Candidato à presidência do Benfica propõe quatro medidas para melhorar a arbitragem
João Noronha Lopes, candidato à presidência do Sport Lisboa e Benfica nas eleições agendadas para o próximo dia 25 de outubro, reagiu este sábado ao comunicado emitido pelo clube encarnado relativamente ao acórdão divulgado pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol, referente à final da Taça de Portugal.
Na passada sexta-feira, o CD anunciou a suspensão de cinco jogos para o defesa Matheus Reis. O jogador do Sporting foi sancionado com quatro partidas de castigo pelo incidente em que pisou Andrea Belotti, durante a final da prova rainha, e viu ser-lhe aplicado mais um jogo de suspensão devido a publicações consideradas provocatórias nas redes sociais.
Também Geovany Quenda, viu o seu castigo agravado. Inicialmente suspenso por um jogo por ter envergado uma t-shirt com uma mensagem interpretada como provocação ao capitão encarnado, Nicolás Otamendi, no final do campeonato, Quenda terá agora de cumprir mais um encontro de suspensão, igualmente devido a conteúdos partilhados nas redes sociais após a final da Taça.
Eis o comunicado na íntegra:
“1. O acórdão do Conselho de Disciplina hoje conhecido vem confirmar os problemas gravíssimos da arbitragem em Portugal;
2. O Sport Lisboa e Benfica foi gravemente prejudicado, quer pela inércia da arbitragem, quer pela inação do VAR, quer ainda pela demora injustificada da justiça desportiva, que apenas atua muito depois de o dano estar consumado;
3. É fundamental que sejam retiradas consequências deste acórdão, desde logo pela conduta violenta e antidesportiva dos atletas do Sporting, que agrediram um adversário e mais tarde celebraram essa agressão. Os agentes do desporto têm a obrigação de fazer deste um exemplo a não repetir, por violar de forma grosseira as normas éticas da FPF e da UEFA. E o silêncio institucional após os festejos vergonhosos deixa claro que, para alguns paladinos da moral, a violência e a sua glorificação têm lugar no desporto;
4. Mas é ainda mais grave constatar a total inoperância dos árbitros e vídeo-árbitros envolvidos. Ainda assim, no entender do Conselho de Disciplina, a incompetência e a negligência não devem ter consequências. Em virtude dos factos relatados, como podemos aceitar que estes árbitros desempenhem funções em jogos oficiais?
5. A integridade da final da Taça de Portugal foi comprometida. Não há verdade no resultado deste jogo. Se o atual sistema disciplinar não protege os jogadores nem a verdade desportiva, quem protege?
6. A arbitragem em Portugal precisa de uma reflexão profunda, se quiser combater a suspeição e a desconfiança legítimas. Perante a desresponsabilização a que assistimos, o Benfica deve impor veementemente esta reflexão e contribuir para a definição de um plano de ação que restaure a credibilidade da arbitragem, passando desde já pelas seguintes medidas:
– Criação de um comité independente e autónomo para revisão de lances em jogos de importância capital, como acontece em outras ligas europeias.
– Revisão do limite temporal estabelecido, durante o jogo, para a avaliação de lances como o que esteve na origem do acórdão hoje conhecido, tanto em casos de falta violenta como de falta grosseira.
– Publicação de todas as comunicações áudio entre árbitro e VAR, começando pelas da liga 2024/2025 e da final da Taça de Portugal 2024/2025.
– Definição de um novo regulamento, sob a égide do Conselho de Disciplina da FPF, com um reforço das sanções disciplinares para atletas e árbitros que incorram em erros que coloquem em causa a verdade desportiva, a integridade física dos atletas e atentados à ética desportiva.”










