A Seleção Nacional realiza esta quarta-feira frente à Nigéria o último teste antes da estreia no Mundial 2026. Na conferência de imprensa de antevisão ao encontro, Roberto Martínez abordou a preparação da equipa, a gestão do plantel, o papel de Cristiano Ronaldo e as ambições de Portugal para a competição.
Diogo Costa, Ronaldo e a ambição para o Mundial 2026: Tudo o Martínez disse
Antes do derradeiro jogo de preparação, o selecionador nacional explicou a estratégia para a Nigéria, confirmou a titularidade de Diogo Costa e garantiu que Portugal entra no Mundial com a ambição de vencer todos os encontros.
Neste último jogo antes do Mundial, podemos esperar ensaio geral para o Congo?
“Não. Porque o primeiro jogo para cinco ou seis jogadores, continuamos. É o último jogo da preparação, o foco é preparar, recuperar e dar minutos a quem precisa. O primeiro objetivo é levar os jogadores para o avião preparados para o Mundial. É o objetivo número 1. Queremos ganhar. No futebol tens de esperar o inesperado. Aconteceu com o Chile, fizemos uma primeira parte de controlo total, com o vermelho jogar 10 contra 10 atingimos um bom resultado, mas também há aspetos a melhorar. Temos uma oportunidade agora para trabalhar aspetos que são semelhantes ao que teremos diante do Congo. Uma equipa africana diferente. Um adversário exigente, que será um teste para preparar o nosso grupo. São muitos jogos que preparámos sem onze inicial. A força de Portugal é o compromisso de todos. A responsabilidade é preparar os jogadores para ajudar a equipa. Para usarem o seu talento para ganhar. A ideia é fazer onze substituições. E tentar que todos tenham minutos”
Qual o estilo de jogo desta Seleção?
“É muito fácil. É um grupo de jogadores com muito talento. Temos uma estrutura e disciplina para ganhar todos os jogos. Os números estão aí. Golos, vitórias… Compromisso total, para defender rápido, em cima, e isso é o estilo, o que temos depois de 15 anos de trabalho na formação do futebol português. Outro aspeto é o tático. É algo diferente de falar da nossa estrutura tática. O estilo é o que temos. A tática, já disse no primeiro dia. A ideia é ter flexibilidade tática para ajustar o talento individual dentro da estrutura da equipa. E isso é o que estamos a trabalhar. É muito difícil para pessoas de fora falar do aspeto tático, mas o estilo é fácil e definido”
Pode ser o último jogo de Ronaldo em Portugal? Como o tem visto?
“O nosso capitão é um exemplo para o dia a dia. São 24 horas a dar tudo para ajudar a Seleção. Eles não pensam no futuro. Não sabemos. Há lesões. Há decisões que não estão nas tuas mãos. Foco é treinar, ser o melhor, executar os conceitos. Mostrar orgulho de vestir a camisola. É esse o exemplo dele. O único objetivo dele é usar o amanhã para melhorar”
Final de época… Em que ponto de preparação está a Seleção?
“Não é o fim de época. Agora é o começo de época… O balneário tem frescura, alegria… Os que jogaram na Champions já estão totalmente recuperados. Agora é reativar e recomeçar o aspeto físico para o Mundial. Lá haverá dois Mundiais. Estamos preparados para os três primeiros jogos. No Mundial é preciso melhorar muito nesses três jogos. É aqui onde podemos pensar no segundo Mundial. Temos amanhã um bom jogo, dia de Portugal, precisamos dos adeptos, a energia que tivemos no Jamor ajudou muito no aspeto psicológico. Que amanhã seja um passo em frente nessa preparação”
Planos para João Cancelo, jogou o jogo todo com o Chile
“Todos os jogadores que jogaram mais de 45 minutos recuperaram muito bem. A nossa ideia era o João Cancelo ter mais de 45 minutos. O seu estilo e capacidade física permite isso. Como Bruno Fernandes, Ruben Dias. Há jogadores que precisam de aspetos fisicamente diferentes. Amanhã temos só a limitação do Rafael Leão. Todos os outros estão preparados. Na baliza o Diogo Costa vai jogar os 90 minutos. É o nosso guarda-redes número 1, é uma posição que precisa de muita clareza. Nas posições de campo são para utilizar amanhã e que seja um jogo com muitos jogadores, mas com a mesma intensidade e ideia. Para ganhar o jogo juntos”
Adversários desta preparação
“É uma mistura importante. Estamos a falar de uma equipa asiática, com treinador europeu com muita experiência em Mundiais. É uma equipa que tem clareza tática muito forte. O resto é uma mistura. Também há um aspeto de desconhecido. Não sabemos como uma equipa que nunca jogou um Mundial pode ajustar num jogo. Durante 3 ou 4 é fácil esperar um nível. Durante o jogo, já tive essa experiência contra o Panamá, há um aspeto inesperado, pois não consegues preparar o nível a que podem chegar. É uma final nas suas carreiras. O Chile, o aspeto emocional, de duelos, é muito semelhante à Colômbia. A Nigéria é muito diferente do Congo, mas tem aspetos semelhantes ao Congo. A capacidade dos atacantes, os espaços da linha defensiva, muitos jogadores na zona central. O aspeto tático é diferente, mas culturalmente há aspetos semelhantes. Os quatro adversários deram tudo aquilo que precisamos para a fase de grupos”
Nunca um selecionador estrangeiro foi campeão…
“É um desafio que adoro. A minha carreira está cheia de desafios assim. É o primeiro Mundial com este formato. Acho que é o momento especial para fazer uma conquista, algo que nunca foi feito”
Meta mínima, Pedro Proença falou nos ‘quartos’?
“O presidente é uma pessoa tem a sua opinião. Respeito a sua opinião. O Mundial são 3 jogos. É muito chato dizer isso, mas é a realidade. O foco é o jogo de amanhã. Depois os três jogos a seguir. A ideia é ganhar tudo, ganhar oito jogos. Seja nos 90, aos 120 ou nos penáltis. O que podemos controlar é a atitude, mostrar talento, arriscar, com a personalidade que mostrámos na Liga das Nações”
Episódios extra-jogo no Mundial…
“Não me preocupa. Estamos a falar de um Mundial. Aconteceu o mesmo em todos os Mundiais. É a maior competição do mundo. Fazem parte do que significa estar num Mundial. Nós só preparámos o treino, recebemos o Presidente da República, sempre portas fechadas. Preparar o jogo de amanhã e mais nada”
Análise à Nigéria
“Gosto muito ideias do selecionador da Nigéria. A forma como muda. Utiliza muito bem as valências da sua equipa. Atacantes muito rápidos e fortes. Estio diferente do Chile. É importante trabalhar isso. Quando há jogos pela seleção, o trabalho é sempre consequência para ganhar. Precisamos de fazer o que fizemos bem. O trabalho na Seleção é importante todos os dias. O jogo do Chile acelerou muito, pois foi melhor ganhar 2-1 do que 2-0, para ver os aspetos a melhorar. Amanhã o mesmo. Vamos tentar ganhar, mostrar clareza no que queremos no relvado. Abrir competitividade no relvado. E no final celebrar com os adeptos o último jogo do Mundial”
Ponderou dar minutos a Ricardo Velho?
“É um equilíbrio o que todos precisam. Era importante o José Sá e o Rui Silva tivessem minutos, mas também recuperar o Diogo Costa, pois esteve acima dos 4000 minutos. A sua preparação para o primeiro jogo precisava de mais treinos. O Ricardo está a trabalhar muito bem. A posição do guarda-redes é muito importante ter 90 minutos antes de um Mundial. Para o Diogo Costa foi o processo perfeito. É o começo da nova época. O Diogo desligou e agora começa a nova época. E faz sentido jogar os 90 minutos amanhã”
Trincão: “Chego na minha melhor forma ao Mundial”
Antes de Roberto Martínez, Francisco Trincão também esteve presente na sala de imprensa e mostrou-se confiante para a competição.
Sente pressão?
“Acima de tudo diria entusiasmo, experiência única. Não tenho muita experiência, mas estou entusiasmado para ajudar de que forma for”
Pelo que vai assistindo dos colegas, há sentimento de que é a maior oportunidade?
“Temos que ter sempre confiança, que acreditar. Torneio muito difícil. Mas temos jogadores incríveis, com qualidade. Temos de acreditar, com a crença de que podemos fazer algo bonito”
Como está fisicamente?
“Estou ótimo. Estes dias servem para adaptar da melhor forma possível. O importante é preparar o Mundial para estar bem fisicamente”
Jogar por dentro ou por fora?
“Não influencia muito. O jogo tem muitas movimentações, estou preparado para ambas. Depende do adversário, do jogo em si. Estou preparado seja fora ou dentro”.
Conversas com Luis Suárez
“Falámos bastante. Brincámos, a dizer que ele ia ficar em segundo e nós em primeiro. Foi a brincadeira no balneário durante algum tempo. Falámos sobre trocar camisolas…”
Época prolongada, estar na montra
“Estou bem fisicamente. Tive estes dias para recuperar, tive férias antes do estágio. O foco é ajudar, ganhar o máximo de jogos possíveis e o resto não interessa muito”
Melhor época?
“Sinto que estes últimos anos desenvolvi o meu jogo, mentalmente também. Acredito que estou na melhor fase, mas quero melhorar e estar num nível acima. Chego na minha melhor forma ao Mundial”
Carga emocional do jogo de Leiria?
“Não influencia nada em nós. Vamos jogar o jogo e mais nada”
Olhando para a primeira jornada, o que pode ser preparado? Nigéria para testar o Congo… Que imagem querem deixar?
“Aproveitar o jogo. São duas seleções parecidas. São físicas. Temos de focar no que temos treinado. Olhar para o que podemos fazer e tirar alguma nuance do que tenham de parecido”
Como vão abordar o jogo?
“Vamos tentar dar o nosso melhor. Uma equipa similar ao Congo. Vamos jogar o que treinámos. Tentar focar em nós mesmos do que na Nigéria. Será difícil. Tentaremos fazer um bom jogo e chegar ao Mundial confiantes”









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