Bem-vindo ao Histórias do Mundial, a rúbrica do Fora de Jogo que conta um episódio marcante dos campeonatos do mundo por dia.
O homem que carregava um país inteiro
O Mundial de 1986 ficou marcado por muitas histórias, mas nenhuma se aproxima da que Diego Maradona escreveu no México. Aos 25 anos, o capitão da Argentina protagonizou uma das maiores exibições individuais da história do futebol e conduziu a Albiceleste até ao bicampeonato mundial.
A Argentina não chegou ao México como principal favorita. Brasil, França e Alemanha Ocidental reuniam mais consenso entre os especialistas. No entanto, os argentinos tinham uma arma que mais ninguém possuía: Diego Maradona. Desde o primeiro jogo, o camisola 10 assumiu o comando da equipa e tornou-se o centro de todas as atenções.
Dribles, assistências, golos e uma capacidade quase sobrenatural para decidir encontros começaram a transformar o torneio numa demonstração de talento. Mas o momento que o tornaria imortal ainda estava por chegar. E aconteceria num dos jogos mais carregados de emoção da história dos Mundiais.
Muito mais do que um jogo de futebol
Nos quartos de final, a Argentina encontrou a Inglaterra. Quatro anos depois da Guerra das Malvinas, o encontro tinha um significado especial para os argentinos. O ambiente no Estádio Azteca era intenso e a pressão ultrapassava largamente aquilo que acontecia dentro das quatro linhas.
Aos 51 minutos surgiu o lance mais polémico da história dos Campeonatos do Mundo. Maradona saltou com Peter Shilton e desviou a bola para a baliza com a mão. O árbitro validou o golo e o argentino eternizou a jogada ao afirmar mais tarde que tinha marcado “um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus”.
Quatro minutos depois nasceu o golo do século
Se o primeiro golo gerou polémica, o segundo gerou admiração. Apenas alguns minutos depois, Maradona recebeu a bola ainda no meio-campo, arrancou em direção à baliza inglesa, ultrapassou sucessivamente vários adversários, passou pelo guarda-redes e marcou aquele que continua a ser considerado por muitos o melhor golo da história dos Mundiais.
A narração de Víctor Hugo Morales tornou-se tão famosa quanto o próprio lance. “Génio! Génio! Génio!”, gritava o jornalista argentino enquanto via Maradona atravessar a defesa inglesa. Nem os adversários esconderam a admiração. Gary Lineker admitiria anos depois que teve vontade de aplaudir aquele momento único.
O Mundial que ficou para sempre ligado ao seu nome
A Inglaterra foi eliminada, mas Maradona ainda não tinha terminado o trabalho. Nas meias-finais marcou os dois golos da vitória sobre a Bélgica e, na final frente à Alemanha Ocidental, voltou a ser decisivo ao assistir Burruchaga para o golo que garantiu o triunfo por 3-2.
A Argentina conquistou o seu segundo título mundial e Maradona recebeu a Bola de Ouro da competição. Marcou cinco golos, somou assistências decisivas e participou praticamente em todos os momentos importantes da campanha argentina.
Quase quatro décadas depois, o Mundial de 1986 continua a ser recordado como o Mundial de Maradona. Não apenas pela “Mão de Deus” ou pelo “Golo do Século”, mas porque raramente um jogador dominou uma fase final de forma tão absoluta. Durante algumas semanas no México, Diego pareceu jogar um desporto diferente de todos os outros.











