O piloto português Miguel Oliveira vive os primeiros quilómetros na M 1000 RR, em Jerez, e inicia um dos capítulos mais desafiantes da sua carreira. Veja o que está em jogo, como decorre o teste e o que muda agora para 2026.
O Mundial de Superbike regressa a Jerez para o segundo teste oficial de inverno, e esta semana marca um momento histórico para o motociclismo português: Miguel Oliveira realiza o seu primeiro teste real numa Superbike de especificação completa, preparando a transição para o WSBK em 2026 ao serviço da ROKiT BMW Motorrad WorldSBK Team. Pouco mais de um mês depois do shakedown inicial no mesmo circuito, o paddock volta à ação com uma grelha muito mais completa, incluindo vários estreantes de peso. Para Miguel Oliveira, Somkiat Chantra e Jake Dixon, estes dois dias representam o primeiro contacto sério com máquinas derivadas de produção, totalmente distintas dos protótipos do MotoGP onde construíram a carreira.
Chuffed for Miguel. BMW is a sweet gig. #WSBKhttps://t.co/tWUAKLuwjr pic.twitter.com/Melrw8V86v
— Katie A (@AdamsKateMa) September 30, 2025
Nova BMW, nova etapa: a formação Oliveira–Petrucci abre ciclo inédito
A BMW entra em 2026 com uma estrutura profundamente renovada. Com Toprak Razgatlioglu a deixar o WSBK rumo ao MotoGP e Michael van der Mark a assumir funções de desenvolvimento, a marca alemã aposta numa dupla experiente e versátil:
- Miguel Oliveira, o piloto português com mais vitórias na era MotoGP;
- Danilo Petrucci, que mantém o lugar após duas épocas consecutivas a terminar no top-5 do campeonato.
Juntos, iniciam agora o processo de compreender o ADN da BMW M 1000 RR, delinear uma direção técnica comum e definir os primeiros passos da preparação para uma temporada que promete grandes mudanças.
Jerez, dias decisivos: oito horas diárias de adaptação intensa
O teste decorre entre 26 e 27 de novembro, entre as 9h00 e as 17h00 (GMT+1), oferecendo aos pilotos 16 horas completas para:
- Ajustar ergonomia e eletrónica
- Experimentar mapeamentos de motor e controlo de tração
- Testar compostos de pneus
- Compreender limites de travagem e estabilidade
Para Miguel Oliveira, que chega de 15 anos em protótipos, estes detalhes são cruciais. A M 1000 RR reage de forma diferente em travagem, entrada de curva e gestão eletrónica, obrigando o português a reformular o estilo de condução construído ao longo de toda a carreira.
Porque este teste é tão importante no caminho para 2026
O primeiro contacto sólido com a Superbike da BMW serve para Oliveira:
- Perceber o comportamento da moto derivada de produção, mais pesada e com eletrónica distinta;
- Começar a adaptar o seu estilo de pilotagem, especialmente no momento de travagem e saída de curva;
- Avaliar limitações do chassis e da eletrónica, que funcionam de forma muito diferente da MotoGP;
- Criar uma base técnica comum com engenheiros e telemetristas, essencial para a evolução ao longo de 2025 e 2026.
Este teste não define ritmos de corrida nem tempos finais — mas define tudo o que vem a seguir. É o verdadeiro início do projeto Miguel Oliveira–BMW, aquele que determinará até onde o português poderá chegar no competitivo universo do WSBK.

Novo desafio, mas uma ambição antiga
Apesar da mudança profunda, Miguel Oliveira encara a estreia no WSBK com entusiasmo. Longe da pressão extrema do MotoGP e integrado numa equipa com forte investimento técnico, o português vê no Mundial de Superbike uma oportunidade para voltar a ganhar consistência competitiva, lutar por resultados regulares e construir um projeto a longo prazo. 2026 será o ano de estreia, mas é agora, em Jerez, que tudo começa — com dados, sensações, acertos e as primeiras respostas sobre o futuro do piloto português nas Superbikes.











