O pelotão nacional enfrenta um problema grave que coloca em causa a continuidade da modalidade em Portugal. Três jovens corredores, Hélder Gonçalves, José Sousa e António Ferreira, anunciaram recentemente o fim das suas carreiras, lamentando a precariedade do setor. Nas últimas cinco temporadas, trinta ciclistas com menos de 25 anos abandonaram as equipas continentais em Portugal, colocando em causa o aparecimento de novos João Almeida no ciclismo português.
Denúncias sobre o sistema e a falta de apostas
Hélder Gonçalves, que deixou a bicicleta aos 25 anos, explicou que muitos atletas não aceitam as propostas que recebem das equipas profissionais, que dentro de dias iniciam mais uma Volta. «Desistiram porque as condições que lhes propuseram não são as melhores, não quiseram continuar a compactuar com todo o sistema», afirmou o agora engenheiro de software. O ex-atleta revelou ainda que tem colegas a trabalhar em fábricas por falta de alternativas viáveis no desporto.
O antigo corredor sublinhou que a atual política de formação nas estruturas nacionais é insuficiente para segurar os novos talentos. «Nunca aconteceu no nosso ciclismo tantos talentos como o caso do António, José Sousa e mais pessoas que eu também sei que ficaram sem equipa», reforçou Hélder Gonçalves. Para o ex-ciclista, a aposta na juventude no panorama atual do ciclismo em Portugal «é zero».
Críticas à gestão e o alerta de José Sousa
José Sousa, que também abandonou a modalidade aos 26 anos, dirigiu críticas severas à forma como as equipas de formação são conduzidas. O antigo ciclista do Miranda-Mortágua defende que «muitos diretores fazem as equipas [sub-23] para encher os bolsos e não é para formar os miúdos». Sousa alertou que, a manter-se este rumo, daqui a dez anos não haverá matéria-prima para trabalhar na modalidade.
O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, reconheceu que o organismo está «efetivamente» preocupado com a situação de precariedade. O dirigente admitiu que o país tem campeões no topo da pirâmide, mas carece de uma base sustentável para o futuro. «O ciclismo português não está de todo a acompanhar o que é a evolução do ciclismo lá fora», concluiu o líder federativo sobre o momento atual.










