Ciclista português concedeu entrevista ao jornal Record, onde abordou vários temas, depois de um período de fora por doença.
João Almeida faz análise após período de inatividade
O ciclista português concedeu uma entrevista ao jornal Record, onde abordou vários temas, depois de alguns meses de fora da competição. Desde as sensações no regresso, o calendário em 2026, e a prestação de Eulálio no Giro, leia tudo o que o ciclista português da UAE Emirates – XRG disse em conversa com a imprensa nacional:
Como é que está fisicamente, depois de todos os problemas de saúde que o impediram de estar no Paris-Nice e depois no Giro?
“Agora, está tudo bem. Fiz uma pausa, já estou a treinar mais ou menos há 3, 4 semanas e tem corrido tudo bem. Tenho progredido, tenho estado a evoluir e a sentir-me cada vez melhor e com melhores números. Claro que ainda não estou numa forma fenomenal, mas está tudo a correr bem, no caminho certo.”
O mais importante é a saúde, claro, estar já recuperado, mas como é que mentalmente lidou com o processo de falhar provas importantes, como o Giro? Acabou por sofrer um revés na temporada, um objetivo para o qual trabalhou muito durante o inverno…
“Sim, é um pouco frustrante, até porque fui eu que pedi à equipa para fazer o Giro e a Vuelta. Por causa disso, mudei um pouco os planos, não só os meus, mas também de alguns corredores da equipa, e depois acabei por não conseguir fazer nada do que tínhamos estabelecido como objetivos, mas também é algo que não está no nosso controle e que acontece, faz parte. No fundo acho que até lidei bastante bem, pois era algo que não podia controlar. Restou-me ficar com as partes positivas do que aconteceu e focar-me agora na minha recuperação.”
E quais são essas partes positivas do que aconteceu?
“Acalmar e tranquilizar um pouquinho o sistema às vezes. Todos os anos é sempre corrida após corrida. Muito foco nas corridas, no treino. Acaba por ser muito exigente. Então estar ali uma semana ou duas, um pouco mais fora da competição e dos holofotes, acaba por ser também bom para calmar e também pensar nas coisas e agora voltar aos treinos.”
Vem aí o Tour Auvergne-Rhône-Alpes [antigo Dauphiné], que começa domingo. Quais são as expetativas para este regresso à competição?
“Na verdade, não são muito altas. Vou lá com o objetivo de ajudar a equipa no que eu conseguir e no fundo é isso. Não levo nenhum resultado como objetivo, não quero ir fazer a corrida com o objetivo de ir para um resultado ou disputar a corrida, mas sim ver como é que me sinto, também tentar absorver as sensações e ajudar a equipa, porque temos corredores com nível mais alto que o meu, de certeza, e que vão disputar a corrida. Acho que temos uma hipótese muito melhor.”
É então mais um teste à sua condição física. Mas a seguir desta prova, o que é que vem?
“Pois, também não sei muito bem. A segunda parte da minha temporada penso que vai ser igual, que é fazer a Clássica de San Sebastián, Volta a Burgos e a Volta à Espanha, isso é de certeza. Não sei se vou ter mais competição ou não, mas sei que depois de Dauphiné claramente vou precisar de um período mais largo de trabalho e de treinar.”
Então é certo que não vai à Volta à França, ou há ainda uma possibilidade?
“Na minha perceção é que não vou. Acho que não vou conseguir estar a um nível aceitável para fazer a Volta à França e se o foco fosse esse, seria mais inteligente não fazer o Dauphiné e continuar a preparação que tenho feito para chegar melhor preparado, porque hoje em dia as corridas não servem de preparação alguma.”
Viu o Giro de fora. Na sua opinião ganhou quem tinha que ganhar [Jonas Vingegaard]?
“Sim, tendo em conta os que lá estavam e não eram assim tantos, vamos dizer assim, acho que o Vingegaard merecia ganhar e foi sem dúvida o mais forte. Mas mesmo assim foi um Giro muito bonito de ver e foi bom para os espetadores também. Houve alguns azares, principalmente afetando a minha equipa, foi duro, mas mesmo assim acho que conseguimos dar a volta por cima e fizemos um bom Giro na mesma e podemos estar orgulhosos do nosso trabalho.”
Foi também o Giro do Afonso Eulálio, com nove dias de camisola rosa e a conquista da camisola branca, resultados que o João já tinha conseguido.
“O que ele fez foi muito bonito. É bom ver outra pessoa que usou aquela camisola para perceber a dimensão e o quão bonita é, o significado que é usá-la tantos dias. E acho que foi bonito para Portugal, para manter o país no mapa. Foi excelente.”
O Afonso Eulálio disse que não se compara ao João Almeida e quem lhe dera a ele ter as suas pernas. Grande elogio que lhe fez, certo?
“Agradeço bastante. É uma questão de evolução e continuar a evoluir, a crescer.”
João Almeida, Afonso Eulálio, os gémeos Oliveira, Nelson Oliveira… isto dava para fazer uma equipa portuguesa para o World Tour, certo?
“Acho que precisávamos de mais corredores [riso]. Mas acho que seria um pouco irrealista, mesmo quase impossível de acontecer. Seria giro e especial haver uma equipa portuguesa, ser português e correr numa equipa portuguesa do World Tour. Acho que temos talento para isso. Não só em termos de ciclistas, mas também de profissionais que fazem parte do staff, como massagistas, médicos, diretores desportivos, pessoas que tratam da direção da equipa, da organização. Temos muitos portugueses nas equipas do World Tour, em cargos importantes e cargos exigentes. Todas as equipas são internacionalizadas, mas falta-nos verbas e também pontos, é um processo a longo prazo.”
Vai ver então o Tour de fora. Como está a encarar o duelo Pogacar-Vingegaard? O Pogacar tem de estar preocupado com a época que o Vingegaard está a fazer?
“Claramente que sim, mas não só com o Vingegaard. Também há o Paul Seixas, o Ayuso, que também acho que chegará em boa forma. Portanto, vai ser um Tour com um nível muito alto e com uma quantidade grande de atletas ao mais alto nível. Daí o Giro ter tido muito poucos ciclistas a lutarem pela vitória, viu-se a luta pela geral mais aberta e isso é porque está tudo a focar-se no Tour. Vamos ter um Tour muito bom em termos de espetáculo, com muita coisa a acontecer. Só espero que não haja azares, nem quedas, porque também quando há assim muitas equipas e muitos atletas gera muita tensão e essa tensão tem sempre consequências negativas às vezes, porque o respeito é quase zero e alguém acaba sempre por ir ao chão. Mas esperamos que não aconteça e que haja mais respeito.”
Depois de falhar o Giro, vai apontar a segunda parte da temporada para a Volta à Espanha. O que é que espera? Dar o salto do segundo para o primeiro lugar?
“Apostava nisso, sim. Podemos encarar a segunda parte da temporada com confiança em nós e no trabalho que fazemos e vou lá com o objetivo de disputar a corrida e lutar pela vitória. É continuar a focar no trabalho e no processo de chegar lá nas melhores condições possíveis. Penso que temos mais do que tempo para chegar lá nas melhores condições possíveis.”
O João foi considerado pela Confederação do Desporto de Portugal o melhor atleta masculino no nosso país referente a 2025. Que importância dá a este tipo de prémios?
“Sinceramente foi um pouco surpreendente para mim, mas é importante, claro, até porque qualquer um dos nomeados merecia ganhar. Todos tínhamos tido bons resultados, uma boa época, atletas que são muito bons e consistentes. Pessoalmente sinto que fiz uma grande época, fui muito consistente, tive bons resultados durante toda a época e foram resultados com uma boa dimensão, muito bons. Portanto fico muito feliz de ter ganho, acho que mereci também e só tenho de agradecer a todos os que votaram em mim e dar os parabéns a todos os nomeados.”









![Pancadaria Na Final Do Mundial 2026 Vai Ter Consequências Para A Argentina 12 Final do mundial 2026 aquece após o apito: expulsão, empurrões e troca de palavras [vídeo]](https://foradejogo.pt/wp-content/uploads/2026/07/Espanha-vs-Argentina-120x86.webp)