Faleceu esta segunda-feira em Roma, aos 88 anos, o Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio. A morte do pontífice argentino ocorre um dia depois da celebração da Páscoa e representa a perda de um dos líderes mais carismáticos, humanos e próximos da história contemporânea da Igreja Católica.
Homem de fé inabalável e defensor incansável da justiça social, Francisco distinguiu-se também pela capacidade de se manter ligado às raízes e às paixões terrenas que o acompanharam desde sempre — entre elas, o futebol e, em especial, o San Lorenzo, clube do seu coração.
“O San Lorenzo é a equipa de toda a minha família”
Fanático confesso desde a infância, o Papa orgulhava-se de saber de cor o onze campeão argentino em 1946, com nomes como Blazina, Zubieta ou Pontoni. O seu pai jogou basquetebol no clube e toda a família acompanhava o San Lorenzo ao antigo estádio, o Gasómetro.
«Até a minha mãe ia. Lembro-me como se fosse hoje da temporada de 46. O San Lorenzo tinha uma equipa brilhante e fomos campeões», recordaria, já como Papa.
A ligação ao clube, fundado por um salesiano com o intuito de tirar os jovens da rua, manteve-se inabalável. Francisco era o sócio n.º 88.235, com quotas em dia, e chegou a receber em audiência o plantel campeão da Taça Libertadores de 2014 — um título histórico que muitos, à época, apelidaram de “milagre papal”.
Fé, futebol e humildade no mesmo coração
Mesmo no exercício do mais alto cargo da Igreja Católica, Bergoglio manteve a sua paixão pelo futebol viva. Sempre que podia, perguntava aos guardas suíços o resultado do último jogo do San Lorenzo. Chegou a lamentar publicamente duas coisas que mais lhe custavam na vida no Vaticano:
«Não poder ir comer uma pizza… e não poder ver o meu San Lorenzo.»
A sua figura cativou milhões: homem de princípios, mas também de gestos simples, Francisco celebrava a vida com o mesmo entusiasmo com que celebrava um golo da sua equipa. Em 1998, quando era ainda arcebispo de Buenos Aires, chegou a ser impedido de entrar no balneário do San Lorenzo por Alfio Basile, então treinador, que não o conhecia — um episódio que se tornou lendário após a eleição papal, em 2013.
Desporto como ponte para o outro
Para além da paixão clubística, o Papa Francisco foi um defensor do desporto como ferramenta de inclusão e formação de valores. Recordava com emoção o desastre de Superga, em 1949, que vitimou a equipa do Torino após um jogo em Lisboa com o Benfica, descrevendo o impacto que esse episódio teve na comunidade italiana na Argentina, da qual fazia parte.
Despedida de um Papa singular
Morre o Papa que soube conjugar teologia e humanidade, oração e paixão popular, fé e futebol. Um homem que jamais renegou as origens, nem as pequenas alegrias que o ligavam a milhões de pessoas comuns. Um Papa que sabia de cor nomes de jogadores, e que ficará para sempre gravado no coração dos que viram nele muito mais do que um líder espiritual: viram um de nós.
Jorge Mario Bergoglio, o Papa do povo… e do San Lorenzo.








