa corrida sem brilho e que volta a merecer uma nova análise para o seu futuro. Não, a regra das duas paragens não chegou para trazer qualquer emoção digna desse nome ao Mónaco.
A estratégia foi a palavra de ordem desde o arranque. Enquanto o trio da frente — Norris, Leclerc e Piastri — optava pelos pneus médios para o primeiro stint, Verstappen apostava nos duros para alongar o seu tempo em pista, e Tsunoda, mais atrás, arriscava os macios para eliminar rapidamente uma das três trocas obrigatórias.
🎥 WATCH THE RACE START 🎥#F1 #MonacoGP pic.twitter.com/emUCsibQbz
— Formula 1 (@F1) May 25, 2025
Arranque tenso e primeiras movimentações
Norris manteve a liderança na temida curva Sainte-Dévote, mesmo com os pneus a chiar sob o esforço, e Piastri segurou Verstappen, que atacava agressivamente. Logo na primeira volta, Gabriel Bortoleto tentava uma ultrapassagem ousada sobre Andrea Kimi Antonelli na Loews, mas acabaria por bater na barreira na Portier. Apesar disso, conseguiu regressar às boxes e continuar em prova, abrindo a janela para as primeiras paragens de quem vinha em estratégias alternativas — entre eles Tsunoda e Gasly.
O GP do Mónaco de F1 prosseguia sem alterações no top-10: Norris, Leclerc, Piastri, Verstappen, Hadjar, Alonso, Hamilton, Ocon, Lawson e Albon. Mas um novo incidente na volta 9 trouxe alguma (pouca) emoção: Gasly perdeu os travões no túnel, atingiu a traseira de Tsunoda e quase envolveu Colapinto, obrigando à sua retirada.
⏪ Rewind to the opening lap… and Bortoleto's battle with Antonelli where the Brazilian ended up in the barriers #F1 #MonacoGP pic.twitter.com/GuXRTMpgK1
— Formula 1 (@F1) May 25, 2025
Gasly 💥 Tsunoda #F1 #MonacoGP pic.twitter.com/FMaJzg9sFd
— Formula 1 (@F1) May 25, 2025
Estratégias divergentes animam a corrida
Com a obrigatoriedade das três compostos, a corrida desenrolava-se como um puzzle complexo. Hadjar trocou médios por macios — uma jogada arriscada —, enquanto outras equipas tentavam minimizar as perdas no meio do tráfego. Na volta 20, Norris entrou finalmente nas boxes, calçando os pneus duros e regressando em quarto. Seguiu-se Piastri e, depois, Leclerc, que beneficiou de um pit stop perfeito da Ferrari, regressando à frente dos carros da McLaren.
Verstappen, entretanto, assumia a liderança graças à sua estratégia inicial com pneus duros, mas com Norris a apenas 10 segundos e Leclerc a fechar o trio da frente. Os únicos pilotos ainda sem paragem eram Russell, Antonelli, Sainz, Lawson e Albon — todos a tentar maximizar o rendimento dos compostos iniciais.
LAP 18/78
— Formula 1 (@F1) May 25, 2025
Russell has a little look up the inside but Sainz shuts the door #F1 #MonacoGP pic.twitter.com/hcT9n8KriH
Segunda metade com muitas paragens e poucas reviravoltas
À medida que se entrava na segunda metade do O GP do Mónaco de F1, mais paragens e trocas de posições agitavam o pelotão. Ocon regressava ao top-10 com uma segunda paragem eficaz, enquanto pilotos como Lawson e Albon conseguiam manter-se na luta pelos pontos com decisões táticas certeiras. Bortoleto, apesar do acidente inicial, fazia uma recuperação notável e até chegou a sonhar com os pontos, mas a Sauber optou por uma terceira paragem, comprometendo as hipóteses do brasileiro. Mais tarde, seria Alonso, então em posição de pontuar pela primeira vez na temporada, a sofrer um duro golpe: quebra mecânica e abandono à volta 37.
LAP 39/78
— Formula 1 (@F1) May 25, 2025
Gutting for Alonso 😖
He's had to retire his Aston Martin with a first points finish of the season in sight#F1 #MonacoGP pic.twitter.com/a6GRo5HTqG
Norris segura vantagem e vence com autoridade
Com todas as peças movimentadas no xadrez monegasco, Lando Norris emergiu como o grande vencedor. A sua consistência, aliada à boa leitura estratégica da McLaren, permitiu-lhe gerir os pneus com mestria e manter-se sempre no topo da classificação. Numa corrida sem chama e demasiado técnica e tática, que se percebe numa pista em que as ultrapassagens são extremamente dificéis de concretizar, deixaram-nos na dúvida as decisões da Mercedes, nomeadamente o porquê de paragens tão tardias, a não ser que se tratasse de alguma posição de protesto relativamente às novas alterações, mas que, no fim, também não lhes trouxeram nada de positivo.
Também Verstappen, e Red Bull, pediam aos Deuses da Fórmula 1 por um incidente que causasse uma bandeira vermelha ou até a entrada de um Safety Car, para com isso, conseguir agarrar o primeiro lugar, sem que tal tivesse acontecido, o que o obrigou à segunda paragem para troca de pneus.
The points scorers 👏#F1 #MonacoGP pic.twitter.com/wEMiY0YETX
— Formula 1 (@F1) May 25, 2025
Verstappen, que apostara tudo na durabilidade dos compostos duros, viu-se limitado pelo tráfego após a sua única paragem e não conseguiu ameaçar o domínio do britânico. Leclerc, a correr em casa, completou o pódio após uma atuação sólida, mas sem armas para atacar. Lando Norris dominou uma corrida tática, num grande prémio demasiado tático e imprevisível nas ruas de Monte Carlo, superando Verstappen e Leclerc numa das edições mais intrigantes da história recente do GP do Mónaco de F1 e, seguramente, uma das menos entusiasmantes, como já vem sendo apanágio desta prova, que apesar do seu carisma, da sua importância histórica na Fórmula 1, tende a dar-nos corridas sem sal, mesmo com a introdução de novas regras.











