Bem-vindo ao Histórias do Mundial, a rúbrica do Fora de Jogo que conta um episódio marcante dos campeonatos do mundo por dia.
Uma geração pronta para conquistar o mundo
No final da década de 90, Portugal tinha uma das seleções mais talentosas da sua história. Luís Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto, Fernando Couto e Vítor Baía lideravam uma equipa que fazia sonhar os adeptos com o regresso a um Mundial, algo que não acontecia desde 1986.
A chamada Geração de Ouro parecia finalmente preparada para dar o salto. Depois dos títulos mundiais de sub-20 e da boa campanha no Euro 1996, o Mundial de 1998 surgia como o palco ideal para confirmar Portugal entre as grandes potências do futebol mundial.
Um caminho cheio de armadilhas
O sorteio colocou Portugal num grupo exigente, ao lado da Alemanha e da Ucrânia. A margem de erro era reduzida e alguns deslizes acabaram por complicar as contas. Um empate sem golos na Arménia e uma derrota na Ucrânia deixaram a equipa de Artur Jorge sob enorme pressão.
Ainda assim, Portugal chegou vivo às últimas jornadas. O duelo frente à Alemanha, em Berlim, transformou-se numa verdadeira final antecipada. Uma vitória deixaria a Seleção muito perto de França e aumentaria ainda mais a confiança de uma geração que acreditava estar destinada a algo grande.
A noite que ninguém esquece
A 6 de setembro de 1997, o Estádio Olímpico de Berlim recebeu um dos jogos mais marcantes da história recente da Seleção Nacional. Portugal realizou uma exibição segura e ganhou esperança quando Pedro Barbosa colocou a equipa em vantagem já na segunda parte.
Os portugueses começaram a acreditar que o Mundial estava cada vez mais próximo. A Alemanha sentia dificuldades e o relógio corria a favor da equipa das quinas. Foi então que surgiu um dos momentos mais polémicos de sempre no futebol português.
O vermelho que mudou tudo
Rui Costa preparava-se para deixar o relvado para a entrada de Sérgio Conceição quando aconteceu o impensável. O árbitro francês Marc Batta considerou que o médio português estava a demorar demasiado tempo na substituição e mostrou-lhe o segundo cartão amarelo, expulsando-o perante o espanto de toda a equipa.
Portugal ficou reduzido a dez jogadores poucos minutos depois de Pedro Barbosa ter colocado a Seleção em vantagem. A Alemanha aproveitou a superioridade numérica e chegou ao empate por intermédio de Ulf Kirsten. O 1-1 final acabaria por se revelar fatal nas contas do apuramento.
Uma ferida que virou ponto de partida
Na última jornada, Portugal venceu a Irlanda do Norte, mas já não dependia apenas de si. A Ucrânia segurou o segundo lugar e a equipa das quinas falhou o acesso ao Mundial de França, numa das maiores desilusões da história da Seleção.
O episódio ficou gravado para sempre na memória dos adeptos. Rui Costa, expulso pela única vez na carreira sénior, nunca escondeu a mágoa e chegou mesmo a afirmar anos mais tarde: “Desculpo-o quando ele pedir desculpa ao meu País.” Ironicamente, depois dessa noite em Berlim, Portugal nunca mais voltou a falhar uma fase final de um Mundial ou de um Europeu.











