O sucessor de Miguel Oliveira na Pramac Yamaha enfrentou sérias dificuldades nos primeiros testes de 2026, terminando longe dos tempos da frente.
Toprak Razgatlioglu com dificuldades na adaptação à Yamaha M1 e distância para o topo
A chegada de Toprak Razgatlioglu ao MotoGP, ocupando o lugar deixado vago pelo português Miguel Oliveira, era um dos momentos mais aguardados nos testes de Sepang. No entanto, o campeão de WorldSBK recebeu um duro “choque de realidade”. O piloto turco da Pramac Yamaha terminou no 18.º lugar da tabela combinada, a quase dois segundos de Alex Márquez (o mais rápido) e a oito décimos de Alex Rins, a melhor Yamaha em pista.
Apesar das suas famosas acrobacias (stoppies), a falta de ritmo em curvas rápidas e a gestão do acelerador foram os seus maiores obstáculos. Toprak confessou estar “irritado” com a falta de competitividade, admitindo que o seu estilo agressivo de Superbikes, não funciona nos protótipos de MotoGP. Jack Miller, seu colega de equipa, tem tentado aconselhá-lo a ser mais suave, mas a transição tem-se revelado traumática.
Frustração e modificações técnicas na Pramac Yamaha
Para tentar facilitar a adaptação, Toprak Razgatlioglu solicitou alterações na Yamaha M1, incluindo um guiador mais largo. Contudo, estas modificações ergonómicas tiveram um custo aerodinâmico inesperado: devido à nova posição do assento e da traseira, o piloto teve de rodar várias vezes sem as asas traseiras (winglets), o que penalizou ainda mais a estabilidade e a performance da moto em alta velocidade.
“É difícil ver-me tão abaixo na tabela após o que conquistei nas Superbikes. As primeiras cinco corridas serão duras, vou sofrer”, admitiu o número 07 com total honestidade. No paddock, embora Paolo Pavesio (Diretor Geral da Yamaha) esteja “apaixonado” pelo talento de Toprak Razgatlioglu, alguns responsáveis alertam que o piloto precisa de uma análise mais fria e menos elogios do seu círculo próximo para acelerar a curva de aprendizagem.
O desafio de superar o legado de Ben Spies
Apesar do início atribulado, a estrutura da Yamaha mantém uma fé inabalável no potencial do turco, havendo já quem o aponte como candidato a um lugar na equipa de fábrica em 2027 ao lado de Jorge Martín. O grande referencial histórico para esta mudança é Ben Spies, que em 2010 fez uma transição bem-sucedida das Superbikes para o MotoGP, alcançando vitórias e pódios.
O caminho para Toprak Razgatlioglu ainda é longo, e o piloto de Alanya terá de provar que consegue domar a M1 antes do arranque oficial da temporada. A pressão é elevada, especialmente por assumir a moto que pertenceu a Miguel Oliveira, num campeonato onde, como referiu um executivo da Ducati em Sepang, “estão os melhores dos melhores” e o nível de exigência não perdoa distrações táticas ou estilos de condução datados.











