O britânico encerrou a carreira nas 8 Horas do Bahrein e elegeu a dobradinha da Cadillac em São Paulo e a experiência única do projeto Garage 56 em Le Mans como os grandes marcos da sua passagem pelo Mundial de Endurance
Jenson Button colocou um ponto final na carreira desportiva com o término da época de 2025 do Mundial de Resistência da FIA, mas fê-lo em modo balanço, sem nostalgia excessiva. Em declarações reproduzidas pela imprensa internacional, o campeão do mundo de Fórmula 1 em 2009 destacou dois momentos que, garante, nunca esquecerá da sua aventura no WEC: a dobradinha da Cadillac em São Paulo e o projeto especial Garage 56 em Le Mans.
O piloto britânico, de 45 anos, completou no Bahrein a segunda temporada ao serviço da Jota, estrutura privada que alinhou com os protótipos Cadillac no campeonato de endurance.
Interlagos volta a marcar a carreira de Button
O Autódromo de Interlagos já tinha sido palco do maior momento da carreira de Jenson Button, quando em 2009 selou o título mundial de Fórmula 1 com a Brawn GP. Em 2025, o traçado brasileiro voltou a ocupar lugar especial na memória do britânico, desta vez no Mundial de Endurance.
Nas 6 Horas de São Paulo, a Cadillac conquistou a sua primeira vitória no WEC, com o Cadillac Jota número 12 de Will Stevens, Norman Nato e Alex Lynn a cortar a meta em primeiro lugar. Button, ao lado de Sébastien Bourdais e Earl Bamber, levou o Cadillac número 38 ao segundo posto, consumando uma impressionante dobradinha da equipa.
“Dois momentos realmente se destacam para mim no WEC. Um deles foi no Brasil, este ano, por termos conseguido uma dobradinha. O carro não ficou no degrau mais alto do pódio, mas eu não me importei. Foi pela atmosfera que tivemos naquele momento. Conquistar um 1–2 num campeonato tão competitivo, com um carro que ainda era bastante novo para a Jota, foi excecional. Tenho muito orgulho de toda a equipa”, afirmou o britânico.
A prova em Interlagos confirmou a competitividade do projeto da Cadillac na resistência e permitiu a Button regressar ao pódio num circuito onde já tinha feito história na era da Fórmula 1.
Le Mans e o projeto Garage 56 como experiência irrepetível
O outro momento que Jenson Button coloca ao nível de São Paulo não está ligado à Jota, mas a um programa verdadeiramente invulgar. Em 2023, o britânico integrou o projeto Garage 56, participando nas 24 Horas de Le Mans ao volante de um stock car da Nascar adaptado, em conjunto com Jimmie Johnson e Mike Rockenfeller.
Sem lutar pela vitória absoluta, a entrada do carro americano em La Sarthe foi pensada como demonstração tecnológica e mediática. Ainda assim, para Button, foi muito mais do que uma simples experiência de marketing.
“O outro momento especial no WEC na verdade não foi com a Jota. Foi com o carro do Garage 56. Simplesmente porque era algo que ninguém mais teve a chance de fazer. Foi um projeto sensacional e algo que provavelmente nunca mais vai acontecer”, sublinhou.
O inglês destacou a singularidade do desafio, o ambiente de Le Mans e a sensação de participar num programa que fugia aos moldes tradicionais dos protótipos de topo.
Fim de carreira, legado intacto
Com o fim da temporada de 2025 e a realização das 8 Horas do Bahrein, Jenson Button encerra uma carreira que atravessou quase três décadas, do início na Fórmula 1 à fase final no endurance.
No WEC, o britânico não somou títulos, mas deixou a sua marca com prestações sólidas, um papel importante no desenvolvimento de projetos como o da Jota com a Cadillac e a participação em iniciativas inovadoras, como o Garage 56 em Le Mans.
A partir de 2026, o Mundial de Endurance seguirá sem a presença de Jenson Button, mas com a memória de um campeão do mundo de F1 que aceitou reinventar-se, adaptou-se a uma nova disciplina e elegeu Interlagos e Le Mans como os grandes capítulos de despedida da sua vida competitiva.











