Transparência, governação e divergências de valores estiveram na origem da rutura entre Novak Djokovic e a associação que ele próprio ajudou a criar.
Novak Djokovic decidiu cortar definitivamente laços com a Associação de Jogadores Profissionais de Ténis (PTPA), organização que cofundou em 2020, ao lado de Vasek Pospisil, numa decisão que volta a expor fraturas profundas na luta pela representação dos atletas no circuito profissional. As razões alegadas por Novak Djokovic, recordista de títulos do Grand Slam com 24 troféus, para este corte de relações estão estão diretamente ligadas com preocupações relacionadas com a transparência, a governação interna e a forma como a sua voz e imagem passaram a ser utilizadas pela estrutura.
Segundo explicou, numa mensagem divulgada nas redes sociais, os seus valores deixaram de estar alinhados com o rumo atual da associação. “Não me orgulho da visão que Vasek e eu partilhámos ao fundar a PTPA, com a intenção de dar aos jogadores uma voz mais forte e independente”, escreveu Novak Djokovic. “Mas tornou-se claro que os meus princípios e a minha abordagem já não coincidem com a direção que a organização está a seguir.”

Um projeto criado para desafiar o status quo
A PTPA nasceu num contexto de crescente insatisfação entre jogadores em relação aos organismos tradicionais que regem o ténis mundial — ATP, WTA e Federação Internacional de Ténis (ITF). O objetivo era ambicioso: criar uma entidade independente, liderada pelos próprios atletas, capaz de defender direitos laborais, melhorar condições de trabalho e reforçar a transparência num desporto frequentemente criticado pela concentração de poder. Desde a sua criação, porém, a associação tem vivido sob tensão permanente, tanto externa como internamente. A saída de Novak Djokovic, a figura mais mediática e influente do projeto, representa um golpe significativo na credibilidade e, principalmente, no peso político da PTPA e do que esta represente ou pretende representar.
Ação judicial e divisões internas
Em março, a PTPA avançou com um processo judicial contra os principais organismos reguladores do ténis, acusando-os de práticas anticompetitivas e de falharem na proteção do bem-estar dos jogadores. A ofensiva legal foi reforçada em setembro, quando os organizadores dos quatro torneios do Grand Slam se juntaram ao caso. Apesar de apoiar a ideia de uma representação mais forte dos atletas, Novak Djokovic já tinha, nessa altura, manifestado reservas em relação a vários pontos da ação judicial, distanciando-se publicamente de algumas das estratégias adotadas pela associação. ATP e WTA rejeitaram de forma veemente as acusações. A decisão agora anunciada confirma que essas divergências não eram pontuais, mas estruturais.
🚨 Breaking : PTPA founder Novak Djokovic steps away from PTPA.
— SK (@Djoko_UTD) January 4, 2026
“My values and intentions no longer match with the direction of the organisation”
🤯🤯 pic.twitter.com/2GXouO5gKI
Um novo foco dentro e fora do court
No comunicado, Novak Djokovic deixou claro que pretende concentrar-se no ténis, na família e em contribuir para o desporto “de uma forma que reflita os seus princípios e integridade”. O capítulo da PTPA, garante, está encerrado. Do lado da associação, a resposta foi diplomática: a PTPA reafirmou que foi criada para garantir uma voz mais forte e transparente aos jogadores e que continua aberta a discutir quaisquer preocupações levantadas.
Com esta saída, o que muda no ténis profissional?
Perante a saída de Novak Djokovic, levantam-se questões relevantes sobre o futuro da PTPA e, de forma mais ampla, sobre a capacidade dos jogadores se organizarem de forma eficaz fora das estruturas tradicionais. Sem a sua principal figura fundadora, a associação tem agora que provar que consegue manter a influência que diz defender, manter a coesão interna e o impacto real no ecossistema do ténis profissional. Para Djokovic, por outro lado, a decisão parece marcar um regresso a uma postura mais individual, mais focada na carreira desportiva e numa intervenção institucional mais discreta, num desporto que continua a debater-se com temas sensíveis, tais como distribuição de receitas e proteção dos atletas.











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