Miguel Oliveira foi uma das figuras em destaque no Festival ECO, onde participou num painel dedicado à liderança, à velocidade de decisão e à adaptação tecnológica. O piloto português, atualmente no WSBK, partilhou experiências da sua carreira no motociclismo e deixou uma visão muito própria sobre inteligência artificial, pressão competitiva e o papel humano num desporto cada vez mais tecnológico. Ao lado de Sofia Tenreiro, CEO da Siemens Portugal, o piloto de Almada integrou a conversa intitulada “A arte da decisão a 300 km/h”, numa sessão que cruzou o universo empresarial com a realidade da alta competição.
Miguel Oliveira speaks about leadership, fear and AI with the topic "A arte de decisão a 300 km/h" (transl. The art of decision-making at 300 km/h) at the Festival Eco held at CCB Lisboa in a debate on rapid decision-making, innovation and adaptation to change. #MO88 #WorldSBK pic.twitter.com/zk44TxVtJm
— FEp 👩 (@fadiyahrizm) May 28, 2026
Miguel Oliveira afasta cenário de motos conduzidas por IA
Num debate inevitavelmente marcado pela crescente presença da inteligência artificial em diferentes áreas da sociedade bem como da nossa vida, Miguel Oliveira mostrou-se bastante cético quanto à possibilidade da tecnologia substituir verdadeiramente o piloto em competição. O português considera que a exigência física e sensorial do motociclismo continua muito distante daquilo que um sistema automatizado poderá reproduzir nos próximos anos.
“Um robô conduzir uma mota, pelo menos ao nosso nível, não vejo acontecer”, afirmou o piloto português durante a conversa.
A explicação surge associada às características únicas da modalidade. Miguel Oliveira descreveu o motociclismo de velocidade como um desporto profundamente desequilibrado do ponto de vista físico, onde o corpo está constantemente sujeito a forças assimétricas e, de um certo ponto de vista, igualmente imprevisíveis.
“Vamos sofrer muita força nos braços, e os membros inferiores também têm um esforço assimétrico muito grande”, explicou.
A análise do piloto português acompanha, aliás, uma tendência crescente no MotoGP e no WSBK, onde os dados recolhidos pelas motos são cada vez mais sofisticados, mas continuam dependentes da sensibilidade e respetiva interpretação do piloto.
Miguel Oliveira é peremptório: “Ainda nada substitui o ser humano”
Ao longo da conversa, Miguel Oliveira voltou várias vezes à ideia de que a componente humana continua a ser determinante no motociclismo moderno, mesmo numa era dominada pela telemetria e pela análise de dados em tempo real. O piloto português reconheceu a importância dos engenheiros e da tecnologia no rendimento das equipas, todavia, deixou claro que existem sensações impossíveis de traduzir apenas através dos números. “Ainda nada consegue substituir a máquina de sensores que é um ser humano”, afirmou. Com algum humor, o piloto revelou também alguns episódios (segundo ele até demasiado frequentes) de divergência entre quem está em pista e quem acompanha a corrida a partir das boxes.
“Já tive muitas discussões com engenheiros que nunca andaram de moto”, confessou, antes de ilustrar uma dessas situações com muito humor: “Ele diz que não vai chover e nós estamos na pista a ver a chuva”.
A importância da tranquilidade para competir ao mais alto nível
Conhecido pela postura calma e discreta dentro e fora das pistas, Miguel Oliveira falou ainda sobre a gestão emocional exigida por uma modalidade onde as decisões são tomadas em frações de segundo. O piloto português considera que a tranquilidade mental é essencial para manter competitividade num ambiente tão extremo. “Qualquer piloto, para andar rápido em pista, tem de estar tranquilo e acreditar em si próprio”, explicou. A frase que mais reações provocou na assistência, que desabou em risos, acabou por resumir, de forma simples, os riscos associados ao motociclismo de alta competição.
“Entre a glória e o hospital não há uma grande distância”, disse Miguel Oliveira, arrancando várias gargalhadas no auditório. Esta é uma frase particularmente dura para o piloto português, tendo em conta que continua a recuperar fisicamente de lesões sofridas na temporada de WSBK 2026, depois do violento acidente em Balaton Park, na Hungria.
Miguel Oliveira mantém estatuto de referência do motociclismo português
Apesar das dificuldades físicas enfrentadas nos últimos anos, Miguel Oliveira continua a ser uma das principais figuras do motociclismo português e uma voz respeitada dentro do paddock internacional. O piloto soma cinco vitórias em Grandes Prémios de MotoGP, além de vários pódios na categoria rainha, mantendo-se como o português mais bem-sucedido da história do Mundial de motociclismo. Agora no WSBK, com a BMW, Miguel Oliveira continua também diretamente ligado a várias iniciativas ligadas à inovação, segurança e desenvolvimento tecnológico no desporto motorizado.

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