Atleta dinamarquês triunfou, na 17ª etapa do Giro, e completou uma das mais fantásticas histórias de superação no ciclismo profissional.
O início humilde
Nascido na Dinamarca, um país com pouca montanha, e com poucos ciclistas de referência, Michael Valgren cresceu em Østerild, na costa oeste do territória dinamarquês. Foi por influência do pai que pegou na bicicleta, uma vez que este já tinha sido ciclista amador.
Apesar de algumas dificuldades no início da sua carreira, começou a destacar-se como junior. Tornou-se profissional em 2011, com 19 anos, com a equipa Glud & Marstrand–LRØ, com quem ganhou duas edições da Liège-Bastogne-Liège sub-23.
Vale a pena destacar que, antes de se destacar como ciclista no pelotão profissional, Michael Valgren trabalhou na mesma fábrica de peixe que Jonas Vingegaard, seu compatriota da Visma | LAB, na Dinamarca.
A glória dos primeiros anos
Três anos depois de se tornar profissional, chega ao WorldTour pela mão da Tinkoff–Saxo, uma das maiores equipas do mundo, onde, na altura, corriam nomes como Alberto Contador, ou o português Sérgio Paulinho, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004.
Ganhou os campeonatos nacionais logo nesse ano, e destacou-se como um rolador versátil muito útil para a equipa.
Quatro anos depois, quando corria pela Astana, teve a sua primeira grande época a nível individual, com vitórias nas míticas Omloop Het Nieuwsblad e Amstel Gold Race. Em 2021 volta a brilhar, com vitórias consecutivas nas clássicas de outono e o terceiro lugar nos campeonatos do mundo.
O acidente que quase lhe custou a vida
Em 2022, quando corria na estrutura da EF Education, o Michael Valgren sofreu uma gravíssima queda na Route d’Occitanie, uma corrida francesa em junho.
Quando o pelotão atravessava os Pirinéus, Valgren caiu de uma ravina de 10 metros, num acidente que quase lhe custou a vida. Sobreviveu, mas os danos foram extensos: anca deslocada, pelvis fraturada, e problemas nos ligamentos do joelho, com rutura do ACL, do MCL e do menisco.
O ciclista chegou a ter dúvidas sobre se voltaria a correr ao mais alto nível. Esteve oito meses de fora, mas, depois de um período de reabilitação extenso, aceitou descer para a equipa de desenvolvimento da EF Education, onde pode fazer o regresso à competição de forma mais controlada. Esse retorno aconteceu em 2023. Apesar desta decisão, a resiliencia e determinação de Valgren fizeram com que acabasse por correr quase exclusivamente pela equipa principal.
O regresso glorioso de Valgren
Depois do episódio que quase lhe tirou a vida, o dinamarquês voltou com toda a força ao pelotão do WorldTour, para se tornar num quasi-ciclista de culto.
Depois de boas prestações no Tour e no Giro em 2024 e 2025, o ciclista dinamarquês voltou ás vitórias no Tirreno-Adriatico, e completou uma belíssima história de superação com a vitória no Giro D’Italia, apenas o segundo triunfo desde a série que teve nas clássicas de outono, em Itália, em 2021, antes do acidente que lhe mudou a vida.
A bonita história da celebração no Giro
Quando chegou à meta da 17ª etapa do Giro D’Italia, isolado, depois de um ataque na fuga nos instantes finais da tirada, Michael Valgren mostrou um objeto verde que trazia consigo, e que aguçou a curiosidade dos adeptos da modalidade.
No final da etapa, o dinamarquês revelou que se tratava de uma bola Pokemon verde, oferecida pelo filho. O ciclista explicou que os seus rebentos já têm, agora, idade suficiente para perceber o desporto e que, de vez em quando, perguntam ao pai “porque já não ganha?”. O filho, que adora os desenhos animados, fez um amuleto da sorte para o pai, que, quiçá, acabou por funcionar. O ciclista acabou por dedicar a vitória ao seu filho.









