Bem-vindo ao Histórias do Mundial, a rúbrica do Fora de Jogo que conta um episódio marcante dos campeonatos do mundo por dia.
O melhor jogador do mundo chegava ferido
Em 2014, Cristiano Ronaldo chegou ao Mundial do Brasil no topo do futebol mundial. Tinha acabado de vencer a Bola de Ouro, conquistado a Liga dos Campeões pelo Real Madrid e batido vários recordes. Mas aquele que era provavelmente o melhor momento da sua carreira acabaria por transformar-se numa das maiores desilusões da Seleção portuguesa.
Apesar do brilhante ano ao serviço do Real Madrid, Cristiano Ronaldo chegou ao Brasil longe da condição física ideal. Uma tendinose no joelho direito condicionou a preparação para a prova e obrigou o capitão português a gerir esforços numa altura em que Portugal precisava dele ao mais alto nível.
Ainda assim, as expectativas eram enormes. Meses antes, tinha sido Ronaldo a conduzir Portugal ao Mundial com uma exibição memorável frente à Suécia. Para muitos adeptos, a esperança de uma campanha histórica passava quase exclusivamente pelos pés do camisola sete.
O início de um pesadelo
A estreia frente à Alemanha revelou rapidamente os problemas da equipa portuguesa. A derrota por 4-0 deixou marcas profundas e expôs uma seleção sem soluções para acompanhar uma das melhores gerações alemãs. Cristiano Ronaldo pouco conseguiu fazer perante uma equipa claramente superior.
No segundo jogo, frente aos Estados Unidos, Portugal voltou a desiludir durante largos períodos. Só uma assistência de Ronaldo para o golo de Varela, já nos descontos, evitou uma derrota que teria significado a eliminação imediata da equipa das quinas.
A imagem que correu o mundo
À entrada para a última jornada, Portugal dependia de vários resultados para seguir em frente. O adversário era o Gana e os portugueses precisavam de uma vitória robusta para alimentar a esperança de chegar aos oitavos de final.
Cristiano Ronaldo foi protagonista durante toda a partida. Acertou na barra, criou ocasiões, desperdiçou oportunidades pouco habituais e marcou o segundo golo português. No entanto, o triunfo por 2-1 acabou por ser insuficiente para evitar a eliminação na fase de grupos.
O mais curioso é que, mesmo nesse encontro, a imprensa internacional destacou a mesma ideia: Portugal dependia demasiado de Ronaldo. Jornais brasileiros, argentinos, italianos e espanhóis sublinharam que o melhor jogador do mundo parecia estar a lutar praticamente sozinho contra as limitações da equipa.
Um recorde no meio da desilusão
O golo apontado ao Gana permitiu a Cristiano Ronaldo atingir a marca dos 50 golos pela Seleção Nacional. Além disso, tornou-se no primeiro português a marcar em três Mundiais consecutivos e reforçou o seu lugar entre os maiores nomes da história do futebol português.
Contudo, os números pouco aliviaram a desilusão. Enquanto o Real Madrid celebrava uma das melhores épocas da sua história, Portugal regressava a casa mais cedo do que o esperado, depois de uma campanha marcada por exibições abaixo das expectativas.
O sonho que continuava distante
Cristiano Ronaldo acabaria por conquistar praticamente tudo ao longo da carreira. Mais Bolas de Ouro, mais Ligas dos Campeões, mais títulos e mais recordes. Mas em 2014 ficou a sensação de que nem o melhor jogador do planeta conseguia carregar sozinho o sonho de um país.
Por isso, quando se recorda o Mundial do Brasil, há uma expressão que continua a surgir entre adeptos e analistas. Uma frase simples, mas que resume na perfeição aquela campanha portuguesa: Cristiano Ronaldo contra o mundo.










