Médio diz estar feliz em Barcelona
A internacional portuguesa Kika Nazareth partilhou reflexões sobre a sua experiência no Barcelona e sobre a pressão que sentiu após a transferência para o clube catalão, numa entrevista concedida ao programa L’eclipsi, da 3Cat. A médio ofensiva abordou também a vontade de construir um percurso próprio no futebol, evitando comparações com grandes nomes masculinos do desporto português.
A jogadora destacou a satisfação por viver na cidade catalã “Gosto da vida em Barcelona e estamos a falar de uma das melhores cidades do mundo. Há gente bonita, praia, gastronomia e o melhor clube do mundo, com as melhores jogadoras do mundo. Que mais posso pedir?”, questionou a jogadora.
Apesar do entusiasmo, a atleta admitiu que precisou de algum tempo para se adaptar à dimensão do desafio. Recordou que o valor pago pela sua contratação gerou uma pressão significativa, já que, na altura, se tratava de uma das transferências mais caras da história do futebol feminino. “O que o Barça pagou por mim gerou-me muita pressão. Naquele momento, era a segunda ou terceira transferência mais cara do futebol feminino”
Com o passar do tempo, a jogadora diz sentir-se mais tranquila, embora reconheça que por vezes ainda sente o chamado “síndrome do impostor [padrão de pensamento que gera dúvida acerca das suas capacidades, apesar de o valor ser reconhecido publicamente]. Todas as pessoas têm um ego e isso é bom: deves acreditar em ti e é normal, mas creio que o nosso ego é mais saudável e há uma linha entre isso e ser respeitador. Não gosto de ser comparada com o masculino. Olhas para mim e pareço uma pessoa com muita confiança, mas sou uma pessoa insegura, embora não tenha motivos para sê-lo. Muitas vezes preciso que as pessoas me digam as coisas
A atleta também comentou as frequentes comparações com figuras masculinas do futebol português. “Não quero estar no mesmo saco que Figo, Mourinho e Cristiano Ronaldo. Gosto deles e sou portuguesa com muito orgulho, mas gostaria que me olhassem com outros olhos”, atirou.
Por fim, Kika Nazareth recordou que a carreira de futebolista envolve desafios que muitas vezes passam despercebidos ao público. “Não sabem o que é ser jogadora de futebol, mudar de camisola, jogar em Madrid ou Barcelona. Não é fácil. Às vezes, as pessoas esquecem-se de que também somos pessoas.”










