O piloto francês continua a recuperar das lesões sofridas no Grande Prémio da Catalunha e admite que, nas horas que se seguiram ao acidente, chegou a temer pelo futuro fora do motociclismo. Mais de dois meses depois da queda que o afastou temporariamente da competição, o piloto francês recordou os momentos que se seguiram ao incidente e revelou que o seu maior receio não estava relacionado com a possibilidade de perder corridas ou até com o futuro da carreira. O que mais preocupava Zarco era algo muito mais básico: “voltar a conseguir andar normalmente“.
O piloto da LCR Honda esteve envolvido num dos acidentes mais violentos da temporada. Depois de uma primeira partida interrompida na sequência da queda de Álex Márquez, a corrida voltou a arrancar, mas Zarco acabou por sofrer um acidente na travagem para a primeira curva. O francês perdeu o controlo da moto e acabou por envolver no incidente Luca Marini e Francesco Bagnaia. A situação tornou-se particularmente grave quando a perna esquerda de Zarco ficou presa na roda traseira da Ducati de Bagnaia, com consequências significativas e onde os exames médicos revelaram uma rotura dos ligamentos cruzado anterior e posterior do joelho, além de uma pequena fratura no perónio.
«Espero poder voltar a andar»
Numa entrevista ao Canal+, Zarco explicou como viveu o momento do acidente e os instantes imediatamente posteriores à queda. O piloto de 36 anos admitiu que tudo aconteceu demasiado rápido para conseguir compreender imediatamente a dimensão das lesões.
«Dirijo-me para o Marini e, quando embato nele, perco completamente o controlo. Nem sequer tento segurar-me na mota, simplesmente largo-a».
Zarco acabou projetado na direção de Bagnaia e foi nesse momento que sofreu o impacto que provocou as lesões na perna esquerda.
«Acho que sou projetado na direção do Pecco e aí a minha perna voa para a pista. Dói-me, mas não há tempo para processar. É apenas um acidente enorme…».
A verdadeira dimensão do problema começou a tornar-se evidente quando os comissários chegaram ao local.
«Tento levantar-me um pouco, mas é muito difícil. Os comissários chegam logo e tudo acontece muito depressa. Não me queriam tocar porque viam a minha perna torcida. Pensavam que, se me mexessem, podiam parti-la ainda mais».
O receio de Zarco não era perder corridas
O cenário vivido pelo francês foi particularmente angustiante. Zarco encontrava-se ainda junto à moto e exposto ao calor do escape, enquanto aguardava assistência. Foi nesse momento que percebeu que as consequências do acidente poderiam ser muito mais sérias do que inicialmente imaginara e, nas palavras do próprio, foram momentos complicados para o piloto de 36 anos.
«Estava a queimar-me dentro do fato, continuava preso sobre o tubo de escape enquanto estava na gravilha. Nem sequer pensava na corrida. Só pensava: ‘Espero poder voltar a andar.’ Esse era o meu medo».
A gravidade das lesões levou inicialmente a que fosse equacionada uma intervenção cirúrgica. No entanto, o procedimento acabou por ser adiado devido a uma queimadura que apresentava risco de infeção. Posteriormente, a equipa LCR Honda informou que Zarco não necessitaria de cirurgia e apontou para um possível regresso após a pausa de verão, em setembro. O regresso à competição, contudo, ainda não está confirmado. Cal Crutchlow foi entretanto anunciado como substituto do francês para o Grande Prémio da Grã-Bretanha, em Silverstone MotoGP 2026.
Over a month after his horrific Barcelona crash, Johann Zarco still hasn't been able to have surgery on his injured knee.
— The Race MotoGP (@TheRaceMoto) June 24, 2026
But his LCR boss still hopes he'll race again this year:
➡️ https://t.co/HuXuCh3kDkhttps://t.co/HuXuCh3kDk
Recuperação de Marc Márquez serviu de inspiração para Zarco
Durante o processo de recuperação, Zarco encontrou inspiração na forma como Marc Márquez enfrentou as consequências da grave lesão sofrida no braço direito. O piloto francês reconhece que chegou a questionar-se sobre a possibilidade de voltar a competir ao mais alto nível, mas a recuperação do espanhol tornou-se uma referência para enfrentar o período mais complicado.
«Vi o Marc fazer uma careta, a meter agulhas no ombro e tudo. Foi então que vi que ele é muito duro. Não me sinto tão corajoso como ele».
A experiência de Márquez também ajudou Zarco a perceber que uma recuperação deste tipo exige paciência e que acelerar o processo pode ter consequências negativas.
«Digo a mim mesmo que, se até o Marc por vezes tem dificuldades, não tentes ser uma espécie de super-herói. Prepara-te bem e volta melhor do que alguma vez poderias imaginar. Na verdade, é quase como dar um passo atrás para dar um salto maior».
Contrato até 2027 dá tranquilidade a Zarco
Outro fator que permite a Johann Zarco encarar a recuperação com maior serenidade é o facto de ter o futuro profissional assegurado. O piloto francês tem contrato válido até 2027, o que lhe permite concentrar-se totalmente na recuperação sem sentir a mesma pressão para regressar rapidamente à grelha de MotoGP, tal como o próprio referiu.
«A minha sorte de poder pensar assim é já ter um contrato para 2027. Permite-me ser paciente».
A prioridade passa agora por recuperar totalmente das lesões no joelho e preparar o regresso à competição, depois de um acidente que, por momentos, fez o piloto francês temer não apenas pelo seu futuro no MotoGP, mas pela própria capacidade de voltar a caminhar.

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