Nick Cassidy não tem papas na língua. O piloto neozelandês, que em 2026 abraçará um duplo desafio ao competir no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC) com a Peugeot e na Fórmula E com a Citroën, descreveu a sua transição para a categoria máxima dos ralis de resistência de uma forma, no mínimo, inesperada.
Para Nick Cassidy, habituado à gestão micro-cirúrgica de energia nos monolugares elétricos, os sistemas dos atuais Hypercars são, nas suas palavras, “como umas férias”.
“Apenas 30% da complexidade”
Depois de cinco temporadas na Fórmula E, onde os pilotos têm de gerir constantemente a regeneração, a energia e inúmeros mapas de software volante a volante, Cassidy encontrou no Peugeot 9X8 uma máquina surpreendentemente mais simples de operar.
“Em termos de complexidades e sistemas, é provavelmente 30% do que temos agora na Fórmula E. Por isso, é quase como umas férias para mim em termos de sistemas,” atirou o piloto de 31 anos, após o seu segundo teste com a equipa francesa no Bahrein.
“Pilotar sobre cascas de ovo”
Se a eletrónica é mais simples, a pilotagem pura traz outros desafios. Nick Cassidy, que tem um currículo invejável com títulos na Super Formula e Super GT (Japão), confessou-se surpreendido com a falta de performance aerodinâmica dos atuais Hypercars quando comparados com as máquinas que pilotou no passado.
“A aderência mecânica, a aderência dos pneus e o nível de downforce são muito mais baixos nos Hypercars. Como piloto, não tens a sensação de estar a atacar o carro. Estás quase a pilotar sobre cascas de ovo,” explicou.
O neozelandês acrescentou ainda que, ironicamente, esta falta de aderência torna a adaptação mais parecida com a Fórmula E do que com os protótipos de alta carga aerodinâmica a que estava habituado no Japão.
Agenda Infernal em 2026
Apesar da “facilidade” nos sistemas, a vida de Nick Cassidy em 2026 será tudo menos relaxada. O piloto terá de conjugar o calendário do WEC com a época da Fórmula E (onde trocou a Jaguar pela Citroën, antiga Maserati) e ainda o desenvolvimento da nova geração de monolugares (Gen4).
“Estou a trabalhar cinco dias por semana em todos os programas há dois meses e meio,” revelou Nick Cassidy, que deixou rasgados elogios à Peugeot pela compreensão e flexibilidade na gestão da sua agenda sobrecarregada.
O “Kiwi” regressa assim ao WEC para a sua segunda época (correu em GTE Am com a Ferrari em 2022), mas desta vez com os olhos postos na vitória à geral.







