Piloto da McLaren conquistou o Mundial com dois pontos de vantagem sobre Verstappen
A McLaren deixou clara a sua estratégia logo após o arranque: Norris não tentou travar Verstappen e concentrou-se na luta interna com Piastri, que o ultrapassou na primeira volta e tentou uma estratégia de apenas uma paragem com pneus duros. Verstappen acabaria por imitar a tática, cedendo a liderança apenas momentaneamente.
Com duas paragens planeadas, Norris optou por uma abordagem mais segura, evitando repetir contratempos recentes como a desclassificação em Las Vegas e o quarto lugar no Catar. Ainda assim, viveu dois sustos: primeiro, ao ultrapassar Yuki Tsunoda, que o empurrou para fora da pista e acabou penalizado; depois, ao ver Charles Leclerc atacar a volta mais rápida por duas vezes. Norris respondeu e controlou a situação, selando o título.
A partir daí, instalou-se a celebração. Piastri, que liderou o campeonato durante 15 corridas, ficou em segundo plano enquanto Norris chorava com a equipa e a família. A margem final foi mínima, mas a história da F1 já registou oito campeonatos decididos por um único ponto.
De jovem prodígio a campeão
Filho de Adam Norris — um milionário britânico discreto — Lando sempre foi apontado como talento precoce. Fernando Alonso chegou a chamar-lhe “rock star” quando o jovem estreou na Fórmula 1 pela McLaren aos 19 anos. Após superar Daniel Ricciardo, consolidou a imagem de futuro campeão, mesmo com alguns episódios mediáticos pelo caminho, como a mudança para o Mónaco e o relacionamento com Magui Corceiro.
No dia do título, celebrou com lágrimas, abraços e palavras de agradecimento aos rivais. Norris atirou “Infernizaram-me a vida, mas assim este momento ainda sabe melhor”, afirmou, elogiando Verstappen e Piastri. A mãe, Cisca Wauman Norris, emocionou-se ao recordar os sacrifícios familiares desde os tempos do karting. O pai, por seu lado, manteve-se fiel ao perfil calmo: “Estive ali numa sala, relaxado. Só saí agora”, disse.
Norris destacou ainda as dificuldades iniciais da época: “Cheguei a perder a confiança”, revelou.
Verstappen faz história apesar da derrota
Verstappen, apesar de falhar o quinto título, terminou a época com o maior número de vitórias (oito), poles (oito) e voltas na liderança (454). Protagonizou ainda a maior recuperação pontual de sempre: de 104 pontos de atraso em Zandvoort para apenas dois em Abu Dhabi.
“Não me arrependo de nada. Tive uma época forte”, afirmou o neerlandês da Red Bull, acabando por abrir mais o coração: “Aqui tivemos o fim de semana perfeito, com pole e vitória dominadora. No final, e quando se perde o campeonato por dois pontos, é claro que isso parece doloroso, mas por outro lado, e se pensar que em Zandvoort estava mais de 100 pontos atrás, não foi mau”. “Já odiei este carro e também já amei este carro”, acrescentou, acabando por se dar como “muito orgulhoso de toda a equipa, que é a minha segunda família”.
McLaren de volta à ribalta
Depois de anos a perseguir a forma perdida, a McLaren voltou a afirmar-se como potência da Fórmula 1. Campeã de construtores no ano passado, a equipa liderada por Zak Brown celebrou a sua primeira dobradinha desde 1999 e reforçou o estatuto de segunda equipa mais titulada da história, atrás da Ferrari.
Época para esquecer de Hamilton
A transferência de Lewis Hamilton para a Ferrari tornou-se um fiasco. O britânico terminou em sexto no Mundial — o pior resultado de sempre — e fechou a época sem qualquer pódio. Apenas Didier Pironi e Ivan Capelli partilham este registo na Scuderia. Hamilton, que subiu de 16.º a oitavo em Abu Dhabi, admitiu apenas querer “desligar por completo”.
Novo regulamento a caminho
Faltam 91 dias para o arranque da nova temporada, a 8 de março na Austrália, que trará novos regulamentos e novidades importantes: entrada da Cadillac (com Pérez e Bottas), a Audi substitui a Sauber, a Red Bull passa a usar motores Ford, a Aston Martin troca para Honda e a Toyota junta-se à Haas. Na grelha, apenas uma alteração: Arvin Lindblad estreia-se na Racing Bulls, substituindo Yuki Tsunoda.







