Tenista portuguesa ultrapassou a primeira ronda de qualificação no Grand Slam francês, no primeiro jogo que realizou nesse torneio, que é histórico para Portugal.
Matilde Jorge avança em Roland Garros
A tenista portuguesa Matilde Jorge estreou-se hoje com um triunfo em Grand Slams, ao ultrapassar a norte-americana Elvina Kalieva, em dois parciais, na primeira ronda da fase de qualificação de Roland Garros.
O primeiro encontro no ‘qualifying’ do ‘major’ de terra batida parisiense correu de feição à vimaranense, atual 251.ª colocada do ranking, que se impôs frente a uma adversária (135.ª) mais cotada na hierarquia, por 7-6 (7-4) e 7-5, ao cabo de duas horas e 12 minutos.
Na segunda ronda de qualificação, Matilde Jorge vai defrontar a norte-americana Mary Stoiana (146.ª).
Na terça-feira, igualmente na mesma fase, será a vez da irmã Francisca Jorge (205.ª) iniciar a participação no torneio, diante da chinesa You Xiaodi (175.ª).
No final da partida, a tenista portuguesa concedeu uma entrevista ao jornal Record, onde analisou todo o encontro:
Que balanço se pode fazer deste encontro?
“Estou bastante feliz. Senti que estava bastante motivada para jogar este primeiro Grand Slam. Acho que fiz uma boa prestação. Eestive sempre com um bom nível do início ao fim. Ali no 5-0, senti que foi também mérito da adversária quando tive a oportunidade para fechar. Acho que ali a partir, se calhar, do 5-3, a bola não estava a fazer tanto dano, digamos assim. Mas consegui me manter no jogo. Tentei continuar à procura do que estava a fazer bem, do que estava a funcionar no resto do jogo, porque sabia que era por aí o caminho. Estou bastante feliz com a minha vitória. Agora é descansar o máximo possível para, na quarta-feira, estar outra vez a fundo.”
Como é que foram esses momentos em que esteve na frente, e a sua adversária conseguiu sempre manter-se no encontro? Onde a Matilde foi buscar aquele extra para conseguir fechar?
“Sim, eu acho que estive a jogar a um bom nível tanto no primeiro como no segundo set. As adversárias também jogam muito bem. Elas conseguem, mesmo eu estando a jogar bem, jogar bem e nivelar. Eu tentei manter-me sempre ali presente no jogo, a tentar dar o meu máximo. Acho que mereci também por isso, porque me mantive sempre à procura, sempre durante todo o jogo e todos os pontos. Acho que recebi esse prémio da vitória por causa disso.”
Houve ali um momento de dúvida? Quando ela empatou a 5-5, a Matilde gritou, foi isso também que, de uma maneira, a libertou?
“Senti que estava a precisar de me libertar de uma maneira. Atirar a raquete ou atirar a bola para fora do campo, podia levar multa e não era uma coisa que eu queria. Por isso, (esse grito) foi uma maneira de eu conseguir libertar alguma frustração e conseguir, de novo, voltar ao jogo.”
Mas consegue explicar aquele momento em que está 5-0, depois a norte-americana consegue chegar ao 5-5. Há uma explicação ou não?
“Eu sinto que ali no 5-3, fui eu que perdi um bocado de qualidade de bola. Mas até ao 5-3, no segundo set, eu acho que foi mérito dela. Estava a jogar bem, mas ela meio que se soltou e estava a jogar bem. Eu não estava a fazer nada diferente. Então eu não estava a conseguir criar tanta dificuldade à outra. E fiquei ali, se calhar, a pensar tipo: o que é que eu tenho de mudar, se tenho de mudar ou não. Mas a verdade é que eu não tinha de mudar. Acho que foi só perder um bocadinho de intensidade de pernas ou de energia. E fui tentar buscar isso de volta.”
Como é que foram as sensações, pela primeira vez aqui em Roland-Garros, com frio, chuva e público barulhento?
“Eu nunca tinha jogado aqui e nunca tinha vindo cá mesmo para ver, porque sempre disse a mim própria que a primeira vez que eu queria vir era para jogar. Eu já sabia porque ao ver os outros jogos dos outros portugueses, nos anos anteriores, sabia o ambiente que podia ser. E, mesmo, enquanto estava à espera para jogar, eu percebia o ambiente que podia acontecer. Mas tentei mesmo focar-me, tentei abstrair-me. Às vezes, não é fácil. Eu conseguia ouvir tudo, mas era estar concentrada no jogo. Acho que estive bem nisso, de conseguir abstrair-me de tudo o que estava a passar à volta e estar focada no jogo.”
Agora é a Mary Stoiana na próxima ronda. Como é que podemos antever esse encontro?
“Por acaso não a conheço. Eu soube há bocado que ia jogar contra ela. Não faço ideia quem é, mas sei que é mais uma adversária bastante dura, bastante competente. Vou amanhã treinar e também estudar sobre a adversária para me preparar o melhor possível para quarta-feira.”
O objetivo é o quadro principal ou não se coloca essa meta?
“Eu vim para aqui, nunca joguei, então estou muito no jogo a jogo, mas acredito que estou no nível que todas estas jogadoras estão. Acredito que também mereço e tenho nível para estar aqui a competir contra qualquer uma, mas não tenho o objetivo de quadro principal, mas o objetivo de ganhar a próxima ronda. Por isso é jogo a jogo.”
Frederico Silva eliminado na primeira ronda
Já o tenista português Frederico Silva despediu-se do seu regresso aos Grand Slams na primeira ronda da fase de qualificação de Roland Garros, ao perder em três sets com o argentino Federico Agustín Gómez.
Primeiro luso a entrar em ação no ‘qualifying’ do segundo ‘major’ da época, o 235.º jogador mundial perdeu por 6-3, 6-7 (5-7) e 6-3, diante do 181.º classificado da hierarquia ATP, em duas horas e 24 minutos.
Aos 31 anos, Frederico Silva participou num Grand Slam pela primeira vez desde agosto de 2023, quando caiu na primeira ronda do ‘qualy’ do Open dos Estados Unidos.
Apenas por uma vez na sua carreira, ‘Kiko’ disputou o quadro principal de um ‘major’, mais concretamente no Open da Austrália, em 2021, sendo eliminado na primeira ronda pelo conceituado Nick Kyrgios, por triplo 6-4.
Em Roland Garros, Silva esteve três vezes, tendo como melhor resultado a terceira ronda da fase de qualificação em 2020 e 2023.
Esta edição do único Grand Slam disputado em terra batida é histórica para Portugal, que pela primeira vez terá sete tenistas a disputar um Grand Slam.









