Já não restam grandes dúvidas quando ao facto de Miguel Oliveira ter construído uma carreira de enorme relevância e consistência no motociclismo mundial, passando por Moto3, Moto2, MotoGP e agora pelo Mundial de Superbikes. Porém, ao longo desse percurso houve outros dois principais adversários sempre demasiado presentes: o azar e as respetivas lesões.
Entre quedas de responsabilidade própria, incidentes provocados por outros pilotos e acidentes com impacto considerável, Miguel Oliveira acumulou vários períodos de paragem, períodos esses que acabaram por influenciar temporadas inteiras, nalguns casos, bem como momentos importantes da sua evolução competitiva. A mais recente lesão, sofrida em 2026 no Mundial de Superbike, voltou a atingir uma das zonas mais frágeis do corpo do piloto: o ombro esquerdo e a região da escápula.
2015 e 2016: A(s) primeira(s) grande limitação física na Moto2
Ainda ao serviço da KTM em Moto2, Miguel Oliveira sofreu uma fratura no metacarpo da mão esquerda durante uma queda nos treinos livres. O acidente aconteceu no GP da Alemanha e obrigou o português a competir fisicamente limitado numa fase importante da temporada. Apesar disso, conseguiu continuar em pista pouco tempo depois, demonstrando desde cedo uma elevada capacidade de recuperação. Já em 2016, seria uma fratura na clavícula, sofrida em Espanha, no GP de Aragão, que o iria deixar afastado nos quatro grandes prémios seguintes.
2019: O ombro começa a tornar-se um problema recorrente
Já na estreia na MotoGP com a KTM Tech3, Miguel Oliveira sofreu uma das lesões mais importantes da fase inicial da carreira na categoria rainha. No GP da Grã-Bretanha, um acidente provocado por Johann Zarco deixou sequelas importantes no ombro. A situação agravou-se posteriormente no GP da Austrália. As dores persistentes acabaram por obrigar Miguel Oliveira a falhar as últimas três corridas da temporada para ser submetido a cirurgia.
A compilation of Miguel Oliveira being slammed into
by u/CEOofCoitus in motogp
2023: Um dos anos mais difíceis da carreira
A temporada de 2023 ficou marcada por vários acidentes e sucessivas limitações físicas. Logo na abertura do campeonato, no GP de Portugal em Portimão, Miguel Oliveira foi abalroado por Marc Márquez. O acidente causou uma forte contusão na perna direita e afastou o português das corridas seguintes.
Poucas semanas depois, no GP de Espanha, voltou a sofrer um forte impacto após contacto com outro piloto. Dessa vez sofreu uma lesão de Hill-Sachs no ombro, uma lesão associada a deslocações traumáticas da articulação. A recuperação prolongou-se durante cerca de oito semanas.
Quando parecia recuperar estabilidade física, surgiu novo contratempo no GP de França, após uma colisão com Fabio Quartararo. O ombro voltou novamente a ressentir-se, aumentando a instabilidade física numa época particularmente complicada.
2024: Fratura no braço direito na Indonésia
Em setembro de 2024, já com a Aprilia Trackhouse, Miguel Oliveira sofreu nova queda importante durante o GP da Indonésia. O acidente provocou uma fratura do rádio do braço direito, obrigando o piloto português a ser operado para colocação de uma placa. Além da intervenção cirúrgica, o tempo de recuperação obrigou a uma nova pausa competitiva numa fase em que procurava estabilidade dentro do projeto norte-americano da Aprilia, algo que acabou por nunca acontecer.
2025: Nova lesão séria no ombro esquerdo
A passagem para a Yamaha Pramac, em 2025, começou com expectativa elevada, contudo, depressa o azar voltava a bater à porta da carreira do português, que voltava a ser interrompida por problemas físicos. Na Sprint Race do GP da Argentina, Miguel Oliveira sofreu uma deslocação da articulação esternoclavicular após contacto com Fermín Aldeguer. A lesão afetou os ligamentos do ombro esquerdo e obrigou o piloto português a falhar várias corridas. Mais uma vez, a zona do ombro esquerdo revelou-se particularmente vulnerável, sobretudo devido ao histórico acumulado de impactos anteriores.
2026: O acidente mais violento dos últimos anos
Já no Superbike World Championship e ao serviço da BMW, e depois de começar a dar claros sinais de uma boa adaptação à nova modalidade e demonstrar em pista que era o único a conseguir “incomodar” a hegemonia da Ducati, Miguel Oliveira sofreu em Balaton Park um dos acidentes mais duros da carreira recente. Na Superpole Race da ronda da Hungria, o português acabou involuntariamente envolvido num incidente entre Andrea Locatelli e Sam Lowes.
A mota de Locatelli atingiu violentamente Miguel Oliveira, que caiu de forma desamparada no asfalto. Os exames realizados posteriormente confirmaram fraturas na escápula esquerda, fraturas nas costelas, lesões ligamentares no ombro esquerdo e ainda uma concussão com perda momentânea de consciência. A gravidade das lesões obrigou imediatamente o piloto português a falhar a ronda seguinte em Most, pelo que sabe até agora, mas não estando totalmente afastada a possibilidade de ter que ficar de fora mais rondas do WSBK 2026.
Uma carreira marcada pela resiliência
Apesar das sucessivas lesões, Miguel Oliveira continua a ser um dos pilotos portugueses mais bem-sucedidos da história do motociclismo mundial. Ao longo da carreira somou vitórias em Moto3, Moto2 e MotoGP, chegando à categoria rainha como um dos pilotos mais completos da sua geração. Contudo, os últimos anos mostraram também outro lado da carreira de um piloto de elite: o desgaste físico acumulado, as sequelas de acidentes sucessivos e a dificuldade em manter continuidade competitiva num campeonato cada vez mais exigente.
No caso de Miguel Oliveira, não é o talento que é colocado em causa, mas sim o facto do “azar lhe bater tantas vezes à porta”, até porque a grande maioria das lesões que sofreu, foram danos colaterais de manobras ou incidentes com outros pilotos, obrigando-o a ausências prolongadas, as quais, normalmente, coincidem com as melhores fases da época. Agora é esperar e desejar a melhor recuperação possível para o piloto português poder voltar ao ataque, tal como disse na mensagem que deixou aos seus fãs.



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