Novos procedimentos após quedas prometem mais segurança na MotoGP, mas também menos margem para improviso em pista.
A Federação Internacional de Motociclismo (FIM) confirmou uma alteração profunda nos procedimentos de reinício após acidentes para a nova temporada de MotoGP. É uma medida que visa mais segurança e que obriga a forma como os pilotos e fiscais de pistas (os quais são frequentemente expostos a situações de risco elevado quando auxiliam motociclos parados em zonas perigosas) lidam com qualquer incidente em pista durante corridas e sessões de treinos e que tem início marcado já para 2026.
Fim dos recomeços “à força” em pista
A principal mudança não deixa qualquer margem para dúvidas. Qualquer motociclo que fique com o motor desligado, após uma queda ou avaria técnica, não poderá voltar a ser ligado na pista ou nas áreas de escape. Nessas situações, o veículo deverá ser imediatamente removido pelos fiscais para trás da chamada “primeira linha de proteção”, que inclui faixas de segurança e barreiras.
Na prática, isto significa que desaparece uma imagem muito habitual na MotoGP: equipas de fiscais a empurrar pilotos para ajudar a relançar a corrida em plena pista. A partir de 2026, esse é um cenário que só será colocado em cima da mesa, ou em pista, se o piloto e a moto estiverem num local considerado seguro, como a área de serviço.
Nova regra a partir de 2026 quer para MotoGP, WSBK e as duas categorias base!
— Motogp Portugal Podcast 🎙️ (@PortugalMotogp) January 13, 2026
Partir de agora um piloto quando cai ou tem uma avaria esta proibido de recolocar a sua moto em funcionamento dentro pista!#MotoGPnaSPORTTV #SBKnaSPORTTV pic.twitter.com/TD4NOvp2Cn
O que ainda será permitido
A diretiva da FIM estabelece, no entanto, algumas exceções importantes a ter em conta. São pontos que reforçam a responsabilidade de cada piloto na MotoGP, eliminando ao máximo qualquer intervenção exterior que possa, eventualmente, colocar terceiros em risco. As medidas mais importantes são:
- Se o motor não parar durante o incidente, o piloto poderá regressar à pista e continuar a sessão normalmente.
- Caso exista perigo evidente, como danos estruturais relevantes ou fugas de fluidos, os fiscais deverão ordenar claramente a paragem imediata, mesmo que o motor esteja a funcionar.
- Reparações ou ajustes, como alinhar manetes ou carenagens, passam a ter regras mais apertadas:
- Só podem ser feitos em local seguro.
- Apenas o piloto pode executar os ajustes, sem ajuda externa além da atuação regulamentar dos fiscais.
Uma regra transversal a toda a FIM
Importante também é reforçar que esta nova norma não se aplica apenas à MotoGP, mas sim a todas as categorias que se encontram atualmente sobre a alçada a FIM. Isto inclui o WSBK, onde agora podemos encontrar o piloto português Miguel Oliviera, deixando ainda a FIM em aberto a recomendação para que as federações nacionais sigam as mesmas indicações e adotem os procedimentos adequados. Como última indicação, a FIM afirma que esta é uma harmonização que pretende criar critérios claros, mas também universais, e portanto aplicáveis a todas as competições, evitando decisões ambíguas em momentos de tensão competitiva.
Segurança acima do espetáculo
Embora esta seja uma medida que possa gerar críticas, já que, para todos os efeitos, reduz efetivamente a possibilidade de recuperações improváveis após quedas, a FIM entende que o equilíbrio entre espetáculo e segurança precisa de ser revisto. Foram vários os incidentes que ocorreram nos últimos anos, que acabaram por colocar fiscais em risco ou em situações extremas, sobretudo em zonas de escape rápidas ou com visibilidade limitada.
Tal, a somar às motos cada vez mais potentes e grelhas mais compactas, seja para a MotoGP ou outras competições, significou o ponto final para a FIM, que assim decidiu que o risco associado a intervenções em pista se torno demasiado elevado, pelo que, com esta norma, pretende simplesmente eliminá-lo para todos os intervenientes.

(Créditos: Rede X)
Temporada de 2026 já no horizonte
Estas novas regras entram em vigor numa época que já se antevê exigente. A temporada de MotoGP de 2026 arranca no final de janeiro, com o habitual Shakedown em Sepang, na Malásia, entre 29 e 31 de janeiro, seguindo-se os testes oficiais de inverno, no mesmo circuito, de 3 a 5 de fevereiro. Será precisamente nesses testes que pilotos, equipas e fiscais começarão a ter que se adaptar a uma nova realidade onde errar, cair e tentar voltar rapidamente à corrida deixará de ser uma opção, pelo menos em variadíssimos casos, os quais todos pudemos observar num passado muito recente.











