Miguel Oliveira terminou a ronda de WSBK Reino Unido com dois resultados pontuáveis, 5 pontos com a 11ª posição na Corrida 1 e 4 pontos obtidos com a 12ª posição na Corrida 2. Porém, reconhece que a BMW precisa de evoluir em praticamente todas as áreas. É, por isso, necessário uma análise à prestação do piloto português e ao momento da equipa. Será que a BMW não consegue ir mais além? Ou será que o problema está no(s) piloto(s) que compõem atualmente a estrutura?
A ronda de Donington Park dificilmente ficará na memória de Miguel Oliveira pelos resultados. Depois do impacto que causou em Portimão, logo à segunda ronda da temporada, onde subiu ao pódio nas três corridas perante o público português, o piloto da ROKiT BMW Motorrad WorldSBK Team regressou à realidade de um projeto que continua à procura da competitividade necessária para lutar regularmente pelos primeiros lugares.
Mais do que os resultados de Miguel Oliveira, o que ficou evidente ao longo do fim de semana britânico foi a dificuldade coletiva da BMW em acompanhar o ritmo das Ducati e até mesmo de outras marcas. Num circuito historicamente desafiante para a fabricante italiana, esperava-se que a BMW pudesse reduzir diferenças. Aconteceu precisamente o contrário.
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De Portimão para Donington: um contraste evidente
Há apenas alguns meses, Miguel Oliveira era a grande figura da ronda portuguesa. Três corridas, três pódios e uma adaptação à BMW que parecia estar finalmente a ganhar forma e que, de certa forma, surpreendia tudo e todos. O ambiente vivido no Autódromo Internacional do Algarve alimentou naturalmente a expectativa de que a equipa pudesse consolidar esse crescimento. Contudo, quatro meses depois, a Ronda WSBK Reino Unido mostrou outro cenário.
Miguel Oliveira terminou a Corrida 1 na 11.ª posição, viu a Superpole Race ficar praticamente comprometida após um incidente nas primeiras curvas que o relegou para o último lugar antes de recuperar apenas até ao 20.º posto e encerrou o fim de semana com um 12.º lugar na Corrida 2. Pontuou em duas das três corridas, é verdade, mas nunca teve argumentos para discutir os lugares da frente.
O problema parece ser maior do que Miguel Oliveira
No meio da equação Miguel Oliveira e BMW, há um detalhe que ajuda a perceber a dimensão das dificuldades. Danilo Petrucci, companheiro de equipa do português e um dos pilotos mais experientes do campeonato, também esteve longe dos protagonistas durante todo o fim de semana. Quando dois pilotos com perfis e estilos de condução diferentes apresentam limitações semelhantes, torna-se difícil atribuir a responsabilidade apenas à adaptação de um deles.
A BMW revelou dificuldades em praticamente todos os aspetos fundamentais: velocidade pura, comportamento em curva, gestão do desgaste dos pneus e ritmo de corrida. Enquanto Nicolò Bulega continuou a dominar o campeonato ao serviço da Ducati, a formação alemã passou praticamente despercebida na luta pelas posições cimeiras. E esse talvez seja o dado mais preocupante.
Miguel Oliveira com um discurso realista
No final da ronda britânica, Miguel Oliveira fez uma análise frontal ao momento da equipa, assumindo que existe muito trabalho pela frente.
“Fim de semana terminado em Donington. Obviamente que as únicas sensações positivas foram as de conseguir pontuar nas duas corridas ontem e hoje, mas sem dúvida que ninguém fica contente com estes resultados, por isso eu não sou exceção.”
O português reconheceu que a BMW enfrenta limitações em praticamente todos os departamentos competitivos.
“Neste momento atravessamos um período onde tornou-se muito evidente que precisamos de melhorar praticamente em todas as áreas em relação aos nossos adversários, mas aquilo que também nos distingue é que iremos todos juntos dar a volta por cima.”
Miguel Oliveira sabe bem o que é vencer em Portimão 🇵🇹
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A pausa de verão surge na altura certa
A interrupção do campeonato WSBK 2026 para a pausa de Verão, a qual, reforçamos, acontece apenas a quatro rondas do fim da temporada, poderá acabar por ser uma oportunidade importante para a BMW. Segundo Miguel Oliveira, está previsto um teste durante esta pausa para experimentar novas soluções técnicas que estão a ser desenvolvidas pela marca alemã, numa tentativa de reduzir a diferença para a concorrência.
“Foi um fim de semana duro. Agora temos esta paragem de verão que nos vai permitir não só analisar mas também realizar um teste no meio para experimentar algumas das soluções que a BMW está a trabalhar.”
O piloto português admite que pretende aproveitar alguns dias para recuperar energias, embora deixe claro que a vontade continua a ser evoluir a moto.
“Vamos ter uns dias e umas semanas para descansar, apesar de eu querer continuar a trabalhar para melhorar a mota. No entanto, vamos aproveitar para desconectar um bocadinho, relaxar e depois voltar com força para aquilo que é o resto do campeonato.”
Não se podem tirar já conclusões, mas há sinais que preocupam
Se Portimão mostrou aquilo que Miguel Oliveira consegue fazer quando encontra confiança na moto, Donington evidenciou aquilo que atualmente limita a BMW. É verdade que o português ainda está na primeira temporada com a M 1000 RR e continua a adaptar-se a uma moto muito diferente daquela que conheceu ao longo da carreira e que, pelo meio, sofreu um acidente com consequências graves e que o obrigaram a um processo de recuperação complexo.
Mas, por outro lado, também é verdade que os problemas não parecem ser exclusivos do seu lado da garagem. E há ainda quem diga que, independentemente da mota que esteja ao serviço de Miguel Oliveira, tendo em conta o histórico do piloto português, nenhuma lhe vai servir para chegar ao topo dos topos, seja por toda uma nova geração de pilotos, seja por uma questão de qualidades que, apesar de não lhe podermos negar, a verdade é que nunca serviram para vingar perante pelotões com mais qualidade e melhor servidos tecnicamente.
That is a gnarly crash for Miguel Oliveira, he's very lucky to escape serious injury 🙏#WorldSBK | #HungarianWorldSBK | Live on TNT Sports and HBO Max pic.twitter.com/oFxTcKkRzo
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A ausência de competitividade da BMW durante praticamente todo o fim de semana britânico deixa a sensação de que existe um problema estrutural que vai muito além da adaptação de Miguel Oliveira. A pausa de verão chega, por isso, num momento decisivo. Para Miguel Oliveira, o campeonato ainda está longe de terminado, ainda que já sem qualquer hipótese de lutar pelo título. Porém, depois de Donington, o que ficou claro é que a recuperação terá mesmo de começar dentro da própria garagem antes de voltar a acontecer em pista.

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