A preparação para a temporada de 2026 da F1 poderá sofrer uma mudança inesperada, depois de a FIA aceitar rever um ponto-chave do regulamento técnico dos novos motores, numa decisão que pode afetar, em particular, a Mercedes e as equipas que utilizam as suas unidades motrizes.
A “zona cinzenta”
No centro da controvérsia reside a taxa de compressão, um parâmetro técnico essencial no desempenho dos motores de combustão interna. De acordo com os regulamentos definidos pela FIA — que se viu obrigada a tomar medidas — os motores estão limitados a uma compressão máxima de 16:1, regra pensada para garantir equilíbrio competitivo. No entanto, tudo indicava que Mercedes e Red Bull tinham identificado um vazio regulamentar, que lhes permitiria operar com uma compressão próxima de 18:1, sem infringir, tecnicamente, o que estava previsto na “lei”.
Ou seja, a polémica com a Mercedes Red Bull já não é nova, e talvez tenha ficado ainda mais ao rubro durante os testes realizados em Barcelona, onde se percebeu claramente que a Mercedes tinha encontrado soluções para maximizar a compressão do motor, explorando a forma como o valor era oficialmente medido. A regra previa medições a temperatura ambiente, o que permitia que, em condições reais de funcionamento, a compressão atingisse valores superiores, traduzindo-se em ganhos de performance. Toto Wolff, líder da Mercedes, já havia pedido clareza sobre esta questão, exigindo diretrizes claras e consistentes sobre este tema.
The move is aimed at clarifying regulation enforcement and avoiding further disputes, with manufacturers such as Audi playing a key role in pushing for clearer control methods. pic.twitter.com/LBanvzlw7P
— F1grids (@F1gridx) February 6, 2026
FIA prepara nova forma de medição
No entanto, a Ferrari, Audi e Honda consideraram que esta interpretação criava uma vantagem artificial e pressionaram a federação internacional a corrigir o regulamento. De acordo com informações avançadas pela imprensa italiana, a FIA — que também já teve que lidar com outras áreas cinzenta do regulamento — terá aceite os argumentos apresentados pelos rivais, preparando-se, assim, para alterar o método de medição da compressão dos motores. A partir de agora, o procedimento deverá ser feito com o motor aquecido e em funcionamento em ralenti, mudança que poderá entrar em vigor já para o arranque da temporada, previsto para o GP da Austrália, sem necessidade de unanimidade entre os fabricantes, bastando uma maioria simples para aprovação formal.
Impacto pode ir mais além
Caso a alteração seja confirmada, não será apenas a Mercedes a sentir consequências. Equipas clientes do fabricante alemão, como a McLaren — atual campeã do mundo e dona de um significativo número de títulos de construtores —, a Williams e a Alpine, também poderão ver a sua competitividade afetada numa fase crucial de preparação para a nova era técnica da categoria. Entretanto, fontes do paddock indicam que a Red Bull Powertrains, inicialmente neutra na discussão, terá passado a apoiar a proposta de alteração, reforçando o bloco favorável à mudança e praticamente assegurando a aprovação do novo método.
🚨 | Toto Wolff sobre a polêmica dos motores e os protestos das equipes:
— Mercedes-AMG F1 Brasil 🇧🇷 (@MercedesAMGF1BR) February 2, 2026
“Então, simplesmente se organize. Pare de fazer reuniões secretas, escrever cartas e inventar métodos de teste que não existem.”
“Talvez sejamos todos diferentes, talvez você queira encontrar desculpas… pic.twitter.com/qdfbuHNtkx
Nova era da F1 começa já sob forte tensão técnica
A introdução dos regulamentos de 2026 já prometia alterar profundamente o panorama competitivo, mas esta decisão pode realmente influenciar toda a preparação de algumas equipas, marcando agora um novo ponto de partida para estas. A Mercedes será, provavelmente, aquela que mais poderá sofrer com as novas regras impostas e a FIA continuará atenta a pequenas (re)interpretações do regulamento que possam representar ganhos ou perdas enormes, numa modalidade onde milésimos de segundo fazem toda a diferença.
Resta agora perceber se a Mercedes conseguirá adaptar-se rapidamente à nova medição ou se o equilíbrio de forças será novamente redefinido antes mesmo de a temporada arrancar. Certo é, e os dados continuam a confirmar isso, a época de 2026 será uma das mais imprevisíveis dos últimos anos na F1.











