A desclassificação dupla da McLaren abriu uma porta que parecia parcialmente fechada (isto porque matematicamente ainda era possível) — e agora Max Verstappen volta a sonhar com o quinto título consecutivo.
A madrugada de domingo no GP de Las Vegas de F1 tornou-se um dos momentos mais surpreendentes da temporada 2025. O que parecia ser mais uma etapa favorável à McLaren, transformou-se num abalo sísmico no Mundial de Pilotos, logo começando pela perda da primeira posição de Norris na primeira curva, precisamente para Max Verstappen, e terminando, já depois do fim da corrida, com a desclassificação de Lando Norris e Oscar Piastri, devido ao desgaste irregular da prancha do assoalho.
O castigo devolveu o campeonato a um ponto de ebulição, com apenas 24 pontos a separar Norris de Max Verstappen, e Piastri agora empatado com o neerlandês. Com duas corridas por disputar — sendo que o GP do Qatar inclui corrida sprint — há ainda 58 pontos em jogo, suficientes para transformar uma vantagem aparentemente sólida numa disputa aberta até ao fim. E, pela primeira vez desde setembro, falamos novamente de uma possibilidade real (além da matematicamente possível): Max Verstappen pode mesmo ser pentacampeão.
24 points separate them! 🤯
— Formula 1 (@F1) November 23, 2025
It's all to play for heading into the final two rounds 👀#F1 #LasVegasGP pic.twitter.com/ahv08Yf3T4
Norris lidera, mas sob pressão máxima
Antes da desclassificação, Norris parecia encaminhado para o título: somava 408 pontos e deixava Verstappen a 42. Mas a infração técnica mudou tudo — e, na F1 1, tudo significa tudo. Max Verstappen, apesar de no terceiro posto pela luta e de ser possível, mas não estar dependente apenas de si, continuava a ter esperanças num golpe de sorte bem como de génio. E foi precisamente isso que aconteceu em Las Vegas. A sorte de Max Verstappen foi o azar da McLaren e o tal golpe de génio foi ganhar a corrida, com Norris no seu encalço. Verdade é que, após o final apoteótico do GP de Las Vegas de F1, tudo mudou e aquilo que parecia possível mas difícil, passou a ser, contas feitas, bem mais possível.
- Lando Norris — 390 pontos
- Max Verstappen — 366 pontos
- Oscar Piastri — 366 pontos
Com apenas duas etapas restantes, incluindo uma sprint, o britânico mantém a dianteira, mas agora com margem curta e vulnerável. E pior: vai para Catar e Abu Dhabi a saber que qualquer erro pode ser fatal. Ou seja, a McLaren que até aqui vinha a viver uma temporada de sonho, marcada pela conquista do Mundial de Construtores, e com ambos os pilotos na luta direta pelo título, vive agora momentos de tensão. Por um lado, há uma “guerra” interna entre Norris e Piastri, que pode deitar tudo a perder, por outro, há agora um Max Verstappen empatada com Piastri e apenas a 24 pontos de Norris, menos do que os pontos atribuídos por vitória de um grande prémio.
A matemática do título: como max Verstappen ainda pode ser campeão
A luta pelo título passa agora por uma série de cenários precisos — e nada simples. Mas todos dependem de uma coisa: Max Verstappen tem de vencer. Sempre. Ainda que tudo não esteja apenas dependente do piloto neerdelandês.
Cenário 1 — O caminho mais direto: vencer tudo
Para ser pentacampeão, Verstappen precisa de:
- Vencer o GP do Qatar
- Vencer a Sprint do Qatar
- Vencer o GP de Abu Dhabi
E, ao mesmo tempo:
- Norris não pode marcar mais de 33 pontos
(tem de terminar 4.º ou pior nas duas corridas, e sem pontos na sprint) - Piastri não pode terminar acima de 2.º em nenhuma das provas
É um cenário exigente — mas não impossível, sobretudo porque:
- A McLaren tem oscilado sob pressão.
- O Qatar historicamente desgasta pneus e castiga erros.
- Verstappen mostrou em Las Vegas que o Red Bull voltou a ter ritmo para ganhar corridas em puro desempenho.
Cenário 2 — Verstappen não ganha a sprint, mas ganha as duas corridas
Se Verstappen falhar a vitória na sprint, ainda assim pode ser campeão, desde que:
- Norris marque 25 pontos ou menos
- Piastri marque 49 pontos ou menos
Isto inclui cenários em que:
- Norris abandona no Qatar
- Norris termina fora do top 5 numa das provas
Cenário 3 — O cenário caótico: Norris falha a pontuação
Caso Norris não marque pontos na sprint e na corrida do Qatar, e Verstappen vença ambas, o neerlandês chegaria a Abu Dhabi à frente do britânico — algo que parecia impossível há 2 dias. Piastri entraria na última etapa ainda vivo, mas dependente de bater MAx Verstappen diretamente, algo que, até agora, só conseguiu de forma esporádica.
A pressão muda de lado — e a história também pesa
Se há algo que a F1 ensinou nas últimas épocas, é que Norris treme nos momentos decisivos, enquanto Verstappen se torna (ainda) mais frio do que já é habitual. A liderança curta do britânico, embora merecida, nunca foi testada sob um cenário tão adverso. Já Verstappen, mesmo fora da sua época mais dominante, mantém uma capacidade quase clínica para extrair vitórias quando mais importam. E com a Red Bull a reencontrar competitividade desde Austin, o momentum voltou-se de forma inesperada para o lado do campeão em título.

Final de temporada que ninguém previu
O que era uma luta quase resolvida transformou-se agora numa plena corrida a três, onde:
- Piastri tem de atacar;
- Norris tem de sobreviver, sem deixar de atacar;
- Verstappen tem de ser perfeito.
E, acima de tudo, onde o penta, que parecia um sonho distante, está novamente ao alcance das mãos do neerlandês. Se a F1 vive de imprevisibilidade, então de uma coisa estamos certos, 2025 acaba de subir um patamar.











