Quarteto de jogadores da Seleção nacional falaram com os jornalistas no fim do encontro e espelharam a desilusão lusa.
Rúben Dias: “Fica a frustração de sentir que tínhamos pernas para mais”
“Demos o nosso melhor mas não foi suficiente para vencer o jogo. Foi dos jogos mais equilibrados contra a Espanha desde que cá estou. Tivemos oportunidades e o jogo foi bastante equilibrado e só faltou fazermos o golo e levar a eliminatória para o nosso lado. Eles fizeram-no na altura crucial. Ambas as equipas são mortiferas e nós não conseguimos marcar”
Saída nos oitavos
“Temos perfeita consciência de que estávamos a crescer e a melhorar. Em relação às expectativas…eu não tenho nenhumas, tenho de mostrar o valor em campo. Saímos com a sensação que dava para mais. Temos de olhar para o futuro pois há muito pela frente. Temos de olhar em frente”
RÚBEN DIAS À RTP:
Podia ter dado Portugal?
– Podia. Senti que foi dos jogos mais equilibrados que já tivemos contra eles. É sempre um jogo difícil, nunca em nenhuma circunstância é um jogo fácil, eles são muito perigosos tal como nós também somos. Os detalhes do jogo acabam por decidir e também tivemos oportunidades que podiam ter sorrido para nós. Acabam por fazer golo numa altura crucial com o jogo quase a acabar.
O que falhou?
– O que falhou… eles marcaram e nós não. Acho que foi dos jogos mais equilibrados que tivemos contra eles, sentimos que estávamos muito perto de ganhar. Óbvio que olhamos para o resultado final e não sorriu para nós, e é muito fácil tirar qualquer conclusão de que não estivemos bem, isto e aquilo, mas a verdade é que foi dos jogos em que estivemos mais perto de sentir que estávamos ali para ganhar. Pelo menos é o meu feeling.
Lágrimas de Ronaldo e outros… era uma oportunidade de ouro para ser campeão?
– Cada próximo jogo, cada Mundial, Europeu, é sempre uma oportunidade única para nós. Sinceramente nem vi o Cris em lágrimas, vi um ou outro colega, mas cada pessoa lida com a emoção de maneira diferente. É o sonho de todos nós e obviamente a frustração existe, a nossa ambição é a maior, é de chegar aqui e ganhar, e como tal é sempre duro não conseguir vencer.
RÚBEN DIAS À LIVEMODETV:
“Numa competição destas raramente as coisas são perfeitas desde o início, e muitas vezes até é melhor assim. Senti que a equipa estava a crescer, depois dos jogos com a Colômbia e a Croácia. Acho que este foi dos jogos mais conseguidos que fizemos contra Espanha. Senti que o jogo foi equilibrado nas oportunidades, houve momentos em que podíamos ter feito golo e em que pensei que, mais cedo ou mais tarde, os íamos quebrar. Obviamente que no final fica um sentimento de frustração por sentir que existia este crescimento e que cada vez íamos conseguir estar melhores, por saber o que temos em campo e o que temos no banco. Acima de tudo, fica a frustração de sentir que tínhamos pernas para mais.”
“É bastante sabido que na Seleção temos muito boas individualidades, mas não temos, na nossa essência, um conceito de jogo como tem, por exemplo, a Espanha, onde pensam todos da mesma maneira, sabem todos aquilo que têm de ir buscar.”
“Quando falamos em jogar bem há muito mais do que apenas a virtuosidade e o confronto direto envolvido no ‘como é que não jogamos bem’. Temos de ir em busca do equilíbrio, que não é fácil. A loucura não nos traz nada de positivo, leva-nos a correr atrás da bola e traz-nos para sítios que não dominamos. Tem de haver objetividade, mas, no final de contas, temos de ir à procura de um equilíbrio que nos ajude a trazer o melhor de cada um. Acho genuinamente que este foi um dos melhores jogos que já fizemos contra Espanha a nível desse equilíbrio, e depois deixar esses momentos certos para tentar decidir o jogo, mas infelizmente não sorriu para nós.”
Bruno Fernandes
Bruno Fernandes para a LiveModeTV:
“Obviamente que é um momento de tristeza. Viemos para cá com um objetivo bem vincado daquilo que queríamos fazer, que era ganhar o Mundial, mas infelizmente não estivemos ao nosso melhor nível. Acho que na primeira parte fomos superiores, mas na segunda voltámos a cometer o mesmo erro de baixar muito as linhas e dar demasiado a bola ao adversário e quando assim é, mais cedo ou mais tarde, acabamos por sofrer golo. Obviamente que Espanha tem mérito, tem qualidade e grandes jogadores, mas acho que, pelo que fizemos na primeira parte, se assim continuássemos, teríamos saído daqui com outro resultado.”
“Balanço não pode ser positivo, só o seria se chegássemos ao fim e não chegamos. Sei que Portugal nunca ganhou o Mundial e que pomos sempre as expectativas lá em cima, mas acho que posso dizer, com alguma certeza, que este grupo tinha qualidade para ganhar o Mundial. Infelizmente não vai ganhar, não foi possível, mas não há que desacreditar. Perdemos contra uma das seleções candidatas e há que olhar em frente de maneira diferente. Acho que temos de ser mais nós próprios, olhar para aquilo que nós temos dentro, tentar jogar mais ao nosso modo e ao nosso jeito e encontrar forma de fazer com que as equipas nos respeitem mais.”
À Sport TV:
“Na 1ª parte estivemos bem mas 2ª parte demos a bola e eles conseguiram criar-nos problemas conseguindo encontrar espaços nas costas
Meio-campo
“Nós fizemos o que nos pediram e o que era preciso para a equipa funcionar mas não funcionou. Queremos sempre coisas diferentes, primeiro o melhor meio-campo era o Vitinha, o Bruno e João, depois já era o Bernando…já estou habituado a isso. Nós jogámos contra a Espanha, era 50-50 e só passava um. Não conseguimos ser superiores à Espanha ao contrário do que aconteceu na Liga das Nações, o futebol é assim.”
À RTP:
Estava emocionado no fim do jogo…
“Obviamente é triste a maneira como saímos do torneio, tenho a certeza que tínhamos qualidade para mais. Obviamente saímos para uma grande seleção, perdemos com uma das candidatas a ganhar o Mundial, assim como nós o éramos. Acho que hoje pecámos por na segunda parte termos dado demasiado jogo à Espanha, não ser tão pressionantes como na primeira parte. Dar o jogo à Espanha é dar o que realmente querem: estar com bola, fazer a equipa adversária correr, criar espaços, e quando assim é as pernas começam a pesar, os espaços começam a ser um bocadinho maiores…”
Devíamos ter feito o quê no início da segunda parte?
“Devíamos ter continuado da maneira que estávamos, ser mais agressivos sem bola, tentar fazer com que Espanha não jogasse tanto, mas sobretudo tínhamos de ter jogado mais com bola. Tínhamos qualidade para mais, temos jogadores capazes disso. Mas não foi por falta de capacidade mas se calhar porque em momentos não fizemos aquilo que estamos habituados e sabemos fazer, e acabámos por nos perder um bocadinho no jogo.”
Esta seleção podia ser campeã?
“Obviamente. Agora não vale a pena falar disso porque estamos fora do Campeonato do Mundo, mas foi uma oportunidade perdida. Todas as oportunidades são perdidas porque quando chegamos a um Mundial toda a gente quer ganhar. Nós não somos diferentes, em todos os Mundiais em que Portugal participou não foi diferente, mas foi uma oportunidade perdida. Temos uma grande seleção com grandes qualidades, se calhar não conseguimos retirar o melhor de todos da melhor maneira e acabámos por sair numa fase muito precoce”
Diogo Costa
DIOGO COSTA À RTP:
Não deu para evitar o golo do Merino…
“Sempre acreditei que poderia ajudar mais uma vez, não consegui ajudar dessa vez. Faltou-nos também uma pontinha de sorte, tivemos uma bola na barra, a bola muito perto da baliza, é preciso sorte também… mas acho que a atitude foi muito boa, positiva, demos o nosso melhor em termos de atitude, exigência e trabalho mental. Acho que demos o nosso melhor mas tal como disse, faltou-nos uma pontinha de sorte.”
Saiu valorizado do Mundial…
“Para mim o mais importante é ganhar coletivamente. Sei que preciso dos meus companheiros em campo para ganhar e trocava a exibição por uma vitória.”
Trocava prémios e defesas pela vitória…
“Claro que sim, ganhar é sempre o mais importante. Estamos muito tristes.”
Esta geração podia ser campeã do Mundo?
“Sim, claro que sim. Tínhamos qualidade para isso, por uma ou outra razão não conseguimos, mas fizemos sempre dar o nosso melhor fisicamente e mentalmente para todos juntos mostrarmos o que é o país. Como todos sabem, queríamos muito dedicar este Mundial a duas pessoas muito especiais para nós, não conseguimos e estamos também muito mais tristes por isso.”
Lágrimas de Ronaldo e Bruno Fernandes
“Tal como disse, trabalhamos para ganhar sempre, queremos sempre ganhar, fazemos sempre tudo para ganhar e quando não é possível, dói. E dói muito pelo nosso país.”
DIOGO COSTA À LIVEMODE TV:
Como se sente com a derrota tendo em conta a prestação incrível que fez no Mundial?
“Preferia ter trocado as minhas exibições por uma vitória hoje. Para mim o mais importante é sempre o coletivo, sei que preciso dos meus companheiros de equipa para ganhar. Hoje perdemos, perdemos como um todo. A exigência de cada um faltou a todos e não ganhámos. Quando se perde… perde-se. O mais importante é não sofrer e marcar mas, como disse, preferia ter trocado as exibições pela vitória.”
Pensa em ficar no FC Porto ou sair para outras ligas?
“Eu vivo o presente. Sou muito feliz no FC Porto, é o clube do meu coração e não estou a pensar nisso. Estou muito triste por termos perdido”
Nélson Semedo
“Acho que obviamente temos de tentar melhorar, o que não fizemos bem especialmente, fazer uma autocrítica, uma análise deste Mundial, o que não fizemos bem e o que podíamos ter feito melhor. Temos uma grande seleção, temos todos muita qualidade e sabemos que se calhar podíamos fazer um pouco mais, mas num balanço geral acho que estivemos bem”
“Acho que fomos eliminados por uma grande equipa, uma equipa que é candidata. Jogámos taco a taco com eles, no final da partida acabámos por sofrer um golo. Tivemos as nossas oportunidades num jogo bastante equilibrado. Sabemos que temos uma grande equipa e que poderíamos se calhar ter feito melhor, mas acho que temos de acima de tudo é dar os parabéns aos meus companheiros pela entrega que tiveram e seguir, porque a vida segue”
Agradecer este tempo que ele esteve na seleção, não só nós jogadores temos de agradecer mas também todo o povo português. Ganhámos uma Liga das Nações contra esta equipa que jogámos hoje, que é uma grande equipa, por isso acho que todos nos devíamos deixar alguma palavra de agradecimento. Obviamente nem sempre as coisas correm bem, mas acho que na maior parte das vezes correram bem e acho que ele merece uma palavra de agradecimento.”











