Selecionador nacional concedeu uma entrevista à RTP Notícias, onde abordou vários aspetos da Seleção portuguesa.
Roberto Martínez e os objetivos no Mundial
“Chegar a Nova Iorque a19 de julho [dia da final] é o nosso sonho. É isso que está na mente de todos. Precisamos de trabalhar muito e estar preparados para momentos difíceis, mas o sonho da Seleção é esse, lutar contra a história”, começou por apontar o selecionador nacional, que não esconde a ambição no campeonato do mundo.
Martínez prosseguiu, com direito a superstição: “Em 2016 ganhámos o Europeu, em 1966 obtivemos o 3º lugar, a melhor classificação de sempre num Mundial, e em 2006 chegámos às meias-finais. Acredito que 2026 será o momento de Portugal atingir o que merece”.
“Há uma força especial de dar tudo neste Mundial, que é muito exigente. Ganhámos à Alemanha na Alemanha, ganhámos à Espanha. A equipa está preparada para fazer a diferença numa luta contra a história. Esta nossa geração é fantástica, temos vários capitães de grandes equipas mundiais, há uma enorme capacidade de liderança e experiência”, atirou, de seguida, o espanhol.
Depois, o selecionador abordou a ideia de o grupo ser fácil: “Nada disso, essa ideia é muito perigosa. O nível de exigência é muito elevado e precisamos de igualar o nível emotivo de quem chega ao Mundial pela primeira vez. O Congo e o Uzbequistão chegam super motivados, enquanto a Colômbia era a melhor equipa dentro do segundo pote, com grandes jogadores como Luis Suárez e Luis Díaz. A dificuldade é enorme”.
Roberto Martínez esclareceu, depois, as dúvidas na baliza, no seguimento de ter convocado quatro guardiões: “O Diogo Costa é o número 1. Ser campeão como capitão de uma equipa como o FC Porto ajudou-o a crescer imenso. Depois, para nós o Rui Silva e o José Sá estão ao mesmo nível. Como temos de gerir a carga dos treinos intensos com muita finalização levamos o Ricardo Velho, que mostrou muita energia e vontade de ajudar no estágio”.
Números de Ronaldo
“Não há muitos pontas de lança com 25 golos nos últimos 30 jogos na seleção. É um jogador com o último movimento na área, enorme capacidade de finalização, de pressão para condicionar os centrais adversários e abrir espaços para os companheiros. Tem fome de ganhar e foca-se sempre em ser o melhor dentro do espaço da seleção”, atirou o treinador da Seleção, sobre o capitão, Cristiano Ronaldo.
Depois, Martínez fez questão de destacar outros nomes que podem fazer a diferença: “É difícil encontrar um lateral esquerdo melhor do que Nuno Mendes. É muito completo e atravessa o melhor momento da carreira. O PSG está a jogar a um nível fantástico na Champions, com Vitinha e João Neves. O Rúben Neves, apesar de estar num país mais distante, está a crescer imenso e a ter um papel muito importante. O Samu Costa chega com frescura, Matheus Nunes com bastantes minutos numa grande equipa como o City, o Bruno Fernandes conquista todos os títulos individuais na Premier League, onde também brilha o Bernardo Silva. Há que estruturar a liberdade do jogador, com o talento individual a conseguir dar equilíbrio”.
A memória de Diogo Jota
A terminar, Roberto Martínez recordou o momento trágico para todos os portugueses: “O acidente de Diogo Jota foi traumático. Tenho um sorriso ao falar dele pela sua força de acreditar naquilo em que podemos sonhar. É uma luz que continua a fazer parte da Seleção e nos dá a responsabilidade de darmos tudo para vencermos o Mundial, como era o sonho dele”.
“Gosto muito de fado, oiço Mariza e Sara Correia. Aliás, há muito de fado no futebol. Aprender a música, bem como a língua e a cultura do país, ajuda-me a perceber melhor os jogadores”, rematou o selecionador nacional, em entrevista à RTP Notícias.










