Fornecedor francês ajusta a distribuição de pneus para a temporada de MotoGP 2026, na procura de mais desempenho, estratégia e sustentabilidade.
A Michelin está a afinar a sua abordagem para aquela que será a sua última temporada como fornecedora exclusiva de pneus na MotoGP. Às vésperas de 2026, a marca francesa anunciou alterações na distribuição de pneus dianteiros ao longo dos fins de semana de Grande Prémio, numa medida pensada para responder às necessidades reais das equipas, e sem comprometer o desempenho em pista.
Menos opções, mais foco para os pilotos
A principal novidade para a próxima temporada de MotoGP passa pela redução do número de especificações de pneus dianteiros disponíveis em cada fim de semana. A partir de 2026, os pilotos terão acesso a apenas duas especificações de pneus dianteiros, em vez das três utilizadas na temporada anterior. Cada especificação contará com sete unidades, totalizando 14 pneus dianteiros por fim de semana, menos um do que em 2025. Segundo a Michelin, esta nova distribuição foi definida em estreita articulação com as equipas e deverá permitir aos pilotos uma abordagem mais clara e eficaz na escolha do composto mais adequado ao seu estilo de pilotagem.
Cinco circuitos mantêm exceção à regra
Apesar da mudança global, nem todos os circuitos seguirão este novo modelo. Cinco Grandes Prémios da temporada de MotoGP 2026 manterão a alocação atual, com três especificações de pneus dianteiros e cinco unidades por modelo, devido à elevada variabilidade das condições climáticas. Os circuitos abrangidos por esta exceção são Le Mans, Silverstone, Sachsenring, Phillip Island e Valência, pistas historicamente exigentes no que diz respeito à gestão de pneus e à adaptação às condições do asfalto.
Michelin simplifies front tire allocation for the 2026 @MotoGP season:
— Michelin Motorsport (@Michelin_Sport) January 15, 2026
From 2026, at the majority of Grands Prix:
• 2 front tire specifications (vs. 3 in 2025)
• 7 tires per specification (vs. 5 in 2025)#MichelinMotoGP #MotoGP pic.twitter.com/tx62WlTKc7
Uma estratégia iniciada há vários anos
Esta decisão insere-se numa política mais ampla da Michelin, focada na racionalização da produção e do transporte de pneus, bem como dos custos deste. De acordo com Piero Taramasso, responsável pela competição de duas rodas da marca, este é um processo já iniciado em 2018 e desenvolvido de forma progressiva. Ao longo das últimas oito temporadas de MotoGP, a Michelin reduziu para metade o número de especificações disponíveis, ao mesmo tempo que continuou a melhorar os níveis de segurança e desempenho. Essa evolução tem sido acompanhada por sucessivos recordes de pista, mesmo com um calendário cada vez mais extenso e ajudado, também, pela aumento significativo de potência das motas.
Sustentabilidade e desempenho lado a lado
A otimização da distribuição de pneus permitiu também reduzir de forma significativa os volumes de fabrico e de logística. Em 2018, a MotoGP utilizava 58 especificações diferentes de pneus dianteiros e traseiros para 19 corridas. Em 2026, esse número desce para 29 especificações, apesar de o calendário, por sua vez, crescer para 22 Grandes Prémios.
Uma temporada especial
À entrada da sua última época na MotoGP, a Michelin opta por uma mudança que, queiramos ou não, pode influenciar de forma significativa o trabalho das equipas e as estratégias ao longo dos fins de semana de corrida. Se há campeonato onde os detalhes podem fazer a diferença, a MotoGP é, com toda a certeza um deles, e com isso, a forma como os pilotos e as equipas se vão adaptar a esta nova realidade, poderá ter um peso ainda maior do que parece à primeira vista.











