O ciclismo português foi sacudido esta quarta-feira por uma decisão implacável da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP).
A entidade máxima do controlo de substâncias proibidas em território nacional aplicou uma suspensão pesada de seis anos a Venceslau Fernandes, enquanto o já retirado Rafael Silva foi punido com quatro anos de afastamento.
Em ambos os casos, o veredito baseia-se em anomalias no passaporte biológico, um método de vigilância que tem apertado o cerco à modalidade.
Venceslau Fernandes: Fora até 2030
Aos 29 anos, Venceslau Fernandes (irmão de Vanessa Fernandes, atleta de Triatlo) enfrenta o que poderá ser o fim prematuro da sua carreira competitiva. O corredor, que representava a AP Hotels&Resorts-Tavira-Farense aquando da suspensão preventiva (novembro de 2024), recebeu a pena máxima de seis anos.
- Duração da Pena: Vigorará até 6 de novembro de 2030, pois vai se contar o tempo de suspensão preventiva.
- O Percurso: Vencedor da Volta a Portugal do Futuro (2018), o ciclista teve passagens por equipas como Liberty Seguros, Oliveirense e Feirense antes de ser travado pelas autoridades.
Venceslau Fernandes já não tinha uma carreira exemplar, depois de ser expulso em plena Volta a Portugal, por agressão física a um colega. Pode ler a notícia completa aqui.
Rafael Silva: O fantasma de 2015
Embora o seu castigo seja de quatro anos (até fevereiro de 2028), o caso de Rafael Silva é particularmente mediático pela “idade” das provas. O ex-ciclista de 35 anos, que venceu a Taça de Portugal em 2023, anunciou a sua retirada no início de 2024 logo após a notificação.
“A suspensão tem por base uma amostra/análise colhida em 2015”, revelou Silva na altura, sublinhando que, apesar de se considerar inocente, optou por não contestar a decisão para proteger a sua então equipa, a Efapel, e dada a sua idade avançada para a alta competição.
Ainda no final de 2025, António Carvalho foi suspenso também por 4 anos por “violação das normas antidopagem por uso de uma substância proibida e/ou um método proibido”. Leia a notícia completa aqui.
O que é o Passaporte Biológico no ciclismo?
Diferente de um controlo de urina “tradicional”, este mecanismo é uma ferramenta de longo prazo.
- Monitorização Contínua: Analisa variáveis biológicas (sangue e urina) ao longo dos anos.
- Deteção Indireta: Não precisa de encontrar uma substância “X”; basta que os níveis biológicos do atleta sofram oscilações que a ciência considere impossíveis de ocorrer naturalmente, indicando manipulação sanguínea ou uso de dopagem.










