Bem-vindo ao ‘Histórias do Mundial‘, a rúbrica do Fora de Jogo que conta um episódio marcante dos campeonatos do mundo por dia!
O Mundial que ninguém esperava
O Mundial de 2002 entrou para a história por várias razões. Foi o primeiro realizado em dois países, Coreia do Sul e Japão, contou com algumas das maiores estrelas da época e terminou com o pentacampeonato do Brasil. No entanto, mais de duas décadas depois, continua a ser recordado por outro motivo: a caminhada da seleção sul-coreana até às meias-finais.
Os anfitriões não eram uma seleção qualquer. Sob o comando de Guus Hiddink, apresentavam uma equipa organizada, disciplinada e com jogadores que começavam a destacar-se no futebol europeu, como Park Ji-sung, Lee Young-pyo ou Ahn Jung-hwan. Ainda assim, poucos imaginavam que a Coreia do Sul pudesse chegar tão longe.
Nos oitavos-de-final, os sul-coreanos encontraram a Itália, uma das seleções favoritas ao título. Os italianos estiveram em vantagem durante grande parte do encontro, mas um golo tardio levou o jogo para prolongamento.
Foi aí que começou a polémica. Francesco Totti foi expulso por alegada simulação dentro da área, numa decisão que gerou fortes críticas. Pouco depois, Tommasi colocou a bola na baliza italiana, mas o lance foi invalidado por fora de jogo. Já perto do final do prolongamento, Ahn Jung-hwan marcou o golo que eliminou os italianos e lançou a Coreia do Sul para os quartos-de-final.
As reações foram imediatas. Em Itália, dirigentes, jogadores e imprensa questionaram duramente a arbitragem. O árbitro equatoriano Byron Moreno tornou-se uma das figuras mais faladas de todo o torneio.
Nos quartos-de-final, a história repetiu-se. Frente à Espanha, os sul-coreanos voltaram a sobreviver durante os 120 minutos e acabaram por seguir em frente nas grandes penalidades.
Contudo, os espanhóis saíram do encontro com enormes queixas. Durante a partida foram anulados dois lances que poderiam ter resultado em golos para a seleção espanhola. Um deles, envolvendo Fernando Morientes, tornou-se um dos momentos mais discutidos daquele Mundial.
Até hoje, muitos adeptos apontam estes encontros como exemplos de erros graves de arbitragem. Importa, porém, recordar que nunca foi provado qualquer esquema de favorecimento ou manipulação dos jogos. O que permanece são as imagens, as polémicas e um debate que continua aberto mais de 20 anos depois.
A partir desse momento, a seleção anfitriã passou de surpresa agradável a alvo de críticas em várias partes do mundo. Muitos adeptos sentiram que Itália e Espanha tinham sido prejudicadas e que a caminhada sul-coreana estava inevitavelmente associada às decisões dos árbitros.
A aventura terminaria nas meias-finais, com uma derrota frente à Alemanha de Oliver Kahn e Michael Ballack. Para muitos, esse resultado colocou um ponto final numa das histórias mais controversas da história dos Campeonatos do Mundo.
E Portugal?
Portugal chegou ao Mundial de 2002 com a famosa geração de ouro. Luís Figo, Rui Costa, Fernando Couto, Vítor Baía e João Vieira Pinto alimentavam a esperança de uma campanha histórica numa fase em que a Seleção surgia entre as mais respeitadas da Europa.
Mas tudo correu mal. A derrota por 3-2 diante dos Estados Unidos colocou a equipa sob pressão, apesar da resposta dada frente à Polónia, goleada por 4-0 com três golos de Pauleta. No derradeiro encontro da fase de grupos, bastava um empate frente à Coreia do Sul para garantir o apuramento.
O jogo ficou marcado pela expulsão de João Vieira Pinto ainda na primeira parte e, mais tarde, pela expulsão de Beto. Reduzida a nove jogadores, Portugal acabou derrotado por 1-0, graças a um golo de Park Ji-sung, e foi eliminado de forma precoce.
Para agravar o cenário, João Vieira Pinto acabaria suspenso após os incidentes com o árbitro Ángel Sánchez. A participação portuguesa terminou envolta em polémica e desilusão, numa das maiores quedas da história da Seleção em Campeonatos do Mundo.
O campeão que ninguém conseguiu travar
Enquanto a Coreia do Sul surpreendia e Portugal desiludia, o Brasil seguia o seu caminho rumo à história. Com Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho a liderarem o ataque, os brasileiros venceram os sete jogos que disputaram.
Na final, frente à Alemanha, Ronaldo marcou os dois golos da vitória por 2-0 e completou a redenção após o trauma vivido quatro anos antes, em França.
O Brasil conquistava assim o seu quinto título mundial e tornava-se, isoladamente, a seleção mais titulada da história. Mas, curiosamente, quando se fala do Mundial de 2002, muitos recordam primeiro a Coreia do Sul e as polémicas que continuam a alimentar discussões até aos dias de hoje.










