Numa operação que cruza o desporto de elite com o crime organizado, as autoridades mexicanas e o FBI anunciaram a recuperação de um autêntico “tesouro” do motociclismo mundial.
Um total de 50 motos utilizadas em Grandes Prémios de MotoGP, incluindo máquinas pilotadas por Valentino Rossi e Marc Márquez, foram encontradas em esconderijos ligados a um cartel de droga no México.
A coleção, avaliada em 34 milhões de euros, não era apenas um conjunto de veículos, mas sim um registo histórico da modalidade. Entre as unidades apreendidas estão a moto com que Márquez se sagrou campeão de Moto2 em 2012 e a Aprilia 125 com que Rossi conquistou o seu oitavo título mundial.
Máquinas lendárias ao serviço da lavagem de dinheiro
A lista de pilotos cujas antigas motos foram recuperadas parece um “Quem é Quem” do Hall of Fame do MotoGP: Jorge Lorenzo, Andrea Dovizioso, Loris Capirossi e Andrea Iannone. As autoridades acreditam que estas peças únicas foram adquiridas ou roubadas para servirem como ativos de luxo e reserva de valor para o cartel, ajudando no processo de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de estupefacientes.
As buscas, realizadas este mês de dezembro, revelaram que os veículos eram mantidos em condições de ostentação, funcionando quase como um museu privado do crime.
O fugitivo: De Salt Lake City à lista do FBI
O mentor desta rede criminosa é Ryan James Wedding, um nome que já foi notícia pelas suas proezas desportivas. O canadiano representou o seu país nos Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City 2002 como snowboarder. Hoje, a sua prancha foi substituída por um lugar na lista dos 10 fugitivos mais procurados pelo FBI.
Wedding é acusado de comandar um cartel de drogas responsável pela distribuição de cocaína à escala continental. O FBI oferece uma recompensa de 12,7 milhões de euros por informações que levem à sua captura, sublinhando a perigosidade do ex-atleta, que é também suspeito de conspiração para homicídio e manipulação de testemunhas.
O destino das relíquias
Após a apreensão, as autoridades enfrentam agora o desafio logístico de devolver estas máquinas à sua origem. Muitas destas motos são propriedade de colecionadores privados ou dos próprios museus das marcas (como a Ducati e a Aprilia), de onde terão sido subtraídas através de esquemas complexos de fraude e roubo internacional.
Esta operação desferiu um golpe significativo na infraestrutura financeira do cartel de Wedding, ao mesmo tempo que recuperou parte da memória histórica do desporto motorizado que se julgava perdida no submundo do crime.








