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Quando Portugal conquistou o respeito do mundo
Em 1966, Portugal participou pela primeira vez num Campeonato do Mundo. Depois de décadas sem conseguir marcar presença na maior competição do futebol mundial, a equipa orientada por Otto Glória chegava a Inglaterra sem o estatuto das grandes potências. Brasil, Inglaterra, Itália e União Soviética concentravam praticamente todo o favoritismo, enquanto a Seleção portuguesa surgia como uma incógnita.
A confiança dos portugueses assentava sobretudo num homem. Aos 24 anos, Eusébio era já uma referência do Benfica e um dos melhores jogadores da Europa, mas ainda faltava conquistar reconhecimento à escala mundial. O Campeonato do Mundo de Inglaterra representava a oportunidade perfeita para mostrar que Portugal podia competir com qualquer adversário e que o “Pantera Negra” pertencia à elite do futebol.
Uma estreia inesquecível
Portugal entrou na competição com personalidade. Na estreia derrotou a Hungria por 3-1, seguindo-se um triunfo convincente sobre a Bulgária. Os dois resultados garantiram praticamente o apuramento para a fase seguinte, mas faltava enfrentar o maior desafio da fase de grupos: o Brasil, bicampeão mundial e liderado pelo lendário Pelé.
A Seleção respondeu com uma das melhores exibições da sua história. Portugal venceu por 3-1, com Eusébio em grande destaque, eliminando os campeões em título ainda na fase de grupos. A equipa terminou essa primeira etapa apenas com vitórias, assumindo-se como uma das grandes revelações do torneio e começando a conquistar a admiração da imprensa internacional.
O momento que eternizou Eusébio
Nos quartos de final, Portugal encontrou a surpreendente Coreia do Norte e viveu o momento mais dramático de toda a campanha. Em apenas 25 minutos, os asiáticos construíram uma inesperada vantagem de 3-0, deixando a Seleção Nacional à beira da eliminação e em choque perante um adversário que já tinha surpreendido Itália na fase de grupos.
Foi então que Eusébio protagonizou uma das maiores exibições individuais da história dos Campeonatos do Mundo. O “Pantera Negra” reduziu a desvantagem aos 27 minutos e voltou a marcar, de grande penalidade, ainda antes do intervalo, devolvendo a esperança aos portugueses. Na segunda parte, assinou mais dois golos e completou um póquer inesquecível, antes de José Augusto fechar o resultado em 5-3. A recuperação tornou-se uma das maiores reviravoltas da história dos Mundiais e transformou definitivamente Eusébio numa lenda do futebol mundial.
As lágrimas que ficaram para sempre
Nas meias-finais, Portugal encontrou a anfitriã Inglaterra, liderada por Bobby Charlton, naquele que era o jogo mais importante da história da Seleção até então. A equipa portuguesa voltou a mostrar a qualidade que tinha evidenciado ao longo do torneio, mas acabou derrotada por 2-1. Charlton marcou os dois golos ingleses e Eusébio ainda reduziu, de grande penalidade, sem conseguir evitar a eliminação.
No final do encontro nasceu uma das imagens mais marcantes da história do futebol português. Eusébio abandonou o relvado em lágrimas, sendo confortado por um polícia britânico enquanto seguia para os balneários. A fotografia correu o mundo e eternizou a desilusão de uma Seleção que ficou a um passo da final, mas que conquistou definitivamente o respeito do futebol internacional.
O legado da melhor campanha portuguesa
Portugal terminou a competição no terceiro lugar, depois de vencer a União Soviética, alcançando o melhor resultado da sua história em Campeonatos do Mundo. Eusébio fechou o torneio com nove golos, conquistando a Bota de Ouro e confirmando-se como a grande figura daquela edição, além de um dos melhores jogadores do planeta.
Quase seis décadas depois, o Mundial de 1966 continua a ser visto como a campanha que mudou o futebol português. Foi nesse verão que a Seleção conquistou o respeito internacional e que Eusébio deixou de ser apenas um ídolo do Benfica para se tornar uma lenda eterna dos Campeonatos do Mundo.











