Bem-vindo ao ‘Histórias do Mundial‘, a rúbrica do Fora de Jogo que conta um episódio marcante dos campeonatos do mundo por dia!
O apuramento contra Portugal
O caminho para o Mundial da Itália em 1994 começou de forma atribulada, ainda na qualificação para essa fase final, que se disputava nos Estados Unidos da América.
A Itália só conseguiu o apuramento na última jornada da qualificação, curiosamente, contra Portugal. Num autêntico encontro de mata-mata, foram os italianos a levar a melhor, com vitória por 1-0, e a carimbar o passaporte para o campeonato do mundo.
O grupo da morte no Mundial
No Mundial, o grupo dos italianos não era, teoricamente, o mais difícil, mas assistiu-se a um equilíbrio sem precedentes, que terminou com todas as equipas empatadas com quatro pontos.
O primeiro jogo foi um autêntico choque, com a Irlanda a vencer a Itália por 1-0, num jogo onde Baggio foi muito vigiado. No segundo encontro, contra a Noruega, a Itália venceu por 1-0, depois de ver o seu guarda-redes expulso aos 21 minutos. Para espanto de todos, o selecionador tirou Baggio de campo: “este gajo enlouqueceu”, foram as palavras murmuradas pela estrela quando deixava o campo.
O último jogo terminou com empate, a uma bola, frente ao México. A Itália terminou em terceiro lugar, e classificou-se para a fase a eliminar como um dos melhores terceiros classificados da fase de grupos.
Começa o espetáculo de Roberto Baggio
Depois do sofrimento, o espetáculo. A Itália seguiu para os oitavos-de-final, onde encontrou a Nigéria. O jogo parecia muito complicado, depois dos nigerianos chegarem à vantagem aos 75 minutos, e de Zola ser expulso com muita controvérsia à mistura.
Mas aí, apareceu Baggio: a estrela italiana marcou aos 88′, para empatar. No prolongamento, aos 102′, converteu um penálti com muita frieza e atirou os transalpinos rumo aos quartos-de-final da prova.
Os quartos-de-final voltaram a ser polémicos: contra a Espanha, os italianos começaram a ganhar, mas cederam o empate aos 58 minutos. Um momento na área da squadra azzurra marcou o jogo, quando o árbitro não viu uma cotovelada em Luís Enrique (o jogador italiano serie suspenso por oito partidas mais tarde devido a esse momento). Quem passou ao lado da polémica foi Roberto Baggio: o salvador italiano voltou a aparecer aos 88′, para finalizar um contra-ataque que meteu a Itália nas meias-finais.
Nas meias-finais, o recital continuou. Contra uma forte Bulgária, Roberto Baggio resolveu a partida em apenas cinco minutos, na primeira parte, com golos aos 21′ e aos 25′. O drama estava para chegar: Stoichov reduziu aos 44′, mas todos os alarmes soaram quando, na segunda parte, Baggio se lesionou na coxa. Deixou o campo a coxear e ficou em dúvida para a final.
Do céu ao inferno num penálti
A final do Mundial de 1994 jogou-se entre Itália e Brasil. A estrela da squadra azzurra jogou em muitas dificuldades físicas, infiltrado para não sentir dores na coxa.
O jogo foi altamente tático, muito preso, com nenhuma das equipas a querer comprometer defensivamente. O extremo calor que se fez sentir causou ainda mais condicionantes aos jogadores.
A partida terminou com empate a zero durante os 90 minutos, e o mesmo aconteceu durante o prolongamento. A decisão seguiu para os penáltis: com 3-2 no marcador, Baggio assumiu a última grande penalidade, a precisar de marcar para não perder o título. A estrela italiana foi traída pelo destino: depois de um tremendo Mundial, falhou o penálti decisivo, com a bola a bater na barra e a ir por cima da baliza.
O Brasil sagrava-se, novamente, campeão do mundo, e a Itália teria de esperar até 2006 para voltar a conquistar o ceptro. O Mundial de 1994 vai ficar para sempre na memória, no entanto, devido à dramática história que viveu Roberto Baggio, que assinou um dos melhores campeonatos do mundo, a nível individual, de sempre.
O jogador nunca escondeu o impacto psicológico que esse momento teve na sua pessoa, revelando, mais tarde, que sentiu “uma vergonha imensa” e que “queria morrer” logo após o erro, e que teve pesadelos com esse momento durante anos.










