A Liga Portugal – que até há pouco tempo anunciou um recorde para o futebol português – deu um passo decisivo rumo à centralização dos direitos televisivos, com a aprovação do modelo de comercialização dos direitos audiovisuais pelas sociedades desportivas. A proposta foi validada por mais de 95% dos clubes das duas principais ligas, numa Assembleia-Geral realizada na sede da Liga Portugal, no Porto — mas nem todos estão alinhados.
Uma decisão importante… mas não sem contestação
A reunião juntou representantes das 33 sociedades desportivas — 18 da I Liga e 15 da II Liga Portugal, sendo que cada clube do principal escalão contou com dois votos, enquanto os da II Liga tiveram direito a um, num modelo que reflete o peso competitivo de cada divisão. Entre os temas discutidos estiveram pontos-chave, como a participação no futuro leilão dos direitos, a duração dos contratos e os limites considerados essenciais na exploração televisiva, passo que é considerado como sendo fundamental para um processo que há muito vinha sendo debatido no futebol português.
Benfica marca posição isolada
Apesar da aprovação expressiva, a posição do SL Benfica destacou-se. O clube da Luz foi o único a votar contra o modelo, evidenciando claras divergências em relação à proposta apresentada. Já o CD Nacional preferiu não se comprometer, optando pela abstenção. Curiosamente, nesta sessão, nenhum dos presidentes dos chamados “três grandes” marcou presença. O Benfica foi representado por Nuno Catarino, enquanto Sporting CP, FC Porto e SC Braga também enviaram representantes institucionais.

Próxima etapa passa pela Autoridade da Concorrência
Com o modelo aprovado em sede de Assembleia-Geral, segue-se agora um passo determinante: a entrega da proposta à Autoridade da Concorrência até 30 de junho. Este organismo terá a responsabilidade de avaliar o enquadramento legal e concorrencial da centralização para a Liga Portugal. Só após este aval será possível avançar para a fase seguinte, que passa pela definição da distribuição das receitas — um dos pontos mais sensíveis e potencialmente mais fraturantes de todo o processo.
Centralização mais perto… mas não sem debate
A centralização dos direitos audiovisuais da Liga Portugal é vista como essencial para aproximar o futebol português dos principais campeonatos europeus, onde este modelo já está implementado há vários anos. A promessa é de um maior equilíbrio competitivo e uma distribuição mais justa das receitas. Ainda assim, a posição do Benfica mostra que o consenso não é total. E com a discussão sobre a divisão dos valores ainda por acontecer, é provável que o tema continue a marcar a atualidade do futebol nacional nos próximos meses.










