A nomeação de João Pinheiro para o Benfica vs Porto, a contar para a 25.ª jornada da I Liga, colocou as redes sociais e os programas de debate em polvorosa. Numa época onde o juiz de 38 anos ainda não se estreou em grandes duelos, a sua entrada direta para o jogo mais escaldante do campeonato levanta uma questão inevitável: quem tem mais razões para sorrir com esta escolha?
Se nos guiarmos pela frieza dos números e pelo histórico recente, a resposta parece pender para o lado da Luz, mas o rasto de polémicas deixa feridas abertas em ambos os emblemas.
A hegemonia encarnada sob o apito de João Pinheiro
Em vésperas do Benfica vs Porto, os dados estatísticos não mentem e dão ao Benfica uma vantagem teórica difícil de ignorar. João Pinheiro já dirigiu 38 partidas das águias, que resultaram em 24 vitórias encarnadas. Mais impressionante é o registo nos duelos diretos entre os rivais: nos últimos cinco Clássicos apitados por Pinheiro frente ao FC Porto, o Benfica venceu quatro.
Na temporada passada, o domínio foi total, com o juiz da AF Braga a estar presente nos dois triunfos por 4-1 do Benfica sobre o FC Porto. Para os adeptos da Luz, João Pinheiro é sinónimo de sucesso, com uma taxa de vitórias superior a 70% quando este se encontra em campo, independentemente de o adversário ser o Vitória SC ou o Sporting de Braga, onde também somou avaliações positivas recentemente.
O pesadelo dos cartões vermelhos no Dragão
Do lado do FC Porto, a leitura é diametralmente oposta. Embora os dragões também tenham vencido a maioria dos jogos com Pinheiro (21 vitórias em 36 encontros), o clube sente-se sistematicamente perseguido pelo critério disciplinar do árbitro, especialmente quando enfrenta os outros “grandes”.
Os momentos que os portistas não esquecem:
- A expulsão de Fábio Cardoso (2023): Um vermelho direto aos 19 minutos frente ao Benfica que deixou o Dragão em choque e a equipa reduzida a dez elementos quase todo o jogo.
- O vermelho a Eustáquio (2022): Outra expulsão precoce, aos 27 minutos, também num duelo contra o Benfica, que condicionou estrategicamente a equipa de Sérgio Conceição.
- O caos frente ao Sporting (2024/25): Na época passada, o final de jogo no Dragão contra o Sporting terminou em pancadaria e expulsões após Pinheiro ignorar uma falta de Zé Pedro sobre Quenda nos instantes finais.
- O vermelho a Coates (2022): No sentido inverso, o Sporting também não esquece a expulsão do seu capitão num clássico contra o FC Porto, onde os leões contestaram o primeiro amarelo mostrado após lance com Taremi.
Rui Costa e o “fantasma” do túnel da Luz
Apesar da vantagem estatística, o Benfica também guarda episódios de fúria. O mais mediático ocorreu em 2024, após o dérbi frente ao Sporting na Taça de Portugal. O presidente Rui Costa, num momento de rara exaltação pública, confrontou João Pinheiro no túnel da Luz devido a um penálti não assinalado sobre Rafa, num lance que acabou por favorecer os leões na eliminatória.
Este incidente provou que, mesmo com números favoráveis, a relação entre o clube e o árbitro é pautada por uma desconfiança latente. Os encarnados reclamam que, em lances de dúvida na grande área, como aconteceu no dérbi decisivo contra o Sporting na época passada, o juiz tende a ter uma “atitude passiva” que prejudica as águias.
A balança dos penáltis: Um dado que causa polémica
Um dos pontos mais discutidos entre os analistas antes do Benfica vs Porto é a disparidade nas grandes penalidades assinaladas por Pinheiro. O histórico revela um dado curioso:
- Benfica: 10 penáltis a favor, muitos deles em jogos de alta pressão contra adversários como o Vitória SC ou o Feirense.
- FC Porto: Histórico de queixas por lances ignorados, como a alegada falta de Zé Pedro sobre Quenda frente ao Sporting ou lances duvidosos em clássicos contra o Benfica.
Esta diferença de tratamento na marca dos onze metros é, para muitos adeptos portistas, a prova de que o Benfica é o clube mais beneficiado, enquanto os encarnados recordam o jogo com o Feirense em 2019, onde, apesar de terem tido um penálti a favor, viram o adversário reclamar intensamente de um castigo máximo perdoado às águias.
Críticas internacionais: De Turim a Santa Maria da Feira
João Pinheiro não é polémico apenas nos Clássicos. A sua reputação além-fronteiras sofreu um rude golpe após o jogo entre a Juventus e o Galatasaray na Liga dos Campeões. O CEO do clube italiano, Damien Comolli, não poupou o português após a eliminação da sua equipa: «Vai demorar anos para superar o que aconteceu. Não percebo como nomearam este árbitro».
Mesmo em Portugal, clubes de menor dimensão como o Feirense já acusaram Pinheiro de “atentar contra a verdade desportiva” num embate contra o Benfica. O historial de casos é vasto e atravessa todas as competições, tornando o juiz de Braga um alvo constante, quer esteja a apitar um Alverca-Gil Vicente ou um play-off milionário da UEFA.
Afinal quem leva a melhor?
Se as vitórias e os penáltis a favor são o critério de avaliação, o Benfica é claramente o clube mais confortável com esta nomeação. No entanto, se o critério for a capacidade de manter o jogo com 11 contra 11, o FC Porto entra em campo com um receio legítimo, dadas as expulsões sofridas frente aos encarnados e aos leões sob este apito.
Domingo, na Luz, João Pinheiro terá a oportunidade de provar que merece a confiança para o Mundial 2026 ou, pelo contrário, de acrescentar mais um capítulo a este livro de polémicas que parece não ter fim.







