O dinamarquês do Lidl–Trek volta a criticar as corridas de exibição e garante que só aceitaria participar em último recurso. Formato é, para si, “espetáculo prefabricado” sem competição real.
Pedersen não poupa nas palavras sobre os critériums
Com a época de estrada encerrada e os critériums de exibição a multiplicarem-se um pouco por todo o mundo, Mads Pedersen voltou a afastar-se, de forma clara, deste tipo de provas.
No podcast “Lang Distance”, que partilha com o ex-companheiro Jakob Egholm, o dinamarquês foi direto ao ponto: não gosta do formato, não sente motivação para participar e não esconde que rejeitou vários convites.
“Não é algo que me apeteça. Já me convidaram algumas vezes, mas é, honestamente, a última coisa na minha lista”, assumiu o campeão mundial de 2019.
“Só capacetes tunados e gestos para a bancada”
Para Pedersen, o problema vai muito além da falta de competitividade. O ciclista considera que o produto que chega ao público é artificial, mais próximo de um espetáculo encenado do que de uma corrida de alto nível.
“São horríveis de ver”, atirou, sem rodeios. “No fim, trata-se de pôr um capacete tuneado, fazer um par de gestos para a bancada e pouco mais. Para isso servem.”
Na sua perspetiva, os critériums de fim de época não chegam sequer a disfarçar a ausência de luta real entre os corredores, algo que, diz, retira autenticidade ao que se passa na estrada.
Formato “sem competição real” não convence o dinamarquês
Pedersen foi ainda mais longe ao classificar estas corridas como “espetáculo prefabricado”, defendendo que o caráter competitivo é praticamente inexistente.
“Não há competição real”, sublinhou. “As pessoas podem achar giro ver as estrelas ali, mas o que acontece na estrada não tem nada a ver com a intensidade das provas da época. É tudo demasiado controlado.”
As declarações surgem poucos dias depois do Critérium de Saitama, no Japão, onde Jonas Vingegaard, bicampeão do Tour de France, venceu uma corrida de exibição e chegou mesmo a sofrer uma ligeira queda antes de selar o triunfo.
Vingegaard aplaude o ambiente, Pedersen continua de fora
Enquanto Vingegaard descreveu a passagem por Saitama como “um bom dia e uma bonita forma de fechar a temporada”, Pedersen não esconde que não se revê nesse modelo.
Nem o ambiente de festa, nem o peso comercial destes eventos, nem a presença massiva de adeptos têm sido suficientes para o convencer.
“Não digo nunca, porque no ciclismo nunca se pode fechar a porta a nada”, admitiu. “Mas, sinceramente, é o último tipo de prova em que penso quando fecho a temporada.”
Entre negócio, espetáculo e verdade desportiva
Os critériums de exibição têm ganho espaço no calendário pós-época, sobretudo em mercados emergentes, combinando presença de estrelas, patrocinadores e proximidade aos adeptos.
No entanto, as palavras de Mads Pedersen voltam a expor um debate antigo no pelotão: até que ponto estes eventos reforçam a ligação ao público ou, pelo contrário, diluem a essência competitiva do ciclismo profissional.
Enquanto alguns campeões os encaram como parte inevitável do negócio, outros, como o dinamarquês do Lidl–Trek, continuam a preferir que a camisola de corrida seja sinónimo de competição a sério e não apenas de espetáculo organizado.







