O avançado português, João Félix, revisitou os motivos que o afastaram de um regresso à Luz e deixou novas críticas ao ambiente que, na sua visão, impede a evolução do futebol nacional.
João Félix voltou a colocar o futebol português no centro do debate público. Depois de já ter revelado que uma eventual transferência para o Benfica não avançou por decisão da direção encarnada, e da respetiva resposta por parte do presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, o internacional luso acrescentou agora novas críticas à forma como o desporto é pensado e gerido em Portugal. As suas declarações — feitas numa conversa recente com a Sport TV — trouxeram à baila discussões que há muito pairam sobre o panorama nacional.
“A mentalidade em Portugal está a atrasar o futebol”
João Félix foi direto ao assunto. Para o jogador, o problema não é técnico ou de talento, mas sim cultural. “A mentalidade em Portugal está a atrasar esse crescimento dos jogadores e clubes”, afirmou. Para o avançado, enquanto o país não mudar a forma como pensa, gere e discute o futebol, permanecerá num “patamar estagnado”, incapaz de acompanhar o ritmo competitivo europeu. A crítica ganha peso pelo historial de talento português na última década: jogadores valorizados nos maiores campeonatos, treinadores premiados e clubes capazes de resultados assinaláveis na Europa. Ainda assim, Félix defende que existe uma distância entre o potencial individual e o ambiente coletivo que deveria potenciar esse talento.
Falta de entusiasmo pelo campeonato português
Um dos pontos que mais chamou a atenção foi a admissão do próprio jogador: “Não vejo muito o futebol português”. João Félix explicou que acompanha sobretudo o Tondela, onde atua o seu irmão Hugo Félix, e reconheceu que o seu interesse pelo campeonato nacional diminuiu. A revelação sublinha o que, na sua perspetiva, é uma desconexão crescente entre a qualidade dos jogadores e a falta de evolução estrutural da liga portuguesa.

Polémicas constantes e ruído mediático
Outro dos alvos das críticas de João Félix foi o ambiente mediático. O jogador descreveu um espaço saturado de polémicas, discussões intermináveis e análises que, em vez de elevar o debate, o mantêm num ciclo repetitivo: “Há confusões e polémicas de segunda a domingo… isso não ajuda, não vai fazer com que o futebol português evolua”. Esta tensão permanente entre programas televisivos, comentadores e debates inflamados tem sido, segundo Félix, um dos obstáculos mais visíveis à modernização do futebol nacional. O foco desvia-se facilmente do jogo jogado, da estratégia e do desenvolvimento, criando um clima que, na sua visão, mina o crescimento dos atletas e a competitividade dos clubes.








