O britânico Lewis Hamilton admite desânimo total após o GP de Las Vegas, mas Frederic Vasseur pede calma e explica porque a Ferrari acredita num final de época mais forte.
Lewis Hamilton vive um dos períodos mais difíceis da sua carreira. O sete-vezes campeão mundial, agora ao serviço da Ferrari, voltou a sair de Las Vegas profundamente frustrado e admitiu que não está a “olhar com expectativa” para a temporada de 2026 — precisamente aquela em que entram em vigor as novas regras que deveriam relançar a competitividade da Scuderia. Porém, o chefe de equipa, Frederic Vasseur, já veio responder e tentar colocar água na fervura.
Um fim de semana difícil que terminou com desabafo
Lewis Hamilton arrancou em 19.º, depois de uma qualificação caótica onde abortou a última volta do Q1 por erro. Em corrida, ainda ganhou seis posições no arranque, mas ficou preso atrás de Esteban Ocon no primeiro stint com pneus duros, não conseguindo recuperar terreno após trocar para médios. Cortou a meta em 10.º, mas subiu a 8.º devido à desclassificação dos McLaren de Norris e Piastri por desgaste excessivo do plano de madeira — um golpe inesperado na luta pelo título.
Apesar do resultado final ser melhor do que parecia em pista, o moral estava no mínimo. “Sinto-me terrível. Tem sido a pior temporada de sempre”, desabafou à Sky Sports.
“Nada corre bem, por mais que tente. Só quero que isto acabe.” Minutos depois, à BBC Radio 5 Live, foi ainda mais claro: “Não estou ansioso pela próxima época. Nada.” Declarações que surpreenderam muitos adeptos e levantaram dúvidas sobre o estado anímico do piloto, principalmente numa equipa que aposta na mudança de regulamentos para recuperar terreno em 2026.

Ferrari sob pressão e tensões internas recentes
As palavras de Lewis Hamilton surgem apenas uma semana depois de John Elkann, presidente da Ferrari, ter apelado publicamente aos pilotos para “falarem menos e se focarem em conduzir”. E ainda que tais afirmações já tenham sido “desmentidas”, a verdade é que a pressão cresce dentro da Ferrari. No Brasil, nenhum dos carros viu a bandeira de xadrez, Lewis Hamilton sofreu danos significativos no piso após tocar em Franco Colapinto e Leclerc foi apanhado no acidente entre Antonelli e Piastri. Em Las Vegas, Leclerc também teve dificuldades na qualificação — apenas 9.º — mas recuperou para terminar em 4.º, dando algum alento à Ferrari numa fase decisiva do campeonato.
Vasseur responde: “Calma. Comentários feitos logo após sair do carro são sempre extremos”
Confrontado com o desânimo do britânico, Frederic Vasseur adotou um tom conciliador, defendendo o piloto e rejeitando dramatizar. “Vamos todos acalmar-nos. Sair do carro e comentar de imediato é sempre demais. Falaremos depois do debrief.” O chefe de equipa sublinhou que Lewis Hamilton tem tido fins de semana particularmente duros, mas não vê motivo para pânico: “Compreendo a reação. Foi difícil para ele nas últimas provas. Mas estamos focados nas próximas duas corridas — e estaremos de volta.” Vasseur lembrou ainda que, nos treinos livres, o desempenho tinha sido encorajador: “O ritmo em FP1 e FP2 foi bom. Temos de construir o fim de semana assim. Começar de P20 nunca ajuda.”
O que significa isto para 2026?
As novas regras aerodinâmicas e de motor, que entram em vigor em 2026, são apontadas como a oportunidade ideal para equipas como a Ferrari recuperarem terreno para McLaren e Red Bull. Por isso, ouvir Lewis Hamilton — um piloto chave no projeto — admitir que o momento que vive atualmente não é o melhor e que o próximo ano o deixa apreensivo, gera alguma preocupação. Ainda assim, a resposta de Vasseur sugere:
- A Ferrari não vê as declarações como um problema estrutural, mas sim como uma reação emocional a uma época difícil.
- A equipa acredita que o potencial existe, como mostram períodos fortes ao longo de vários Grandes Prémios.
- As duas corridas finais de 2025 (Qatar com sprint e Abu Dhabi) serão fundamentais para recuperar confiança antes do inverno.

Tensão cresce, mas Ferrari mantém discurso de estabilidade
Hamilton está na fase mais frustrante desde que entrou na F1, e o desabafo pós-Las Vegas mostra a pressão acumulada em 2025. Contudo, Vasseur insiste que a equipa precisa de serenidade e foco para fechar o ano com sinais positivos. Com duas corridas ainda por disputar, a Ferrari tenta equilibrar expectativas: acalmar o seu campeão, gerir um plantel emocionalmente desgastado e concentrar-se num 2026 que, para muitos na Scuderia, continua a ser a grande esperança.











