Seleção de Gattuso desmorona na segunda parte, sofre reviravolta pesada em casa e cai para o playoff, enquanto Noruega regressa a um Campeonato do Mundo pela primeira vez desde 1998.
Itália entra melhor e alimenta a esperança
Jogava-se muito mais do que três pontos em San Siro. A Itália precisava de vencer por uma grande diferença para manter vivas as esperanças de apuramento direto para o Mundial 2026 e até começou a noite ao seu jeito, a pressionar alto e a controlar o jogo diante da Noruega.
O golo inaugural surgiu ainda dentro do primeiro quarto de hora. Federico Dimarco trabalhou bem no corredor esquerdo, ganhou espaço e cruzou rasteiro para a área, onde apareceu Francesco Esposito, colega no Inter, a finalizar de primeira para o 1-0.
A equipa de Gennaro Gattuso parecia confortável, com bola, com circulação paciente e com a Noruega remetida ao seu meio campo, sem conseguir explorar a profundidade. Ao intervalo, o cenário parecia controlado para os italianos, mesmo sabendo que a diferença de golos ainda era curta face às exigências do grupo.
Segunda parte muda tudo: Nusa abre, Haaland destrói
O regresso dos balneários trouxe uma Itália mais presa, menos agressiva e incapaz de encontrar outra vez o caminho da baliza. A Noruega, por seu lado, subiu linhas, acreditou mais e começou a encontrar espaços entre setores.
À passagem da hora de jogo, surgiu o empate. Antonio Nusa arrancou pela esquerda, deixou vários adversários para trás e, já à entrada da área, rematou de pé esquerdo, sem hipóteses para Gigi Donnarumma. O 1-1 gelou San Siro e deu novo fôlego à equipa de Stale Solbakken.
Pouco depois, o inevitável Erling Haaland tomou conta do jogo e, em apenas dois minutos, virou o marcador e a eliminatória. Primeiro, aproveitou uma assistência de Oscar Bobb para, à meia volta, rematar colocado para o 1-2. Logo de seguida, apareceu em zona de finalização na pequena área e desviou para o 1-3, silenciando em definitivo o estádio milanês.
Já em tempo de compensação, Strand Larsen confirmou a goleada, fazendo o 1-4 e colocando um último prego no caixão italiano, numa transição rápida bem concluída dentro da área.
Noruega volta ao Mundial após 27 anos, Itália obrigada a sofrer no playoff
Com este triunfo, a Noruega assegura o apuramento direto para o Mundial 2026 e regressa à maior competição de seleções pela primeira vez desde França 1998. A geração liderada por Haaland confirma em campo o potencial que lhe era apontado e coloca o país de novo no mapa das grandes provas internacionais.
Do lado italiano, o desfecho é pesado em vários níveis. San Siro assistiu à primeira derrota da era Gennaro Gattuso, num jogo em que a seleção transalpina precisava não só de vencer, como de o fazer de forma convincente. A segunda parte, porém, expôs fragilidades defensivas e falta de capacidade para reagir ao momento negativo.
A Itália termina a fase de qualificação no segundo lugar do grupo e fica remetida ao playoff, onde terá de disputar a presença no Mundial 2026 em duelos a eliminar, com margem de erro praticamente nula.
Para uma seleção com a história e o estatuto da Squadra Azzurra, a noite em San Siro deixa um aviso claro: o caminho até ao próximo Campeonato do Mundo será tudo menos tranquilo.






