O ciclista da UAE Team Emirates acusa o pelotão de falta de respeito nas descidas, defende mais perícia e sugere estágios técnicos como solução
Acusações directas do corredor português
João Almeida apontou o dedo ao comportamento de alguns colegas como causa principal das muitas quedas em descidas que se têm verificado.
“Penso que há uma falta de respeito no pelotão. As pessoas não se preocupam realmente com os acidentes, não pensam na segurança”, afirmou o ciclista em entrevista ao podcast Sigma Sports.
Para João Almeida , a frequência das quedas não se explica apenas por falhas organizativas ou pelo equipamento.
“Na minha opinião, as quedas devem-se mais à atitude dos ciclistas do que às organizações”, disse, sublinhando a necessidade de uma mudança cultural entre os corredores.
Técnica e bom senso em vez de limites de velocidade
Questionado sobre propostas para limitar a velocidade das bicicletas, João Almeida relativizou essa solução.
“A velocidade das bicicletas não importa muito. Se vais a 70 km/h numa bicicleta de estrada, tentas simplesmente travar um pouco mais cedo. E, depois, é uma questão de bom senso”, disse.
O corredor da UAE defende que o essencial é a perícia, não cortes artificiais de velocidade.
“Talvez alguns ciclistas precisem de fazer um estágio, de treinar as curvas, as descidas, para saberem o que estão a fazer. Porque quanto mais rápido se anda, mais perícia é necessária”, acrescentou.
Propostas práticas para reduzir o risco
João Almeida propõe estágios e treinos específicos de descida como resposta imediata.
A ideia passa por capacitar especialmente os jovens ou os menos experientes, com exercícios práticos de travagem, posicionamento na curva e gestão de grupo em alta velocidade.
Equipas, direcções desportivas e federações são apontadas como responsáveis por promover esses programas.
Formação contínua, simulações de descida e partilhas de boas práticas entre corredores podem reduzir significativamente os incidentes.
Impacto nas equipas e no calendário
A postura do pelotão tem efeitos directos nas decisões das equipas.
Quando a percepção de risco aumenta, direcções desportivas repensam estratégias, escalas de corredores e a participação em determinados percursos.
João Almeida lembra que o ciclismo moderno exige mais do que velocidade; exige técnica e responsabilidade colectiva.
Sem essa mudança, os acidentes tenderão a repetir-se, mesmo com melhorias na organização ou no material.









