O arranque da temporada de estrada em Portugal está a ser marcado por uma “onda de violência” que coloca em causa a segurança de todos os praticantes de ciclismo. O desrespeito pelas normas de trânsito e pelas indicações das autoridades atingiu níveis críticos, motivando um pedido de intervenção urgente por parte dos responsáveis das principais equipas profissionais.
Diretor-desportivo pede perda de carta para infratores
José Azevedo, diretor-desportivo da Efapel, classificou como alarmante a sucessão de incidentes que vitimou cinco dos seus corredores num espaço de apenas seis dias. O técnico defende que as coimas atuais são insuficientes para travar a falta de civismo, apelando à aplicação de penas de prisão e à interdição prolongada de conduzir para os condutores responsáveis.
José Azevedo, que tem sido também crítico da estrutura do ciclismo em Portugal, sublinhou que o simples pagamento de multas reduzidas não resolve o problema de fundo, especialmente quando está em causa o uso do telemóvel ao volante. Para José Azevedo, é necessário que os infratores sintam consequências reais nas suas vidas, como a perda definitiva do título de condução, para que a mentalidade de impunidade nas estradas comece a ser combatida.
Joaquim Silva e jovens de Fafe entre as vítimas
O corredor profissional Joaquim Silva foi o alvo mais recente desta série de atropelamentos, tendo sido transportado para o Hospital de São João, no Porto, após um embate esta terça-feira. Embora não apresente fraturas, o ciclista de 33 anos sofreu várias feridas pelo corpo e um forte impacto psicológico que o afasta temporariamente da normalidade competitiva.
Este incidente somou-se ao grave atropelamento ocorrido no Prémio Cidade de Fafe, onde um automóvel ignorou as ordens da GNR e colidiu de frente com um grupo de juniores. David Luta, que fraturou uma órbita ocular, e João Lazarini foram os mais afetados num episódio que demonstra o total desrespeito pelo dispositivo de segurança montado pelas forças policiais em competição.









