Pedro Proença apresentou esta sexta-feira Jorge Jesus como novo selecionador nacional, numa cerimónia em que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol destacou o início de “uma nova era” e de “uma nova cultura de exigência e de vitória”. O treinador assumiu o cargo com uma mensagem clara: “Agora viemos para vencer”.
Nova era na Seleção
Na apresentação oficial, Pedro Proença sublinhou a ambição da Federação para os próximos anos e mostrou total confiança no novo selecionador. “Jorge Jesus é um dos melhores treinadores da nossa história. Com ele vamos estar sempre mais perto da vitória”, afirmou, apontando já ao Euro 2028 e ao Mundial 2030.
Na primeira intervenção como selecionador nacional, Jorge Jesus agradeceu a confiança da Federação e assumiu o orgulho por orientar Portugal. “Tenho a oportunidade de treinar uma das melhores seleções do mundo e ainda por cima a minha seleção. Sou um orgulhoso português e agora vou ser treinador de 11 milhões”, afirmou, reforçando que “agora viemos para vencer”.
Ronaldo, objetivos e os primeiros desafios
Questionado sobre Cristiano Ronaldo, o novo selecionador afastou qualquer polémica e garantiu que o capitão continuará a ser uma mais-valia para Portugal. “Nunca será um problema para a Seleção nem para mim”, afirmou, revelando ainda que pretende conversar individualmente com todos os jogadores antes do arranque do novo ciclo. Além disso, falou sobre os objetivos, a pressão de liderar Portugal, a preparação para este desafio e a estreia marcada para setembro, frente ao País de Gales.
Maior desafio da carreira? Como será lidar com o contexto de seleção?
“Há muita tendência de dizer que um selecionador é diferente de um de uma equipa. Não é verdade. A diferença é o método porque não há tanto tempo. O futebol não é uma ciência exata, mas é uma ciência. Preparei-me bastante estudei para este desafio, mas não será diferente de trabalhar numa equipa”.
Como lida com a pressão para vencer?
“Já estou habituado e gosto disso. Tenho condições de trabalho e este lema enquadra-se. A minha idade é 71 mas o que sinto é 50 porque tenho saúde. Treino todos os dias. Vai ser um desafio difícil, mas acredito que vamos vencer”.
Já falou com Ronaldo? Que papel terá?
“Ainda não falei com o Cris. Nunca será um problema para a Seleção nem para mim. Em relação à polémica, cada um pensa o que quiser. Vou falar com o Cris e com todos individualmente. O Cris é um símbolo de Portugal e tive um grande prazer em trabalhar com ele. É facílimo trabalhar com ele. Basta que ele perceba onde pode chegar e onde posso chegar. Mas tenho de falar com ele para saber o que ele quer fazer. Ele sempre me disse que quer acabar no Al Nassr, agora resta saber o que será melhor para ele”.
Que jogador não gostava mesmo de perder?
“Ainda em relação ao Cris, ele fez 31 jogos em 50 no ano passado. Substitui-o 16 vezes e nunca houve problemas. Quanto à pergunta, nunca vou perder nenhum, só se se lesionar. Tenho uma grande vantagem aqui porque dos convocados para o Mundial, 12 já trabalharam comigo. Se perguntasse aqui qual seria a melhor seleção, haveria 10 respostas diferentes. Há muita qualidade. Portugal tem muita qualidade na formação e agora irei acompanhar e estar mais inserido. Mas o que interessa é o presente e se me perguntarem se é preciso uma remodelação, não. Só há seis jogadores acima dos 30 e dois são guarda-redes. A média de idades é 28. É uma equipa jovem e não é por aí que haverá problemas”.
Como vai lidar com os egos e com os estatutos? Pode-se sentar os melhores da Europa?
“Não tenho dúvida alguma em relação a isso. Ego há em todas as equipas. Digo-vos que é mais difícil trabalhar com os que pensam que são grandes jogadores do que com os que são mesmo bons jogadores. Estamos aqui para conquistar títulos e todos terão de pagar preço”.
Capitães? Problemas com o Bernardo?
“Quanto aos capitães, são 5, o Cris, o Bernardo, o Bruno, Rúben e o Diogo. Não sei qual foi a ordem. Não tenho muito o hábito de que antiguidade influencie nos capitães. O capitão é muito mais do que isso. Quanto ao Bernardo, em 2013 era um menino que estava a começar os passos dele. Era um menino que confiava muito nele e queria ser jogador. Foi mais o que se falou do que aquilo aconteceu num treino. Falou-se que eu queria pô-lo a lateral esquerdo. Aliás, o Djuricic lesionou-se e eu ia mete-lo naquela posição. O Pep (Guardiola) também o meteu lá mais tarde. Mas não há problema nenhum”.
Vai ser mais selecionador ou treinador? Disse que os selecionadores saem sempre desprestigiados…
“Desprestigiados, não é bem assim… Em relação à primeira pergunta, claro que vou ter de selecionar. Vocês dizem muito que eu só penso em treinar, mas nos últimos dias tenho estado sempre a jogar de 3 em 3 dias. Vocês pensam que aqui os jogadores não treinam, mas eles não vêm para aqui dormir, treinam e há muitas formas de o fazer. Agora é importante montar uma equipa. Uma equipa médica, por exemplo, porque a recuperação é um dos maiores segredos do futebol. Quanto à segunda, os treinadores não ganham sempre, eu não ganhei sempre. O que pode atrapalhar é convocar 20 e tal jogadores e só poderem jogar 11. Mas isso é que é bom, porque há matéria-prima”.
Análise da prestação lusa no Mundial? Nos próximos 4 anos será possível ver Mora ou Quenda?
“Começando pela segunda pergunta, são jovens como há mais. Portugal tem uma qualidade muito grande em formar novos jogadores. Portugal é o Brasil da Europa. Dás um pontapé numa pedra e sai um jogador. A nossa Seleção tem uma média de idade de 28 anos e isso não tem problema, o importante é o valor. Se houver um jovem de 17 ou 18 anos com qualidade para integrar a Seleção irá entrar. Dos 12 que aqui estão e com quem já trabalhei fui eu que os lancei, como o Rafael Leão, o Bernardo, o Cancelo… O Bernardo, sim, com 17 anos na Taça contra o Cinfães. A idade não tem influência, olhem para o Cris. Comigo fazia 8 kms por jogo, com velocidade acima 25 km/h. Comigo jogava quando eu achava que era preciso, quando jogava. Às vezes nem o levava para o banco.
Quanto à primeira pergunta, fica-me mal. Sobre a utilização de Cristiano? O jogo é que dita. Se deve jogar ou não… Já treinei dois dos três melhores jogadores do mundo, mas já não vou ao terceiro. Ao Neymar disse-lhe: “Finish”…”
Pepe foi ou não contactado para entrar na sua equipa técnica?
“A minha equipa técnica vai ser… minha. Nunca falei com o Pepe, mas se é um nome que me poderia agradar… É. Porquê? Porque quando cheguei a outros clubes, como no Benfica, fui buscar o Luisão. Na Arábia Saudita também fui buscar ex-jogadores para a minha equipa. Mas o Pepe lá sabe se ainda quer abraçar outros projetos. Virão outros nomes ou não… Porque há outros elementos do tempo de Martínez”.
Já identificou o que precisa de trabalhar? Como se vai preparar para o calendário das seleções com poucos dias de trabalho?
“Claro que vi jogar a Seleção, como vi todas. Não quero falar disso aqui. Não é elegante. Não que queira fugir. Mas se calhar o que faria de diferente, tem que ver com a importância em ser o 1.º do grupo, porque jogar com a Espanha… jogar com Espanha não é a mesma coisa do que com a Suíça. Ficamos por aqui. Quanto ao treino, é óbvio que se treinarmos mais horas o processo começa a ficar mais identificado. Mas o processo, às vezes, parece uma coisa e depois não é nada. Se me dissessem que a 24 de setembro, os jogadores vão treinar 3 dias e vão jogar… É o que é. Vamos jogar 4 jogos em 10 dias. Para mim é bom porque vamos estar juntos vários dias. Mas não é uma situação que dê valor.”
Gonçalo Ramos: vê-o ter mais preponderância? Portugal vai jogar o dobro?
“Tem de jogar. Se não jogar fica tudo igual. Acredito muito na capacidade dos jogadores. A outra parte da estrutura também é importante. As ideias do que é uma seleção e é um clube não são diferentes, porque se não houver ideias partilhadas… Quero que todos os jogadores percebam que se querem ganhar têm de pagar o preço. A minha ideia do jogo não tem nada que ver com o que era a ideia da Seleção. Zero.
O que quer mudar na equipa? Qual o setor que lhe dá mais dúvidas?
“Quando falamos em mudar, podemos falar em muita coisa. Ideia de jogo, sistema de jogo… O futebol cada vez é um desporto coletivo que tem evoluído muito porque para as equipas e treinadores, a questão dos passes e redução dos passes é importante. Eu não gosto de jogar com 3 médios num 4-3-3. Gosto de médios com mais andamento e mais dinâmica. Todos dizem que tínhamos o melhor meio-campo do mundo. Mas onde? No PSG? No United? Mas na Seleção tudo é diferente. E a minha ideia é implantar ideias que funcionem com a equipa. Muitas das vezes o treinador o que tem de fazer é ajudar o jogador. Como a qualidade é muita, vou estar lá para os ajudar?”
E termina a conferência











