A chegada de Miguel Oliveira ao mundial de Superbike (WorldSBK) já deixou marcas profundas na história do motociclismo e do próprio piloto português, numa exibição de raça e determinação, que foi o protagonista de vários momentos impressionantes durante o fim de semana, sendo que, inclusivamente, há quem fale mesmo na possibilidade de recordes terem sido alcançados, com números bastante expressivos.
De último a protagonista em três corridas
Miguel Oliveira até começou o fim de semana de forma algo discreta, mas o espetáculo apenas iria começar depois da queda sofrida na sessão de Superpole (Qualificação), o momento decisivo para definir a grelha de partida – numa modalidade onde as regras entre WordSBK e a MotoGP divergem ligeiramente. O incidente obrigou Miguel Oliveira a arrancar da 21.ª e última posição nas três corridas do fim de semana australiano. Se por um lado, este era um cenário que poderia comprometer qualquer aspiração competitiva, por outro, a prestação do piloto de Almada acabou por se transformar numa demonstração de talento.
Na primeira corrida longa, o português levou a sua BMW M 1000 RR #88 do último lugar até à oitava posição, somando 13 ultrapassagens. Na Superpole Race, já no domingo, e na corrida que iria definir a grelha de partida da Corrida 2, e já depois de voltar a recuperar terreno até nono, sofreu um problema técnico — relacionado com o quickshifter — o que acabou por fazer perder posições na volta final. Já na segunda corrida principal (race 2), voltou a subir 14 lugares para terminar em sétimo, imediatamente atrás do colega de equipa.
🇦🇺 Saturday in Phillip Island
— ROKiT BMW Motorrad WorldSBK Team (@BMWMotorradWSBK) February 21, 2026
Superpole ⏱️
P6 – @Petrux9
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Race 1 🏁
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P10 – @Petrux9
A solid first outing for the team as we look ahead to tomorrow.#AustralianWorldSBK #WorldSBK #WeAreROKiT #M1000RR @ROKiT @WorldSBK @BMWMotorradMoSp pic.twitter.com/1dVXHqmVtk
Recorde não oficial? É possível, mas a matemática não mente
O WorldSBK atribuiu a Miguel Oliveira o prémio de “melhor recuperação”, contabilizando 13 mais 14 posições ganhas nas corridas principais. Contudo, se somarmos as 12 posições recuperadas na corrida curta, o total ascende a 39 ultrapassagens ao longo de um só fim de semana. Um número que levou Christian Gonschor, diretor técnico da BMW Motorrad Motorsport, a admitir que Miguel Oliveira “provavelmente estabeleceu um recorde de ultrapassagens num único fim de semana”.

A satisfação era visível no seio da estrutura alemã. Sven Blusch, responsável máximo pela competição na BMW, destacou que a equipa somou mais pontos em Philip Island do que nos dois anos anteriores — temporadas nas quais contou com Toprak Razgatlioglu no caminho para o título e que agora passa por momentos difíceis na transição para a MotoGP. O arranque de 2026 deixa, assim, sinais muito encorajadores.
Classificação e ambição para Portimão
Apesar dos contratempos técnicos, Miguel Oliveira sai da Austrália no oitavo lugar do campeonato, com 17 pontos, à frente do seu colega Danilo Petrucci e a apenas nove pontos do terceiro classificado, na sua primeira corrida depois de ter deixado a MotoGP. Sim, os números estão muito afastados do líder absoluto do campeonato, o italiano Nicolo Bulega, que conseguiu uns impressionantes 62 pontos, o máximo possível numa só ronda. Para Miguel Oliveira este é um resultado que, nas palavras do próprio, não corresponde totalmente às ambições iniciais, mas que reflete o máximo aproveitamento possível face às circunstâncias.
Another bussy day is officially underway 🔛
— WorldSBK (@WorldSBK) February 16, 2026
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Portimão é a ronda que se segue
Após a ronda inicial, o foco vira-se agora para o Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, onde o WorldSBK regressa a 28 e 29 de março. Para Miguel Oliveira correr em casa poderá dar um impulso adicional ao piloto de Almada, que já demonstrou ser perfeitamente capaz de ter ritmo e capacidade de recuperação para discutir posições bem mais à frente. Se na Austrália os números impressionaram, em Portugal a expectativa é que parta mais perto da frente — e aí, podemos estar perante um cenário que poderá ser ainda mais impactante e aproximar-se ainda mais da possibilidade que Miguel Oliveira tem para fazer ainda mais história no mundial de Superbike.











