Bem-vindo ao Histórias do Mundial, a rúbrica do Fora de Jogo que conta um episódio marcante dos Campeonatos do Mundo por dia.
Cristiano Ronaldo expulsa Rooney em 2006
O ano era 2006, com o Mundial a disputar-se na Alemanha, e a Seleção portuguesa atravessava um dos melhores momentos da sua histórias, depois de ter chegado à final do Europeu, em 2004, em casa.
Na Alemanha, os lusos apresentavam-se dispostos a dar seguimento ao êxito alcançado no último Euro. Depois de uma fase de grupos dominante, com três vitórias em três jogos, as quinas bateram os Países Baixos nos oitavos-de-final, por 1-0, num jogo que contou com quatro cartões vermelhos.
Nos quartos-de-final, contra a Inglaterra, jogava-se a reedição das meias-finais do Euro 2004, épico jogo no qual Ricardo tirou as luvas durante a discussão das grandes penalidades, para travar o derradeiro penálti dos ingleses, e de seguida, marcar o último dos lusos.
A polémica entre Ronaldo e Rooney no Mundial
Durante esse encontro dos quartos-de-final, chegou um dos momentos de maior polémica nesse Mundial, quando, aos 62 minutos, Wayne Rooney se envolveu numa disputa física com Ricardo Carvalho, e acabou por pisar o defesa português.
Cristiano Ronaldo, colega de Rooney no Manchester United, apressou-se a correr para o árbitro, e foi visível que o jogador português pediu o cartão vermelho, e consequente expulsão, para o avançado inglês.
Claramente frustrado, Rooney ainda empurrou o português, antes do árbitro argentino, Horácio Elizondo, lhe mostrar o cartão vermelho. Pouco depois, as camaras televisivas captaram Ronaldo a piscar o olho na direção do banco de suplentes português, o que adensou, ainda mais, as críticas ao português.
Portugal, relembre-se, acabou por vencer a Inglaterra, de novo depois da discussão nas grandes penalidades. Ricardo voltou a ser herói, ao parar três penáltis, e CR7 apontou a grande penalidade decisiva.
Retaliação, consequências e reconciliação
O regresso de Cristiano Ronaldo a Inglaterra não foi fácil, uma vez que era visto como grande culpado da expulsão da coqueluche britânica, no que terminou com a eliminação da seleção inglesa. Na imprensa, chegou-se a especular que o português poderia deixar o país para seguir a carreira noutro campeonato.
No entanto, a situação foi gerida de forma exemplar pelo Manchester United. Rooney revelou ter falado com o extremo luso logo após o jogo, no túnel, revelando não estar chateado e perceber a atitude de Ronaldo.
No clube inglês, Sir Alex Ferguson e Rio Ferdinand serviram como mediadores de uma situação que acabou por ficar mitigada rapidamente. Rooney e Ronaldo iriam formar uma das duplas mais temíveis do futebol internacional na década que se seguiu.
Vale, no entanto, referir que, quando o incidente aconteceu, Ronaldo seguia com grande vantagem no prémio de melhor jogador do Mundial, que era parcialmente decidido pelos votos dos fãs. Os adeptos ingleses decidiram boicotar o português e votar em massa noutro jogador, o que custou a liderança desse ranking a CR7.
Este prémio tinha duas fases: na primeira, os adeptos elegiam três jogadores, e um painel de especialistas escolheria outros três. Depois, haveria uma decisão final sobre esse lote de seis jogadores, feita já só por especialistas da FIFA, que iria decidir o melhor jogador jovem do torneio.
Apesar de perder o primeiro lugar na votação dos adeptos, Ronaldo foi equacionado, uma vez que terminou essa votação em segundo. No entanto, os especialistas da FIFA revelaram que a atitude do português pesou de forma negativa na decisão, e o prémio caiu para o alemão Podolski.



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