O defesa-central encarnado concedeu uma entrevista ao canal Youtube JOliveira10, onde falou de vários temas sobre a atualidade da sua carreira, incluindo o treinador Marco Silva e o futuro na Luz.
António Silva ainda não sabe se renova
“Se vou renovar pelo Benfica? Não sei, ainda não sei. Há uma proposta do clube que me foi apresentada na última semana da temporada, antes do jogo do Estoril. Neste momento há contactos constantes entre os meus empresários e o clube. O futuro nunca é garantido, porque no futebol as coisas mudam muito rapidamente”, começou por explicar António Silva, que confirmou a proposta das águias, que já tinha sido avançada por Rui Costa.
“Há contactos constantes entre o clube e os meus empresários. O Benfica é o meu clube. Eu vou ser sempre feliz no Benfica porque é o que eu gosto, é o que eu mais amo”, atirou de seguida, sem esquecer, no entanto, que “há muita coisa que pesa. Num contrato não pesa só cláusula de rescisão ou salário. Há muita coisa que pesa porque é uma responsabilidade enorme renovar com o Benfica”.
Central analisa Marco Silva
“Tivemos um ano com o mister José Mourinho. Foi um ano com algumas dificuldades e falhámos, enquanto equipa, em momentos decisivos da época, nos quais poderíamos ter-nos aproximado do primeiro lugar. O Marco Silva tem muita capacidade. Esteve quatro anos na Premier League com uma equipa que tinha como objetivo a permanência e conseguiu sempre alcançar boas classificações”, começou por apontar o central português, sobre o novo treinador das águias.
Depois, o internacional luso garantiu conseguir colocar-se “no papel dos adeptos”: “As últimas épocas foram abaixo [do esperado]. Qualquer benfiquista tem essa noção e nós, que estamos lá dentro, também temos essa noção. Nos últimos 7 anos fomos campeões uma vez, com o mister Roger Schmidt, já para não falar das Taças. É muito curto. O que posso dizer é temos de trabalhar sobre isso, mas olhar para o futuro e abraçar a ideia do novo treinador, estarmos positivos, todos juntos. Só assim vamos conseguir pôr o clube onde ele deve estar que é ser campeão. É o mínimo exigível no Benfica”.
Os erros na Seleção
“Não gosto de me vitimizar. Mas acho que há uma perseguição. Há o ‘a culpa é do António'”, começou por revelar o defesa-central encarnado.
António Silva prosseguiu: “O meu trabalho sei que o faço bem. Sou o primeiro a chegar ao centro de estágios, sou o primeiro a ir ao ginásio, sou o primeiro a tomar o pequeno-almoço, sou o primeiro a ir à ‘fisio’. É a minha vida, é o que gosto e é isso que controlo”.
“Tive uma ascensão muito rápida, tudo era um mar de rosas. E depois surge um erro, dois… Algo que é perfeitamente normal, que todos os centrais têm e que ainda vão ter, e que eu também vou ter – e espero que os tenha, que é sinal que estou a jogar. Às vezes sentes que um erro teu tem um peso muito maior do que o que deveria ter. Em Portugal, o peso de ser atleta do Benfica é bastante diferente”, explicou, de seguida.
“Muita mentira contada muitas vezes passa a ser verdade. Criam-se estereótipos dos jogadores. Quando um jogador sobe à equipa A, como o Benfica é uma equipa que forma muitos jogadores, existe essa perseguição. Não é ‘flopar’, mas criticar a cada erro e comigo tomou proporções muito grandes”, atirou, de seguida, antes de lembrar um episódio na Seleção.
“A partir daí as coisas tomaram uma proporção gigante que, na minha opinião, não faz sentido. Tinha 19 ou 20 anos e até devia ser um bocadinho ao contrário. Deviam apoiar um jogador português que representa o Benfica e a Seleção. Era bom para a Seleção, para o país apoiá-lo e não dar constantes marteladas”, disse o defesa, referindo-se ao Geórgia-Portugal no Euro’2024”.
O amor pelo Benfica
“Sou um benfiquista doente por influência do meu pai e do meu irmão que é 3 anos mais velho do que eu e sempre me passou esse bichinho do clube. Após passar 10 anos da formação do clube, sempre tive o feeling que ia conseguir jogar na equipa A do Benfica. Quando o consegui, foi dos momentos mais especiais da minha vida, senão o mais especial. Saí com 10 anos de junto da minha família com o sonho de jogar na equipa A do Benfica. Concretizar esse sonho foi tudo, não só para mim, como para a minha família. Deixara-me com 10 anos seguir o meu sonho. O culminar disso tudo é eles irem ao fim de semana ao estádio e verem-me jogar”, começou por revelar.
“Eu consigo meter-me no papel dos adeptos. Quando chego a casa após um jogo, falo com o meu pai e com o meu irmão. Eles são benfiquistas da mesma maneira que tu és e eu sou. Temos perfeita noção dessa insatisfação. Os jogadores portugueses e os estrangeiros que estão há mais tempo na equipa sentem isso. Os estrangeiros que chegam ainda não têm noção para o que vêm, mas passado umas semanas começam a perceber a grandeza do clube”, prosseguiu o central.
Terminou, depois, com o seguinte: “Penso que é no momento em que entram no centro de estágio. Olham para as infraestruturas e dizem logo que é o melhor que há, que não existe em mais lado nenhum. Costumo dizer que deviam sair diretamente do aeroporto para o Museu para verem a grandeza do clube. Devem perceber as 7 finais europeias, das duas Ligas dos Campeões e das lendas como Eusébio ou Chalana. Eles também percebem a grandeza do clube quando jogam no Estádio da Luz e percebem que a exigência é máxima.”.







