O ciclo de Roberto Martínez chegou ao fim e Jorge Jesus prepara-se para assumir o comando da Seleção Nacional. O treinador, de 71 anos, deverá assinar contrato com a Federação Portuguesa de Futebol até 2030 e chega com um objetivo bem definido: criar uma identidade própria para a forma de jogar de Portugal, uma das críticas apontadas durante o Mundial 2026.
Uma identidade para Portugal
A intenção de Jorge Jesus passa por construir uma Seleção reconhecível dentro de campo, à semelhança do que acontece com outras potências europeias. Durante o Mundial, Bernardo Silva lamentou precisamente a falta de uma identidade vincada na equipa portuguesa e esse será um dos primeiros aspetos que o novo selecionador pretende alterar.
Ao contrário do que muitos poderiam esperar, Jesus não deverá apostar no tradicional 4x4x2 que utilizou em várias fases da carreira. A ideia passa por reinventar o atual 4x2x3x1, sistema utilizado nos últimos anos pela Seleção, tornando-o mais ofensivo e capaz de explorar as características dos jogadores portugueses.
Doze jogadores já conhecem os métodos
Apesar do reduzido tempo de treino que existe no contexto das seleções, Jorge Jesus parte com uma vantagem importante. Onze dos 26 jogadores convocados por Roberto Martínez para o Mundial 2026 já trabalharam com o treinador português, aos quais se junta João Palhinha, outro internacional que conhece bem os seus métodos.
Essa base poderá facilitar a rápida implementação das ideias do novo selecionador, já a pensar nos primeiros compromissos da Liga das Nações, em setembro. A componente defensiva deverá ser uma das prioridades do trabalho de Jesus, razão pela qual pretende integrar na equipa técnica um antigo defesa de referência, como Ricardo Carvalho ou Pepe.
Renovação já com 2030 em mente
Além do desafio imediato, Jorge Jesus terá também de preparar o futuro da Seleção. Com Cristiano Ronaldo já afastado dos próximos Campeonatos do Mundo e vários internacionais a aproximarem-se da fase final das respetivas carreiras, o técnico terá de promover uma renovação gradual do grupo.
Ainda assim, o treinador português encara esse processo com confiança. Ao longo da carreira destacou-se pela aposta em jogadores jovens e acredita que Portugal dispõe de talento suficiente para garantir uma transição tranquila, construindo uma equipa competitiva não apenas para o Europeu de 2028, mas também para o Mundial 2030, que será organizado por Portugal, Espanha e Marrocos.











